Jornal dos Desportos

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Opinio

Gabo mais distante

01 de Abril, 2016
Está comprovado que derrota em casa, diante da sua congénere da República Democráctica do Congo, complica a qualificação da Selecção Nacional de Angola, à fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN), que no próximo ano vai ocorrer no Gabão.

A campanha da selecção angolana, que foi relegada à terceira posição do grupo B, com quatro pontos, atrás das selecções do Congo Democráctico e da República Centro Africana (RCA), com sete pontos, sugere uma reflexão profunda em termos técnicos e administrativos, tendo em conta os objectivos que se pretende para o futebol nacional, cujas metas devem ser conveniente e estruturalmente traçados.

Aos Palancas Negras que têm ainda por disputar dois jogos, designadamente com as selecções do Madagáscar, em Luanda, e da RCA, em Bangui, resta a hipótese remota de lutarem pela obtenção de um dos três melhores segundo classificados. Isso pode acontecer, em caso de não perderem os dois jogos, e esperar pela derrota de um dos líderes, no embate entre si.

Em função de comentários de alguns responsáveis pelo futebol nacional, veiculados por alguma imprensa, é preciso que os profissionais da comunicação social, como patriotas, pretendem o melhor para a Selecção que os representa. Nunca nos passou pela cabeça e nem constitui nosso objectivo, imiscuirmo-nos no trabalho dos técnicos, mas apenas contribuir para o melhor, com algumas sugestões que não são obrigados a acatar.

Depois da exibição positiva na derrota (2-1), em Kinsahasa, em Luanda, é possível que José Kilamba terá falhado. A ele terá faltado tacto para lidar com a situação, dado que vinha a ser alvo de alguma pressão, depois de na capital congolesa democráctica ter tirado Gomito, o que para muitos, “acabou” com o meio campo de Angola. Não nos assumimos como defensores de José Kilamba, mas pedir a sua substituição nesta fase, como alguém chegou a cogitar, é no mínimo, uma brincadeira de mau gosto.

O jogo de Luanda não constitui o principal problema dos Palancas Negras. Estes vêm de longe. Passam pela qualidade abaixo da mediana, de alguns atletas que apresentam falhas que deviam ser colmatadas nos escalões de formação, que são chamados em função de alguns factores, da organização administrativa e técnica da federação angolana da modalidade, assim como a área que se ocupa das selecções nacionais, entre outros.

Os problemas das selecções nacionais, em particular e do futebol angolano, não devem ser tratados de ânimo leve. É de convir que os problemas de âmbito interno, que se arrastam faz tempo, constituem o empecilho para que se alcancem classificações que se coadunem com a dimensão do futebol nacional, que a cerca de uma década, era respeitado a nível africano.

É assim que em vez de se atacar a pessoa do seleccionador nacional, seria mais racional, centralizarem as suas atenções onde radicam os problemas e apresentar ideias que busquem a sua resolução.

Agora, uma vez que ainda existe uma réstia de esperança para que Angola esteja presente na competição vai ter como palco, a República do Gabão, é necessário que se comece a trabalhar o quanto antes, com o espírito de abnegação e profissionalismo.

É de se concordar que, ao se pedir a substituição do selecionador nacional, nesta fase, não é bom para a estabilidade do futebol nacional que se pretende.
Leonel Libório

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