Jornal dos Desportos

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Opinio

Girabola regressa com manchas

24 de Novembro, 2018
Depois das curtas “férias”, ressurge o nosso Girabola no curso normal. Ressurge a competição no curso habitual, para continuar a inflamar paixões e arrastar multidões tal é a sua sina. O Girabola, na verdade volta aos campos, embora com manchas mas com seu futebol perfumado e revigorado com a vitória da selecção nacional, diante do Burkina Faso que reacende as esperanças de conquista de um lugar, na qualificação ao Campeonato Africano Das Nações (CAN) do próximo ano nos Camarões.
Regressa o Girabola e com ele, para além das makas que já começaram a surgir, volta a satisfação e alegria que fazem vibrar os prosélitos e também os fanáticos que até partem o rádio quando a sua equipa perde.
A felicidade que nos invade de termos de regresso o nosso Girabola, depois de curta paragem, não deve, nem pode ser ofuscada com casos que tendem já a manchar o bom curso da competição que este ano, como todos sabemos, disputa-se sob a sigla “Girabola 2018/2019” por ser no final de um e no decurso de outro ano. E, também, convenhamos, de forma atípica, dado o “speed” com que se cumpre o calendário.
Tudo isso, na busca do equilíbrio e, em função das exigências da Confederação Africana de Futebol (CAF) que, duma maneira geral, quer uniformizar a calendarização dos campeonatos domésticos no nosso continente e colocá-los na mesma programação que as competições da UEFA, por exemplo. Sendo assim, temos que lembrar que para além de tudo, este Girabola teve o seu início com problemas mil para algumas equipas que se viram confrontadas com novos paradigmas e, nesta esteira experimentam todavia dificuldades de variada índole, se tivermos em conta que, muitos dos intervenientes têm casos pendentes na secretaria da Federação Angolana de Futebol (FAF) que, em sede de bom censo, ousou conceder moratórias mais ou menos aceitáveis. Os agentes devem honrar os compromissos e pagar “kilápis”.
Mas ainda assim, já há casos na forja que podem fazer transbordar situações com danos incalculáveis para o futebol nacional e sua vigência. O facto das questões relacionadas com os pagamentos, ou não, do ex-futebolísta do Petro de Luanda, Avelino Lopes, por parte da direcção dos petrolíferos, é pano ainda para muita manga, se tivermos em conta que, num comunicado oficial publicado há dias, a FAF, órgão reitor do desporto-rei no país, concede ao clube do eixo viário 60 dias para resolver, pagando, atenção, pagando (repito), o que deve ao referido atleta, sob risco até de ser desqualificado da prova.
Por outro lado, há a situação gerada pela não realização, pela segunda vez, após marcação prévia, do jogo entre Santa Rita de Cássia, do Uíge e Recreativo da Caála, do Huambo. Uma situação pouco compreensível que começa, à partida, a manchar o bom curso da prova que pretendemos célere e com respigos claros e abundantes de verdade desportiva. Infelizmente, a “guerra de palavras” já começou e todos parecem ralhar e, obviamente, ninguém aparece com razão.
Caberá, naturalmente a FAF vir à terreiro esclarecer o diferendo e dar, por conseguinte o veredito final. Amiúde se escutam declarações um pouco musculadas, com acusações e contra-acusações à mistura que, como sabemos, em nada abona o curso normal e evolutivo que pretendemos do nosso futebol.
Nesta senda, tal como fizemos já referência está igualmente o “caso Avelino Lopes” cuja novela parece não ter um fim próximo. De um lado, o Petro defende-se dizendo que não deve nada ao atleta, por outro os advogados do mesmo e a FAF insistem em persuadir o clube petrolífero a ressarcir a dívida, sob risco de colocar a sua continuidade na competição. Nisso, o clube do Catetão já “ameaçou” inclusive recorrer à instância superior (FIFA), na perspectiva de defender o seu emblema indo buscar o juízo final da entidade reitora do futebol mundial.
Na minha perspectiva, têm sido muitos os “queixumes” que Angola apresenta à FIFA. É só lembrarmos das questões que envolveram o futebolista brasileiro Rivaldo ao Kabuscorp do Palanca; as situações entre o clube palanquino e o TP Mazembe, por força da contracção de Tresor Mputu Mabi, enfim, as recentes situações que envolveram o 1º de Agosto e o árbitro Jenny Shikazwe em face da péssima arbitragem deste, efectuada no desafio referente às meias-finais da Liga dos Campeões Africanos diante do Esperance de Túnis, em que o clube militar foi deliberadamente roubado, enfim, um sem número de casos que fazem aparecer Angola nos principais dossiers da FIFA por razões más e pouco abonatórias.
Acho que, devemos envidar esforços ingentes, prementes e urgentes para ultrapassarmos todos esses imbróglios e trazer o futebol à um campo com paz e saúde.
Assim, o nosso Girabola terá mais sabor, inflamará mais paixões e arrastará mais multidão aos campos. Tenho dito!
Morais Canãmua


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