Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Girabola e Afrotaas centralizam atenes

09 de Fevereiro, 2017
As emoções do Girabola estão de regresso. Depois da abertura da nova temporada futebolística no sábado, com a disputa da Supertaça que foi vencida pelo 1º de Agosto, as atenções dos amantes do desporto rei centram-se, agora, na disputa da principal prova do calendário desportivo do país.

Sem querer tirar mérito aos campeonatos nacionais das mais distintas modalidades, reconheça-se que o Campeonato Nacional de Futebol tem uma estrutura organizativa, que supera os das demais modalidades. Abrange maior número de províncias, daí reconhecer-se que é a prova mais mediática, e mais nacional do nosso desporto.

Estamos a pouco mais de 24 horas, do pontapé de saída do Girabola/2017, que se espera cheio de desafios, em função da crise económica que se instalou a nível global e do qual Angola não é excepção.

Um aspecto a considerar, é o facto dos técnicos angolanos superar os estrangeiros. Em comparação à época transacta, houve um decréscimo acentuado na contratação de técnicos estrangeiros. Este ano, temos 11 técnicos nacionais contra cinco expatriados. Isto, não é senão, um dos efeitos da crise.

Ainda assim, eu acredito que o facto de existir uma crise económica no país, não impede que as equipas façam um Campeonato de nível técnico elevadíssimo. Tenho a certeza de que as principais equipas ficam mais fortes, e podemos ter muitas oportunidades para os mais jovens. A desistência do Benfica de Luanda é um caso isolado (Será mesmo?).

Uma questão, que considero pertinente, é a seguinte: a nova temporada está às portas, e muitos clubes movimentaram-se durante a pré-temporada, com planeamentos adequados. Tiveram em consideração os seus objectivos, traçaram as metas a atingir no final do ano. E, quanto aos atletas? O que uma nova época pode significar para eles?

Digo isto, porque muitos jogadores passam de um ano para o outro, sem dar muita importância ao que pretendem da sua temporada, ou seja, do novo ano que inicia amanhã, com a disputa do primeiro jogo da nova época futebolística. Quando pensamos na carreira desportiva, nós acabamos por perceber a importância de planeá-la de forma estratégica, compreendendo a importância que as escolhas tenham no nosso futuro profissional.

Com isso, podemos colaborar para um aumento de consciência, de que ou se escolhem os caminhos de vida, ou se deixa que a vida decida por si, e lhe ofereça resultados que nem sempre são os que cada um espera. A prática demonstra, que muitos jogadores do futebol e mesmo de outras modalidades, não pensam no seu futuro. Só no imediato. Conseguem contratos fabulosos, bons ordenados, depois acabam na miséria. Quantos exemplos existem por aí? Muitos.

Mas falando concretamente do aspecto competitivo do Girabola, acho que os principais candidatos ao título, são os mesmos da época passada. O 1º de Agosto vai procurar revalidar o título; o Petro de Luanda este ano vai tudo fazer para levar o troféu para casa, e o Recreativo do Libolo é o campeão destronado.

A este lote restrito, posso adicionar o Kabuscorp do Palanca e o Interclube, equipas que fazem parte do leque das que já inscreveram os nomes na galeria de campeões nacionais. As demais equipas, vão procurar melhorar as performances alcançadas na temporada passada.

Não há épocas iguais. Aliás, um bom exemplo vem da Inglaterra. Depois da época 2016 célebre, que ficou na história do clube e do campeonato em si, o Leicester é o campeão em título, está a atravessar uma crise de resultados, sem precedente. Está a poucos pontos da zona de descida.

Isto, para dizer que o 1º de Agosto depois de uma época em beleza, em que voltou a inscrever o nome na galeria dos campeões nacionais, não vai ter a vida facilitada. Se pretende revalidar o título, vai ter de confirmar o estatuto nas quatro linhas. Nem mesmo a conquista da Supertaça, no sábado, faz dele mais líder que os demais candidatos.

O 1º de Agosto vai folgar na abertura da prova, devido ao compromisso nas Afrotaças. A equipa rumou ontem, para Kampala, onde amanhã vai medir forças com o Kampala City, líder da Liga Ugandesa com 32 pontos, somados de 15 jogos, reflexo de dez vitórias, dois empates e três derrotas. Esta diferença competitiva pode ser fatal, para as ambições do conjunto do rio seco, que até aqui só realizou um jogo oficial. Contudo, isso não quer dizer, que o desafio com o Kampala City possa ser encarado de forma leviana.

Afinal, o 1º de Agosto tem a honra a defender, por isso, tem de fazer tudo para alcançar um resultado que permita encarar o jogo da segunda mão, com tranquilidade. Tem de sair dos primeiros 90 minutos do encontro, de consciência tranquila.Quem respira de alívio, com o regresso das emoções do futebol, são os seus adeptos, que semana a semana lotam os Estádios, no apoio às suas equipas.
Policarpo da Rosa

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