Jornal dos Desportos

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Opinio

Gi e Raul Duarte de mos dadas

11 de Julho, 2017
Então quem em esteve na base da boa prestação da selecção de Sub-17, que teve boa prestação no Campeonato do Mundo dessa categoria disputado há três anos no Dubai onde Angola terminou na décima primeira divisão não foi este jovem treinador que dá pelo nome de Manuel Silva \"Gi\"?

Eu considero que, no fundo, a conjugação do trabalho dos dois técnicos acabam por visar um objectivo único. Colocar as suas \"impressões digitais\" ao sucesso da nossa bola ao cesto quando chamados a orientarem uma ou outra selecção. Estão de “mãos dadas” para o trabalho de casa.

É bom recordar que naquela selecção orientada por Manuel Silva \"Gi\" no Dubai havia jogadores que ajudaram a conquistar em 2013 o Campeonato do Africano e dela ficou sem dúvida patente o futuro das selecções de Sub-18, Sub-19 e para a de sénior, no sentido desta continuar a dominar a nível do continente e ter boas participações nos Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo .

Marcámos, na altura, o nome de Valdir Manuel, do Petro de Luanda, que foi no Dubai um dos jogadores mais contactados por agentes estrangeiros para jogar fora de Angola, mas que tinha preferido não abraçar convite algum, embora tenha manifestado o sonho de fazer carreira em clubes da Europa ou América.

Também anotámos o base principal da selecção, Eric Amândio, e o poste Bruno Fernando, que estiveram muito em evidência no tal Mundial de Sub-17 onde chegaram em plena forma desportiva depois do estágio de um mês proporcionado à equipa pela Federação Angolana de Basquetebol, na Espanha.

Desde logo, o resultado daquele “trabalho de casa”, com Manuel Sousa “Gi” à frente, na minha modesta apreciação, começou a surtir efeito já com os jogadores a mostrarem altos níveis de prestação e qualidade técnicas, potenciando as de Sub-18 e Sub-19, esta agora que agora foi ao Mundial do Egipto competentemente orientada por Raúl Duarte.É motivo para dizer-se que a sua indicação para dirigi-la no Campeonato do Mundo não significou - também na minha modesta visão - “desoneração” do valor e competência de Manuel Silva “Gi” e seus adjuntos, a favor de Raúl Duarte. Nada disso!

Qualquer destes treinadores nacionais - e mais os outros - estão no centro das novas apostas da actual direcção da Federação Angolana de Basquetebol sabiamente liderada por Hélder Cruz”Maneda”, depois das experiências falhadas, nos mandatos de Gustavo Conceição e Paulo Madeira, que enveredaram por estrangeiros como Mchiel Gomes (francês), Luís Magalhães( português) e Moncho Lopes (Espanhol).

Julgo que tinha sido já um erro crasso a federação, para os seniores, não ter este órgão renovado com seleccionador (angolano), Paulo Macedo.

E isto, mesmo depois deste ter conduzido o \"cinco\" nacional ao hendecacampeonato africano, já com alguns jogadores novos, que voltaram a ser apostas de Manuel Sousa “Gi”, com a aprovação, certamente, do experiente e competente técnico Raúl Duarte, para o Afrobasket a decorrer na Tunísia e Senegal.

A posta em técnicos estrangeiros - defendo isso com unhas em dente, mas sem xenofobia ou chauvinismo exacerbado ! - não pode mais traduzir o reflexo da carência no país.

Porque as carências cobrem-se com apostas fortes e, portanto, todo o trabalho desenvolvido, agora, por Raúl Duarte, como a continuidade do feito por Manuel Silva “Gi” e não já por estrangeiros, está a corrigir tudo o que vinha falhando , nomeadamente a “desangolanização” dos comandos, dos métodos e dos sistemas de jogo.

Não pode haver um trabalho técnico que vai de encontro às características antropométricas. Tem de ir ao encontro! Temos de, com Manuel Silva\" Gi\", Raúl Duarte, Paulo Macedo, Carlos Dinis e outros que aqui não sito retomar o basquetebol característico aos angolanos, para romper com a filosofia dos treinadores que vêm de fora. Estes devem entender e submeter-se ao estilo angolano.

Está aí, a chegar, a data do Afrobasket, a ter lugar na Tunísia e Senegal, dois países que têm sempre Angola como alvo a abater. Estes jovens jogadores de Sub-19, talhados por Manuel Sousa “Gi” e Raúl Duarte - obviamente beneficiando dos investimentos dos clubes onde jogam - terão uma palavra a dizer. E sobretudo se houver trabalho a doer e estágios.

Eu não esqueci ainda, até hoje, o seguinte: quando Angola em 2010, em sénior falhou a melhoria do nono lugar conseguido no “Mundial” de Basquetebol o Japão em 2006, acabando, em 2010, por ficar no 15º lugar na Turquia houve uma corrente de especialistas da nossa bola ao cesto s defenderem que teria de apostar-se muito nos escalões inferiores, e em treinadores que melhor conhecem a nossa realidade.

Falo da realidade dos jogadores que evoluem no BAI Basaket e daqueles idos daqui para o estrangeiro, como os que estão nos Estados Unidos a estudar e a jogar em universidades e outros na Europa.
ANTÓNIO FÉLIX

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