Jornal dos Desportos

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Opinio

Girabola e a crise financeira

30 de Janeiro, 2015
O facto da baixa do preço do barril de petróleo mexe com toda a estrutura da sociedade angolana. Não fosse assim deveriam ser encontradas outras piores razões para o mal que aflige neste momento a economia angolana.

Em tempo oportuno, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, por ocasião do fim de ano, anunciou que “o ano de 2015 será difícil no plano económico”. Sendo mais concreto, o titular do Poder Executivo advertiu que “algumas despesas públicas serão reduzidas”. A título exemplificativo citou os subsídios aos preços dos combustíveis, além de alguns projectos que serão adiados. Na sequência, José Eduardo dos Santos, frisou que que serão reforçados o controlo das despesas do Estado e a disciplina e parcimónia na gestão orçamental e financeira, para que se mantenha a estabilidade.

Posto isso, e na base de que a “mão milagrosa” do Estado está em grande parte do capital que circula no mundo desportivo angolano, o extracto citado do discurso do Presidente da República deve ser interpretado pelos agentes desportivos locais como instrumento de alerta para o que de menos bom pode ocorrer no Girabola que está prestes a começar.

Por realismo, o assunto em causa é mais sério do que se pode pensar, sendo que um primeiro exemplo é proveniente do Sporting de Cabinda que deu o primeiro grito de socorro, ameaçando desistir de uma prova que ainda não jogou e nem se quer começou.

Neste particular nada nos vale levantar suspeitas de existências de razões paralelas que fazem ecoar (prematuramente?) o “bramido” dos leões do norte que se vai mostrando useiro e vezeiro.

Bom seria que, para o bem do futebol nacional e quiçá da verdade desportiva, a situação não se agravasse no decorrer do Girabola.

Distante disso e sempre por perto da crise financeira que fará do ano de 2015 um ano difícil no plano económico, preocupa-me a atitude de determinados clubes que, no limiar da crise anunciada, optaram em dar-se ao luxo de realizar estágios de pré-época no exterior do País sabendo que os gastos não são de graça.

Quero com isso dizer que os gestores dos clubes deviam ser mais comedidos na análise da planificação e execução do dinheiro à eles disponibilizado.
De concreto, me atenho ao caso do ASA que, de um tempo a esta parte, vem de uma quase permanente lamúria em termos financeiros mas, sabe-se lá como, conseguiu rumar para o Brasil onde está a realizar um estágio pré-competitivo, não entrando nas contas o facto de ter contratado um técnico estrangeiro que em última instância resulta em mais gastos, atendendo a que os treinadores expatriados são mais bem remunerados em Angola.

O mesmo se pode dizer da contratação de jogadores de outras paragens cujos passes são, em muitos casos, mais elevados que a manutenção de dois a três jogadores das camadas juniores que podem ser catapultados, como medida de contenção e austeridade financeira.

Esta questão vem à tona por ser dos que considera o desporto como uma verdadeira indústria financeira que não pode sobreviver à margem dos ditames da economia de qualquer país com as características do nosso.

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