Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinião

Gigantes do futebol em decadência

11 de Agosto, 2017
Entramos para a presente edição do campeonato nacional de futebol da primeira divisão com uma expectativa enorme de assistirmos a uma renhida disputa na linha de frente à despeito do número de equipas que, na grelha de partida, tomou o título como o principal objectivo, fizesse chuva, neve ou sol. E mais: qualquer uma destas equipas já vestiu, por uma ou mais vezes, a toca de campeão nacional.

Foi um engano redondo e rotundo. Fazendo agora uma avaliação, mesmo superficial, do curso da prova, chega-se à fácil conclusão de que tudo quanto foi dito por alguns intervenientes não passou de mero show off. Afinal mal vamos a meio do segundo turno já jogaram a toalha ao tapete. Ou seja, as hipóteses de discutirem o título já se afiguram remotas.

Falamos, particularmente, do Recreativo do Libolo e do Kabuscorp do Palanca, duas equipas que a determinada altura chegaram a deter o domínio competitivo, vulgarizando inclusive os tradicionais 1 de Agosto e Petro de Luanda. Pelos números classificativos, quer o representante do Cuanza Sul quer o representante do Palanca dificilmente chegam ao tão almejado título na presente temporada.

Na verdade, nota-se um certo desânimo da parte destas equipas, vai-se lá saber por que razão. Quanto ao Libolo, diz-se à boca pequena que a anunciada saída do seu presidente, por incompatibilidade com o cargo que desde Março último assume no Comité Executivo da CAF, foi como que um violento golpe nas hostes do clube, que com a sua versatilidade gestora deu alma nos últimos anos.

Talvez, Rui Campos devia ter protelado mais um pouco este anúncio. Fazendo-o, quiçá, no final da época. É certo que a sucessão de dirigentes nos clubes é algo sempre previsto é incontornável, não devendo ser motivo bastante para influenciar negativamente o desempenho competitivo. Mas também temos de convir que o Libolo é um clube particular, que funciona como empresa. Logo, é legítimo que a saída do patrão abale a massa trabalhadora.

Pelos vistos, na presente época pouco ou nada se espera do Recreativo do Libolo. No Girabola as coisas estão pretas. Talvez venha apostar na Taça de Angola para a salvação. Para tanto, haverá necessidade de se fazer um bom trabalho de natureza psicológica junto da equipa. Pois, vai sentir falta do seu presidente, porque gestores com carisma de Rui Campos escasseiam no nosso desporto.

Ainda assim, entendo que a reacção devia ser diferente. Ao invés do desânimo a equipa devia se esmerar em busca das suas metas, para uma despedida especial do seu dirigente, que, como disse reiteradas vezes, estará sempre disponível a colaborar, no que for preciso, com o clube. Se calhar, até não haja motivo para tanto alarido, porque ele será uma espécie de quem \" sai, mas fica.\"

Quanto ao Kabuscorp, este pode estar apenas a ser vítima dos primeiros sinais da crise financeira. Comenta-se que a pipa de dinheiro movimentada antes pelo seu patrão reduziu consideravelmente. Não se sabe ao certo se cortaram-lhe a linha de crédito. Mas houve, ao menos, algum abrandamento nos gastos. Kangamba já não celebra contratos chorudos. Acabou-se a banda com Rivaldos e Trezores...

Chegado aqui, e longe daquilo que se previa à partida, fica claro que a refrega pelo título venha a resumir-se a duas equipas. Pois, se olharmos para a posição classificativa das outras, aqui podemos também já envolver Sagrada Esperança e Interclube, percebe-se que as probabilidades destas inverter o quadro são cada vez escassas, ainda que no futebol tudo seja susceptível de acontecer, como soe dizer-se.

De resto, o 1º de Agosto, cujo objectivo primordial consiste na revalidação do ceptro, que conquistou na edição passada, depois de um jejum de dez épocas, e o Petro de Luanda, que na mesma edição acreditou até à derradeira jornada, dificilmente vão facilitar. Está, pois, anunciado que a luta até ao desfecho da prova, há-de ser a dois.

Dizem os entendidos na matéria que as constantes paragens do torneio também não estão a ser benéficas para algumas equipas. Muitas vezes, estas acabam por quebrar o ritmo competitivo, face às sistemáticas interrupções. É certo, que ainda nenhuma veio a público justificar os seus revezes com este factor. Mas é consabido que este quadro, traz mais prejuízos, em lugar de benefícios.

Por aí, talvez tenha razão o 1º de Agosto, em ter se decido a jogar, independentemente das unidades que tenha na Selecção Nacional.
É uma forma de evitar que a equipa quebre o ritmo, apesar de ter também o lado negativo, como é por exemplo, o facto dos concorrentes, que optaram pela paragem, terem de realizar os jogos com cálculos já feitos.
MATIAS ADRIANO

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