Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Futebol precisa de actos

03 de Abril, 2015
Porém, tenho receio de que dessa iniciativa resultem poucos frutos. Não é a primeira vez que o futebol se reúne, em congresso ou em conferência, é irrelevante o nome.

O certo é que se discutiram exaustivamente os problemas do futebol, dos clubes e das selecções em particular. Um dos caminhos apontados naquelas reuniões era investir no futebol de formação, condições de trabalho, salários atractivos e os melhores treinadores para esses escalões.

Ou seja, ficou a ideia de que era necessário levar para os escalões de formação treinadores competentes, estrangeiros ou nacionais. Doze anos depois, o quadro é quase duas vezes piores. Há alguns avanços quanto às condições postas hoje à disposição do futebol de formação. O Petro de Luanda deu o pontapé de saída, porém o projecto morreu pois era minúsculo face à dimensão histórica do clube.

A AFA surgiu com a primeira Academia, o 1º de Agosto seguiu o exemplo, assim como o Interclube. São iniciativas que merecem todos os louvores e mais alguns. No entanto, outros grandes clubes insistem em más práticas, como gastar três a quatro milhões de dólares na equipa principal e menos de 250 mil dólares no futebol de formação. Para esse escalão do futebol nacional continua-se a mandar os ex-jogadores que se querem iniciar na profissão de treinadores e não os conceituados ou experimentados.

E quando se tem um treinador com experiência, falta-lhe condições para executar o trabalho de maneira sustentada. Acresce depois a "febre" dos resultados positivos não importa em que escalão de formação.

A par dessas práticas que se alojaram no futebol nacional, há a questão da gestão. As direcções dos clubes existem apenas para gerir o que recebem dos patrocinadores (sem nenhum esforço) mas quase nunca fazem esforços para diversificar as fontes de receitas.

Os clubes, pequenos e grandes, querem todos os anos contratar, contratar e mais nada. Quando se lhes pergunta quantos jogadores de formação têm, a resposta é sempre "os miúdos têm muitas deficiências básicas". Esquecem que são os responsáveis pelas deficiências dos jogadores.

A FAF não faz diferente. Se nos outros mandatos havia alguma sensibilidade para com as selecções jovens, no consulado de Pedro Neto nada. Esta direcção se pudesse extinguia os escalões de formação sem qualquer problema.

Veja-se como tratam os seleccionadores nacionais dos escalões de formação. É aliás a actual opção de jogar o CHAN em detrimento das eliminatórias dos Jogos Olímpicos. Portanto, entendo que o futebol nacional precisa menos de palavras e mais de actos. Todos ou quase todos os dirigentes que andam no futebol nacional conhecem o certo e o errado. Conhecem bem a realidade europeia, por isso acho que esse exercício a que se propõe o Ministério da Juventude e Desportos fica guardado nos arquivos como mais uma iniciativa.

Disso não passa. Oxalá, esteja enganado nesta previsão necrológica.
Teixeira Cândido

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