Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Futebol nacional deve ser revolucionado (I)

12 de Setembro, 2019
A Selecção Nacional de futebol qualificou-se, mais uma vez, para a fase de grupos para as eliminatórias de acesso ao Campeonato do Mundo que será organizado pelo Qatar em 2022, ao vencer no Estádio 11 de Novembro a sua similar da Gâmbia por 2-1, com golos de Geraldo e Rui Abreu para os angolanos.
É importante frisar, que apesar do desafio ter sido realizado em pleno dia de trabalho normal, mais de 15 mil almas fizeram-se presente para empurrar a Selecção Nacional para vitória, que, diga-se de passagem, foi valorizada pela grande luta que os gambianos deram aos nossos Palancas Negras.
É caso para dizer que o no futebol está de parabéns.
Entretanto, depois dos vários dissabores que a Selecção Nacional tem proporcionado nos últimos tempos, até o ultimo Campeonato Africano das Nações (CAN) realizado em Junho do corrente ano no Egipto, será que vale a pena apostar seriamente nesta competição? Não é novidade para ninguém, que neste momento o nosso futebol não tem pernas nem qualidade para aparecer em grandes palcos para competir, a menos que seja para passear ou aproveitar a ocasião para hastearmos a nossa bandeira.
Aliás, o grande alarido feito por quase toda a família do nosso futebol, condenando com veemência as más exibições dos Palancas Negras nas suas últimas intervenções internacionais, dizem tudo.
Sim, todos nós sabemos que o nosso futebol precisa de mudanças profundas, a começar pela organização o que significa dizer que a doença já está diagnosticada. Agora, é consensual que se administre a medicação ideal para resolver o problema.
Assim, apostar seriamente no apuramento ao Mundial de 2022 seria pactuar ou seja permitir, que o que está mal continue a imperar. Da mesma forma, que todos acabamos sendo unânimes de que precisamos revolucionar o nosso futebol, também temos de ter uma só voz com relação a nossa participação nesta competição.
Naturalmente, quando digo, que o Mundial de Qatar não deve ser prioridade, não significa dizer que a Selecção Nacional deva parar de competir internacionalmente. Muito pelo contrário. Tendo em atenção o nosso objectivo, que é do preparar uma selecção que, a médio e longo prazo, nos dê alegrias praticando um futebol que nos dignifique, então este apuramento a fase de grupos deve ser bem aproveitado.
Com o foco direccionado no principal objectivo, podemos aproveitar muito bem as competições internacionais, para dar traquejo aos nossos jogadores.
No entanto, é necessário que o Ministério da Juventude e Desportos (Minjud) e a Federação Angolana de Futebol (FAF) saibam aproveitar bem momentos como estes, por elaborarem o projecto que se impõe.
Poderíamos aproveitar o facto de a Selecção Nacional de Sub-17 participar no Mundial da categoria do Brasil, que será em Outubro próximo e onde, de certeza ganhará muita rodagem, para daí avaliarem-se jogadores que poderão engrossar o leque de seleccionáveis, para montarmos uma selecção que, no mínimo, apareça para competir e não para participar no CAN de 2023.
O facto do treinador principal dos Sub-17 ter sido experimentado na Selecção de Honras, reforça ainda mais a necessidade de se apostar no homem como o futuro condutor dos destinos dos Palancas Negras.
E tudo porque Pedro Gonçalves conhece bem os jogadores e a realidade do nosso futebol, pelo tempo que convive entre nós.
A meu ver, já não se pode gastar dinheiro em vão com o futebol. Mesmo que não estivéssemos em crise financeira, não podemos continuar a desperdiçar dinheiro com o futebol, enquanto não tivermos garantias de que valerá a pena. Mesmo que a Selecção Nacional chegue o mais longe possível nesta fase ou se qualifique para o Mundial do Qatar. temos de nos apegar rigorosamente ao projecto. Augusto Fernandes

Últimas Opinies

  • 11 de Novembro, 2019

    O sabor da Dipanda

    O 11 de Novembro é uma data que representa um verdadeiro símbolo da identidade dos angolanos e do país, em si, desde que se libertou das amarras do regime colonial. Portanto, há 44 anos, num dia como hoje, o saudoso Presidente Doutor António Agostinho Neto proclamou perante a África e ao Mundo a Independência Nacional.

    Ler mais »

  • 11 de Novembro, 2019

    Cartas dos Leitores

    Acho que a condecoração vem em boa hora. Devia haver melhor critério, mas não deixo de louvar a atitude do Presidente da República. (...)

    Ler mais »

  • 11 de Novembro, 2019

    Denncias, SIC e PGR

    Certa vez, sem receio de punição, a demonstrar que tinha algum trunfo na manga para provar, o então presidente de direcção do Recreativo do Libolo, Rui Campos, chegou a acusar que os árbitros indicados pelo Conselho Central de Árbitros da Federação Angolana de Futebol manipulavam os jogos e resultados da equipa de Calulu, no sentido de, na altura, impedir a revalidação do título.

    Ler mais »

  • 09 de Novembro, 2019

    Festa da Dipanda e os feitos desportivos

    Angola assinala dentro de sensivelmente dois dias 44 anos desde que se libertou das amarras do regime colonial.

    Ler mais »

  • 09 de Novembro, 2019

    Desporto de unio nos 44 anos da Nao

    Hoje, como não podia deixar de ser, neste espaço escrito “A duas mãos”, acordamos em falarmos da trajectória do nosso desporto, ao longo dos 44 anos de Independência que o País tem.

    Ler mais »

Ver todas »