Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Gigantes adormecidos

05 de Maio, 2015
A construção de novas infra-estruturas desportivas continua a ser uma boa base de sustentação, depois da independência nacional, marcando assim uma viragem decisiva no processo de desenvolvimento desportivo do País.

Ao logo dos 40 anos de vida, que comemoramos no próximo dia 11 de Novembro, o nosso desporto conheceu uma série de ganhos. Um deles foi a construção de várias infra-estruturas, como consequência da realização de vários eventos desportivos.
A realização quer do CAN/2010 como dos "Africanos" de Basquetebol e Andebol, permitiram a construção de várias infra-estruturas desportivas, que permitiram elevar a auto-estima da população das províncias que tiveram o privilégio de receber os referidos eventos, que reflectem os ganhos da Independência.

Contudo, quando se analisa a repercussão da forma como estão a ser utilizadas as referidas infra-estruturas, a situação não é nada abonatória, tendo como denominador comum a gestão dos mesmos. Anos depois da realização destes eventos internacionais que elevaram bem alto o nome de Angola, a glória desses dias foi transformada em pó.

Na minha modesta opinião - se estou errado podem criticar-me - quando se planifica a organização de grandes ventos continentais, e não só, no qual são necessários a construção de grande infra-estruturas, como é o caso das competições desportivas, é necessário avaliar o que fica para a população das zonas que beneficiaram destes eventos.

O que será que vai acontecer a estas infra-estruturas? Estarão incorporadas no resto da cidade? Haverá eventos e actividade suficientes para rentabilizar aqueles espaços? Infelizmente foram questões não avaliadas e hoje todos pensam e repensam no que fazer.
As províncias que tiveram o privilégio de receber novas infra-estruturas desportivas não souberam planear nem incorporar estes megas edifícios na restante estrutura urbana, tornando-se zonas abandonadas.

O estádio do Chiazi, o maior da província de Cabinda, com capacidade para albergar cerca de 20 mil espectadores, construído em 2009, para um dos grupos do CAN/2010, está subaproveitado e a sua estrutura arquitectónica está a perder qualidade.

Construído para acolher jogos do Girabola e do Provincial, o mesmo está ao abandono para desagrado dos amantes da modalidade. O campo adjacente também está abandonado. O recinto que servia de treinos e de jogos foi interdito e o seu balneário anda fechado por falta de água.

Ainda em Cabinda, os pavilhões que foram construídos em 2008, para receber os "Africanos" de basquetebol e de andebol, estão igualmente subaproveitados. São utilizados para actividades extra-desporto, uma situação que em nada abona os motivos para os quais foram construídos.

Os pavilhões Gika, Dangereux, Lombo-Lombo e do Barão Puna servem para locais de festa, eventos culturais -económicos e para aulas de educação física. Nada para aquilo que estão habilitados. Um outro, o pavilhão do Mbaka, cujas obras iniciaram em 2008 nunca conheceu o seu termino.

Em Benguela, o estádio do O'mbaka, construído de raiz para receber a Série B do CAN/2010, está melhor aproveitado que o do Chiazi. Embora o representante da província, a Académica, tenha o seu próprio estádio - o Buraco - o O'mbaka é aproveitado para jogos do provincial sénior e júnior, para além de receber, quando solicitados em tempo oportuno, feiras de negócios e eventos culturais e religiosos.

Em 2013, o país realizou o primeiro Campeonato do Mundo de hóquei em patins em África. Um evento que foi bastante elogiado pelas lides desportivas a nível de todo o mundo. Para receber o evento, o país gastou somas avultadas na construção de vários pavilhões, um dos quais, o do Kilamba, de fazer inveja a muitos países.

O mais caricato é que o mesmo esteja votado ao abandono. Pelo que me lembro a última vez que recebeu um evento desportivo foi em 2014, altura em que a selecção nacional de basquetebol se despediu dos angolanos, dias antes da disputa do Campeonato do Mundo, em Espanha.Aquando da disputa do torneio Pré-Olímpico de Andebol; prova que apurou o representante africano aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, sempre se pensou que o comité organizador o tivesse como preferência. Assim não aconteceu. O pavilhão da Cidadela foi o escolhido.

Uma situação confrangedora, quando o pavilhão do Kilamba possui melhores condições. Aliás, a chuva que caiu no dia da decisão fala por si. Foi tanta água que acabou por entrar pelo recinto o que obrigou a uma paragem de cerca de 36 minutos. Uma situação que no Kilamba não ocorreria. É, digamos assim, um monstro adormecido!

Policarpo da Rosa

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