Jornal dos Desportos

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Opinio

Girabola, a alegria do povo

03 de Março, 2018
O Girabola, alegria do povo, tem tido na sua evolução mil motivos para conjecturas e inúmeras cogitações que provocam já algumas interrogações, precipitações e até expectativas positivas e também negativas.
Que o arranque tem sido fulgurante isso é a mais crua verdade. Que também tem sido fértil em alguns casos, de discordâncias e frenesins, isto também é inquestionável. Mas, o que prende o adepto comum é sem dúvidas a competitividade que já evidencia e com os seus integrantes a procurarem posicionamentos confortáveis para fazer a melhor gestão no restante de prova que todavia falta disputar.
A entrada para a quarta jornada, a principal prova do futebol nacional ja tem 39 golos apontados, numa media de 13 golos por jornada, o que parece ser razoável para uma prova em que o défice tem sido precisamente este. A escassez de golos. À esses números, juntam-se igualmente os três golos marcados pelo Petro de Luanda na partida de antecipação referente à quarta jornada, em que derrotou o Bravos do Maquis em pleno Mundunduleno. Mas, há que se pensar que, se os avançados marcaram é porque as defesas permitiram, dai que este quesito acaba por ser muito relativo, em função da abordagem que circunstancialmente quisermos fazer.
Um aspecto importante e que, na sua maioria, as equipas esboçam grande apetência em puderem fazer já agora o seu \"pé de meia\" e desenharem à partida os seus nobres objectivos dando-lhes conteúdo e forma. Nisto destaca-se o Interclube que apressa-se na \"pull position\" querendo, a cada jornada aumentar a vantagem que tem sobre os restantes concorrentes. Na qualidade de potencial candidato ao título, a turma da polícia procura não deixar os seus créditos em mãos alheias e demonstra que terá se preparado o suficiente para aguentar a pedalada de uma prova onde a regularidade é lei. Ninguém se pode arrogar em dizer que \"o primeiro milho é sempre para os pardais\", desrespeitando a liderança da equipa de Paulo Torres. Estes lideram sim com mérito e competência reconhecida, pelo menos até agora, juntando-se-lhe o Petro de Luanda, em função da antecipação do jogo da quarta ronda da prova, tendo em conta a sua participação nas Afrotaças.
Naturalmente isso tem muito a ver com o facto de o 1* de Agosto não ter realizado igual número de jogos na prova, por razão do envolvimento nas competições africanas, onde tem objectivos supremos. Ainda assim, mesmo sem este adicional, se pode aferir competências ao Interclube que, no campo, tem demonstrado muita competitividade, com um plantel equilibrado e cheio de fulgor o que oferece garantias largas aos seus sócios e aficionados para uma época que se espera estafante e fastidiosa, em função da rapidez que se tem para o cumprimento do calendário com vista os acertos que se requerem.
O campeonato marcha a bom ritmo. Sabe-se que, no plano financeiro será muito dificil em função da crise que assola o País e nao só.
Outro aspecto que já marca a prova é sem dúvidas o facto de Francisco André \"Kito\", ter se demitido do comando técnico do primodivisionário Domant F. C. de Bula Atumba. Para lá da surpresa que isso causou aos amantes e aficionados do futebol, terá causado igualmente estranheza, principalmente pelo \"let motiv\" que esteve na base do \"divórcio prematuro\". O casamento do atleta Cabibi e alguma exigência a mistura em fazê-lo evoluir depois da noite de núpcias, terá sido a gota que transbordou o copo. Domingos António, o presidente da agremiação já veio à terreiro dar a sua versão dos factos mas, destapou nas entrelinhas alguma intenção de pura interferência no trabalho de Kito. Este, por seu turno até agora preferiu o silêncio, deixando claro, no entanto, que a sua demissão foi em razão da alegada exigência do presidente em querer, a todo custo que Cabibi jogasse, mesmo tendo casado na véspera, com noite de núpcias a mistura e ainda na graça da \"lua-de-mel\". Mais ainda, pareceu claramente que o presidente terá colocado Kito \"entre a espada e a parede\", pelo facto de a equipa ter empatado a zero, diante do Progresso do Sambizanga, quando sustentou que \"ele fez muita falta\", por isso, para Domingos António, Cabibi devia mesmo jogar (...)
Bom, verdade seja dita, a direcção do Domant fica mal na fotografia porque, se recuarmos a fita, o mesmo aconteceu em 2015, curiosamente em período idêntico, quando o técnico Paulo Saraiva bateu com a porta, alegando precisamente os mesmos motivos que Francisco Kito evoca. Interferência. Embora Kito não se tenha ainda pronunciado, está mais do que claro que terá tido razões fortes para abandonar \"o cavalo na travessia do rio\" numa altura em que, visivelmente vinha fazendo um trabalho razoável, próprio de inicio de época.
Voltando ao Girabola, a alegria do povo, vale dizer que muita água ainda vai escorrer por debaixo da ponte, no que a competitividade diz respeito. Na passada quarta-feira, o bicampeão estreou-se na prova com empate imposto pelo Progresso do Sambizanga que, com uma fornalha de jovens, transfiguraram-se abafando o gigante militar.
Neste andar, muitas emoções serão vividas e estas, devem ser acompanhadas por várias nuances, nomeadamente comportamento ordeiro do publico e aficionados, árbitros isentos de compromissos clubisticos, dispostos apenas e só a apitar, cumprindo as leis de jogo à risca e, sobretudo a observância do fair play.
Na jornada passada por exemplo, foi notório já trabalho negativo de um dos árbitros, principalmente no desafio entre CDH e Cuando Cubango F. C., da mesma forma que, Bianchi e Tramagal trocaram igualmente galhardetes, em função do jogo ferrenho entre Petro de Luanda e 1* de Maio de Benguela que resultou num rigoroso empate nulo, em pleno estádio 11 de Novembro.
Para a evolução da jornada quatro, esperam-se mais emoção, espectacularidade e competitividade para gáudio dos aficionados e amantes do desporto rei.
Coisas do futebol que tornam o nosso campeonato mais aceso e cada vez mais apetecível, transformando-o numa verdadeira festa sendo, para todos os efeitos, a Alegria do Povo.
MORAIS CANÃMUA

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