Jornal dos Desportos

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Opinio
por Morais Canamua

Futebol feminino busca resgate da mstica

18 de Janeiro, 2020
Já houve tempos que o futebol feminino era de facto uma festa cá entre nós, pois inflamava paixões e, de facto arrastava multidões. Nós próprios nos sentíamos impelidos pela onda e, como consequência, vezes sem conta nos vimos envolvidos, intensamente na cobertura de jogos de carácter internacional e provas conjugadas neste género.
Era de facto muito bom ver mulheres a evoluírem em campo com habilidade e retoques técnicos iguais ou mesmo superiores à muitos homens. Depois daquele furor em que emergiram grandes executantes que mostraram o seu valor de futebolistas com larga margem de progressão.
Falo concretamente da Jú, Vitó, Caró, a Tânia, a Irene Gonçalves, a Veró, enfim, eram de facto muitas que formaram uma legião de “mulheres corajosos e destemidas”, que apostavam em dar outro rumo e vida ao futebol praticado por elas.
Então, a Federação Angolana de Futebol (FAF) abrira portas à competição africana e evoluíam normal e regularmente. Irene Gonçalves ostentava o nº 10 e era uma verdadeira craque. Muitos adeptos cogitavam em surdina, que superava mesmo alguns homens que evoluíam no Girabola (pasme-se!). Na verdade, Irene jogava sério e tinha a particularidade de marcar muitos e bons golos (até de bicicleta!).
Depois de uma autêntica travessia no deserto, o futebol feminino vê hoje a possibilidade de voltar à competir e poder dar um ar da sua graça. Há, por aquilo que se sabe, da imprensa desportiva, que uma selecção de futebol na categoria de Sub-20, prepara-se para compromissos competitivos a nível regional e continental.
Do mesmo modo, a selecção sénior, denominada “Weliwitschias”, faz igualmente a sua preparação para os mesmos motivos. Isto proporciona de facto um enorme alento para quem, como nós, sempre apreciamos o futebol feminino. Forjam-se atletas com bastante habilidade para assumirem a missão de elevarem, mais uma vez, a bandeira nacional nos mais diversos mastros continentais. Aliás, depois do campeonato do mundo disputado recentemente, as mulheres ficaram “loucas” pelo futebol. A febre da prática do desporto rei tornou-se evidente e cresceu o interesse e o numero de praticantes.
Esta intenção é bem-vinda, atendendo a vertente social que representa o desporto, no caso o futebol que, de forma integrativa, arregimenta jovens que ganham gosto pela sua prática do futebol. Aliás, Gianni Infantino, o presidente da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), que esteve há poucos meses em Angola em visita de trabalho, trouxe como preocupação, o desejo de ver relançado, no nosso país, o futebol feminino, confirmando a projecção que tem tido no mundo.
Por isso, estão lançados os dados para que o futebol feminino reconquiste os terrenos que já ostentava e possa revolucionar a modalidade conjugada no género.
Não é demais sonhar com uma prova nacional até, com várias províncias do país representadas com executantes de valia, capaz de fazer inveja aos homens. Era de facto assim que se assistia num passado recente, com provas disputadas em diversas províncias do país e depois ser realizada a competição nacional.
Tomara que desta vez as coisas sejam encaradas com imensa seriedade, até porque os apoios esses, estão garantidos para, com disciplina, organização e capacidade de gestão possamos conferir consistência a projectos que visam a sua revitalização concreta e completa. Para já, só o facto de as equipas técnicas formadas, estarem nomeadas e a trabalhar na prospecção de talentos e formação da equipa principal do País, já é um bom sinal. Por isso, o que se recomenda é trabalho e só trabalho, com os olhos postos no futuro, resgatando a mística do passado recente, vivendo o hoje com esperança de melhores dias. Bem-Haja futebol feminino!


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