Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Futebol e patriotismo acima de tudo

10 de Outubro, 2014
De triste memória, as guerras e todo o seu cortejo de destruições são um dos acontecimentos que marcam a vida dos angolanos que viram adiado o início do processo de desenvolvimento que, de forma natural, se augurava, alcançada a Independência em Novembro de 1975.

Não tendo melhor para escolher, os angolanos foram obrigados a lidar com o universo de dificuldades criadas pelas diversas vias. Perante tais adversidades, os angolanos sempre souberam dar as melhores respostas de forma pronta e determinada, elevando o sentido patriótico, com laivos de fazerem de nós o adjectivado “povo especial”, por que somos conhecidos hoje.

A melhor forma de responder as necessidades impostas custou o sangue de muitos dos melhores filhos da nossa querida Pátria, por quem foram sacrificadas vidas, entendidas como o bem mais precioso existente na face da Terra. Talvez a força para tudo tenha advindo das palavras de ordem “um só povo e uma só nação”, "a luta continua e a vitória é certa”.

Assim, é vã toda e qualquer tentativa de apagar a História de Angola e dos angolanos, que com estoicismo, bravura, coragem e determinação, sempre disseram “pronto” à pátria de Mandume, Ngola Mbandi, Jinga Mbandy, Ngola Kiluanje, e tantos outros ancestrais. Hoje, temos Pátria, Hino, Bandeira e outros símbolos representativos da nossa soberania.

Acto contínuo, ela deve ser defendida e mantida, ante qualquer intenção de nos ser surripiada.
Devemos, em todos os sentidos embarcar nos vagões da locomotiva do desenvolvimento que o país procura alcançar nos mais diversos sectores, realizando uma marcha firme, segura e determinada, como aliás é peculiar dos angolanos.

Pelo seu papel social, o desporto, de uma forma geral, não pode ficar à margem, até porque é um fenómeno aglutinador de bastante relevância.
Nisto, existe toda a necessidade de exercitarmos o patriotismo, acima de tudo. Vem, o que se disse atrás, a propósito dos últimos acontecimentos que envolvem a Federação Angolana de Futebol e por via disso os Palancas Negras, que andam mergulhados num turbulento jogo de inconformidades que tem provocado a ira colectiva dos amantes do desporto-rei.

Distantes de atearmos mais lenha na fogueira, e como é hábito reclamar-se, em vésperas dos jogos, toda a solidariedade e carinho para os Palancas Negras, por esta Angola que todos devemos amar, somos impelidos a dar o melhor que temos em prol da melhoria do que anda mal no futebol doméstico.

Até porque, em causa pode estar o bom legado que precisamos deixar para as gerações vindouras, e por elas sermos bem referenciados, aquando da narração dos factos que consubstanciam a história do futebol angolano.
Claro está que não são acontecimentos como os que marcaram os últimos momentos dos Palancas Negras, relacionados com a “pobreza” administrativa em que se mergulhou o órgão reitor da modalidade, com toda a repercussão que se conhece.
Fora do lugar-comum, devemos pensar mais à Nação, com espírito de que as nossas obrigações laborais são verdadeiros exercícios de prestação de um serviço público.

Por isso, sinto-me no direito de apelar a conjugação de esforços para devolvermos o que de melhor o futebol angolano já teve, num tempo não tão distante assim.Para tal, torna-se imperioso assumir e corrigir-se as falhas e, em segundo plano, procurar valências onde possam existir, para que no final possamos, para além de ombrear com as mais cotadas seleções do continente africano, dizer que, de facto, somos um só povo e uma só nação. Tenho dito.

Carlos Calongo

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