Jornal dos Desportos

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Opinio

Girabola Zap 2017 face s exigncias do contexto

10 de Janeiro, 2017
Com a abertura da época marcada para o próximo dia 4 de Fevereiro, com a disputa da Super Taça que opõe o 1º de Agosto ao Recreativo do Libolo, respectivamente, vencedoras do Girabola ZAP e Taça de Angola, os clubes afinam as “locomotivas” para carrilarem rumo às conquistas programadas para o ano futebolístico de 2017.

Como se alude num dos muitos provérbios da oralidade portuguesa, “cada um cose-se com as linhas que tem”, estamos a ser agraciados com diferentes formas das agremiações que se prepararam para a época que se avizinha, aliás, seria impossível, por razões óbvias, todas as equipas caminharem na mesma direcção e para o mesmo destino.

Contudo, a cidade de Benguela, capital da província com o mesmo nome, ganha por esta altura o estatuto de destino comum, de pelo menos sete equipas, seis são de Luanda e uma proveniente do Moxico, por sinal a única representante das terras do leste, na maior competição do futebol doméstico.

As razões são por demais conhecidas, e estão indexadas à conjuntura que se vive no País, isso no capítulo económico e financeiro, mormente a falta de divisas para suportar despesas no estrangeiro, conforme a moda que fez morada entre nós, durante largos anos.

Não dando ponto nem nó com as linhas com as quais se cose, o Recreativo do Libolo fez diferente e rumou para as terras de Camões, para a partir de lá preparar o ataque à Super Taça, e de certo, também partir para o resgate do título “caçumbulado” pelo Clube Central das Forças Armadas Angolanas.

Independentemente do local do globo em que estejam a preparar a época futebolística 2017, os aficionados esperam que os jogadores regressem potenciados para defender com conquistas, as cores e emblemas dos clubes que vão representar na segunda edição do Girabola ZAP, que auguramos tenha melhor qualidade em relação à época anterior, em todos os sentidos.

Aliás, pensamos ser este o espírito de todos, pois só assim se entende as saídas e entradas de treinadores e jogadores, um movimento tão elevado do ponto de vista quantitativo e de que não temos memória igual registo, nos últimos três anos de disputa do Girabola. À guisa de exemplo, o Interclube mandou embora qualquer coisa como 13 e contratou 12 jogadores, ou seja, um movimento de 25 jogadores, o que consideramos ser uma reestruturação profunda, segundo o Presidente de Direcção teve anuência do treinador que por conseguinte também é nova aquisição, tal como o seu adjunto, que do aeroporto aportou no Rocha Pinto.

Respeitamos a planificação da equipa do Ministério do Interior, da mesma forma que respeitamos os registos históricos que apontam como serem poucos os exemplos de sucesso para os clubes que optaram por processo massivo de dispensas e contratações, num só ano, e conseguiram erguer o troféu.

Por via disto, somos impelidos sei lá por que força, a dar livre curso ao cepticismo que nos acossa em relação ao discurso vitorioso do homem forte da equipa azul e branca da capital do país, apresentada como candidata ao título da edição do Girabola, que pela segunda vez vai ser disputada com a chancela da ZAP.

Num outro ângulo da questão, registamos a velha mania do afastamento de treinadores que lograram colocar as equipas na primeira divisão, com todo o sacrifício consentido, e na hora de saborear o prazer à “mesa com os grandes”, são meramente sacrificados por razões muitas vezes pouco convincentes, e sobre isso, os exemplos super abundam.

Finalmente, uma referência ao fim da carreira de Chara, cuja longevidade e fidelidade ao serviço do Clube da estrada de Catete merecia melhor tratamento, salvo, claro está, o que internamente esteja a ser preparado para a alegria do ex- capitão, nesta altura sempre difícil para qualquer profissional de futebol.
Carlos Calongo

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