Jornal dos Desportos

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Opinio

Futebol nacional deve ser revolucionado? (II)

19 de Setembro, 2019
A semana precedente fechei o texto com o seguinte argumento: “A meu ver, já não se pode gastar dinheiro em vão com o futebol. Mesmo que não estivéssemos em crise financeira, não podemos continuar a desperdiçar dinheiro com o futebol, enquanto não tivermos garantias de que valerá a pena. Mesmo que a Selecção Nacional chegue o mais longe possível nesta fase ou se qualifique para o Mundial do Qatar, temos de nos apegar rigorosamente ao projecto.”
Isto Implica dizer, que vamos competir de modo participativo, não importa onde cheguemos nesta fase de grupos, porque o objectivo é construir o alicerce, que nos permita edificar grandes selecções no futuro, pois já erramos o suficiente nestes últimos 44 anos.
Assim, na qualidade de ser o órgão reitor do desporto angolano, o Minjud tem a responsabilidade de determinar o destino do nosso futebol. Para o efeito, sabemos que aquele órgão do Estado, pode contar com os grandes cérebros do nosso futebol, para atingirmos o objectivo supremo.
Em minha modesta opinião e com o devido respeito que devo às instituições, que dirigem o nosso desporto e do futebol em particular, não podemos continuar a permitir, que uma “dúzia” de pessoas determine os destinos do nosso futebol a sua maneira e com resultados desastrosos.
Naturalmente, devo reconhecer que tais personalidades agiram de forma legítima, porque lhes era concedida toda “soberania” na condução dos destinos do nosso futebol durante os últimos anos e por isso podem ser desculpados.
Entretanto, visto que estamos no novo paradigma, é imperioso que no desporto também se façam as correcções que se impõem, o que passa por corrigir a forma de o gerir, sem denegrir ninguém, atendendo a conjuntura social que vivemos nos últimos anos.
Assim sendo, por ser a via pelo qual o Estado faz chegar o apoio financeiro e outros activos para a actividade dos Palancas Negras, é somente normal e razoável que seja Minjud, a determinar como, onde e quando tais activos deverão ser aplicados.
O facto de o dinheiro ou seja os activos, para o funcionamento de uma selecção nacional, saírem dos “bolsos” do povo, o seu manuseio é motivo de muita responsabilidade, pois deve ser bem aplicado e justificado. As pessoas que estiverem indicadas para a gestão de tais activos, devem estar bem cientes desta pesada responsabilidade.
Por isso, o Minjud, não pode continuar indiferente na forma em que o futebol é gerido, sob pena de vir a ser responsabilizado pelo mau uso que se fizer do dinheiro do Estado. Em situações normais, nenhum pai sensato daria avultadas somas financeiras a um filho despreparado, sem um projecto exequível, pois faria dele um simples esbanjador.
Apesar de a nossa selecção se ter apurado, por mérito próprio, para a fase de grupos que conduzem ao Mundial de Qatar em 2022, não nos impede de, agora mesmo, traçarmos os caminhos pelo qual o nosso futebol deverá trilhar a médio e longo prazos, para atingir os níveis desejados por todos nós.
É chegada a hora de colocarmos os “traços nos tés e os pontos nos ís” como soe-se dizer. O mais importante é definir o que se pretende com o futebol nacional, quer seja sob a liderança ou supervisão do Minjud, com a contribuição dos melhores cérebros do país especializados na matéria.
Sim, sem um projecto bem concebido o que pressupõe organização, é impossível atingirmos os níveis das melhores selecções do continente Africano e fazermos boa figura nos palcos por onde passarmos. É caso para dizer que a bola está nos “pés” do Minjud. Augusto Fernandes

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