Jornal dos Desportos

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Opinio
por Augusto Fernandes

Futsal pode estar longe da Argentina

01 de Março, 2018
A selecção nacional de Futsal está a disputar as eliminatórias para os Jogos Olímpicos da Juventude que vão realizar-se em Outubro, na Argentina, aflige-se com a dependência de apoios financeiros, para tornar realidade o sonho de participar nos Jogos de Buenos Aires.
A ideia ficou patente durante as entrevistas concedidas por alguns membros da FAFUSA à Rádio 5, no programa Onda Olímpica do dia 27.02.18. Dada a forma como os rapazes de Rui Sampaio estão a comportar-se nos três primeiros jogos, podemos acreditar que se a questão financeira for resolvida, Angola vai participar nas Olimpíadas da Argentina.
Porque, se não vejamos: A actual equipa nacional foi idealizada com jogadores que nem conheciam o abc do Futsal, e muito menos jogavam em equipas organizadas ou federadas. O técnico Rui Sampaio e seus colaboradores aproveitaram as qualidades técnicas dos jogadores para moldá-los a seu gosto.
Fruto da ousadia, no jogo da primeira eliminatória, o cinco nacional recebeu e venceu a Zâmbia por 6-3 e para confirmar a superioridade venceu novamente em Lusaka, por 5-1, que perfaz o agregado de 11- 4.
Na segunda eliminatória em Rabat (Marrocos), os pupilos de Rui Sampaio arrancaram um rigoroso empate a três bolas. Entretanto, segundo o timoneiro angolano, o terceiro golo dos marroquinos foi uma “prenda” do árbitro senegalês, pois, foi marcado depois dos últimos segundos do tempo regulamentar.
Mais uma vez o jogo de influência foi determinante, para que os nossos rapazes não ganhassem os marroquinos em sua casa. Entretanto, visto ser uma realidade em África e não só, o mais importante é precaver-se contra este tipo de situações por tomar medidas dissuasivas de forma rigorosa de modo a infundir respeito à equipa de arbitragem em recorrer às inverdades para facilitar a vida ao adversário.
No entanto, além dos adversários de campo, a selecção nacional debata-se com graves problemas financeiros. Há momentos em que os membros da equipa técnica e da direcção tiram do bolso para darem aos rapazes, em prejuízo às vezes, dos seus familiares.
De realçar que para se realizar uma partida sob responsabilidade da CAF, em casa, as despesas podem chegar aos 12 milhões de Kwanzas, a contar com alimentação, transporte, pagamento da arbitragem e etc, etc…
O exemplo de quão são enormes as despesas, tem a ver com a hospedagem. O órgão reitor determina que as equipas adversárias devem ficar hospedadas em hotéis até três estrelas, em Angola por noite não se paga menos de 30 mil kwanzas, por pessoa.
Podemos ver que as despesas são enormes e por isso, a selecção nacional precisa do apoio não só das instituições do Estado, como o Ministério da Juventude e Desportos (MJD), também dos empresários nacionais e não só.
Segundo um alto funcionário da direcção nacional da Juventude e Desportos, o objectivo do MJD é alavancar o desporto jovem para o futuro. Isto implica dizer, que o MJD deve ser o primeiro a reunir condições para que esta intenção não fique no papel.
O MJD pode, ou seja, deve criar políticas que atraiam o investimento privado no desporto, que passa por publicidades a favor dos patrocinadores ou algo parecido. O mais importante é que o patrocinador ganhe algo, pela ajuda que venha a prestar.
De volta à nossa atenção para as probabilidades do cinco nacional tornar realidade o sonho de participar nos jogos Olímpicos da Juventude, na Argentina, vai ter de vencer o Marrocos em casa, depois preparar-se para na última eliminatória e eliminar o vencedor do jogo Egipto - Moçambique . Temos de reconhecer que a selecção marroquina é das mais fortes em África, joga um futebol maduro, baseado no grande poder de posse e circulação de bola, do estilo Europeu o que cria muitas dificuldades às equipas em que as individualidades determinam os resultados.
Entretanto, o facto dos marroquinos terem de recorrer à “ajuda” da arbitragem para conseguirem o empate, indica claramente que a nossa equipa pode ser considerada uma das melhores do continente.
Jogadores como Hélder Santos, Osvaldo Agostinho, Teodoro Vaz, Estácio Paim, Edilson Katembo, e outros deram mostras de que no que depender deles, a questão está resolvida. De resto a FAFUSA, que resolva a questão do Kumbú.
Queremos acreditar que a FAFUSA, com mais ou menos dificuldades vai ultrapassar o problema porque senão, as Olimpíadas da Argentina não passam de uma miragem para os nossos bravos rap.

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