Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Futebolisticamente ns e Portugal

01 de Dezembro, 2017
Tem havido uma discussão férrea sobre a inserção de jogadores angolanos no mercado internacional. É lógico que hoje por hoje, já se fala em mercados definidos. Se no português, no brasileiro, no sul africano, no egípcio ou nos outros países. Afinal, bem ou mal, já tivemos jogadores nossos em todos estes campeonatos.
É certo que o orgulho é elevadíssimo quando temos um jogador nosso a evoluir num campeonato de referência. Assim mesmo aconteceu com Jesus, com Lufemba, com Saavedra, com Avelino Lopes, com Flávio, com Gilberto quando se mandaram para outros palcos. É certo que nem todos atingiram o mesmo nível de explosão. Uns ficaram a meio e outros foram um pouco mais além.
Na verdade, a presença de jogadores nossos em campeonatos estrangeiros tem sempre um lado positivo. Primeiro, valoriza a nossa Selecção com jogadores mais experimentados, porque de campeonatos mais competitivos; segundo porque prestigiam, individualmente, o próprio jogador que ao ser chamado à Selecção Nacional se sente honrado e vangloriado.
Mas o que está em causa neste exercício é saber qual é afinal o melhor mercado para o jogador angolano. Portugal, por razões que não interessa explicar, é o primeiro mercado para nós e para os outros países lusófonos, mas pelos vistos também não somos bem sucedidos aí. Muitas são as razões das barreiras que encontramos.
Recuando para os tempos de Joaquim Dinis, Inguilas, Rui Jordão e outros, escapa sempre a sensação de procurar saber o que se passa de concreto. Porque o futebol continua a ser jogado com os pés, e em Angola continuam a nascer homens dotados à modalidade. Ainda assim, continuamos sem ter referências nossas no futebol português.
Já se diz à boca pequena que Portugal não é o melhor marcado para o futebol angolano. Às vezes este conceito deu lugar à polémicos debates. Mas no fundo é mesmo isto que se assiste. Se calhar, seja até um erro de cálculo os jogadores angolanos continuarem a insistir no mercado português. Não será, decididamente, a nossa praça.
Aliás, depois de Joaquim Dinis, no tempo do \"karandanda \", só Mantorra conseguiu se impor no futebol português. Todos os demais que tentaram, incluindo o próprio Akwá, não foram bem sucedidos, porque é decididamente um mercado complexo, e não muito propenso para o nosso país.
Hoje temos por exemplo o caso de Gelson, muito bem sucedido no 1º de Agosto, mas no Sporting não tem sido aquilo que dele se esperava. É certo que tendo ido a custo zero para o Alvalade seja superado por outros colegas que chegaram à custa de muito dinheiro, mas ainda assim se lhe devia dar alguma oportunidade.
Resumindo, Portugal não é o nosso mercado. Basta ver que os jogadores de melhor referência do futebol angolano no estrangeiro são hoje por hoje, aqueles que optaram em clubes fora de Portugal. Avelino Lopes, Flávio, Gilberto e demais deram nome, em defesa de emblemas africanos.
Por tudo isso, Gelson e Ary Papel terão tomado direcção errada em apostar no futebol português. Deviam ter pensado noutros mercados. O caso de Ary chega a ser mais bizarro, porque dizia-se, à partida, que iria para o Esperance de Tunis, e não se sabe por que carga de água foi parar no Alvalade. Foi boa opção? Decididamente não.
Resumindo, Portugal não é o nosso mercado. Podemos atingir outros patamares em outrora campeonatos que não seja Portugal. Pensa-se que valorizamos a questão língua e cultura, mas acabamos no fim a não ganhar nada com isso.
MATIAS ADRIANO

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