Jornal dos Desportos

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Opinio

Girabola Zap 2018 est porta

20 de Janeiro, 2018
O Girabola Zap 2018 está prestes a iniciar. Pouco tempo nos separa do arranque da competição interna de futebol do nosso país, que tem igualmente o pendor de arrastar multidões e inflamar paixões. No essencial, as equipas esmeram-se nas respectivas preparações, cada uma a próprio jeito, no sentido de alcance os seus objectivos, de acordo com a contextualização da crise que nos assola e nos consome.
Facto é, pelos vistos neste ano, que algumas coisas devem ser diferentes. Diferentes, pela abordagem que cada fizer, da realidade objectiva. Diferente em termos profundos do que é a concepção dos novos paradigmas que surgem com o evoluir do tempo. Diferente na gestão da competição, quer em termos regulamentares como da gama de assuntos que visam melhorar a competição interna e do futebol nacional em geral.
Todavia, o que se nota diferente há já três ou quatro anos, é o facto das nossas equipas, principalmente as potenciais candidatas ao título escolherem o litoral para estagiar, o litoral centro -sul do País por manifesta falta de recursos financeiros que hoje por hoje escasseiam em grande escala. O turismo interno ganha forma. A hotelaria factura, enfim, os pressupostos ganham formas e feitios capazes de provocarem a revitalização e dinamização do sector. As potenciais candidatas ao título preferiram, mais uma vez, a cidade das acácias rubras para a preparação dos seus plantéis. O1º de Agosto, Petro de Luanda, Sagrada Esperança, Kabuscorp do Palanca, Interclube, para além do próprio 1º de Maio, equipa local, estão em Benguela à procura da forma desportiva e sobretudo aquilatar os pressupostos técnico-tácticos para uma época descansada, no que se refere aos objectivos preconizados.
Como Benguela localiza-se geograficamente no litoral, melhor era rumarem mais para o interior onde prevalece a altitude. Lubango ou Huambo eram as opções para oxigenar ainda mais os seus atletas. Infelizmente, as duas cidades com altitudes recomendáveis não têm neste momento campos de jogos para suportarem a avalanche de equipas, de uma sentada. Ainda assim, louva-se o facto de privilegiarem o estágio dentro das nossas fronteiras. Cá, têm oportunidades para realizarem jogos entre si, em busca do chamado ritmo competitivo.
Para a competição que se avizinha, quer o campeão em título como os demais potenciais concorrentes ao ceptro, acabam por ficar na \"pole position\". Todos estão em igualdade de circunstâncias para nesta época tentarem conquistar o campeonato, que auguramos mais competitivo que o transacto. A julgar pela crise que consome o sistema social, tudo fica ameaçado. A compra de atletas que são os principais activos dos clubes, a aquisição de outros, a manutenção de níveis recomendáveis que podem oscilar em função das oscilações que se prevêem no mercado, podem provocar inclusive desistências a meio.
As equipas medianas, como o Clube Desportivo da Huíla, Progresso do Sambizanga, Recreativo da Caála, Interclube e 1º de Maio de Benguela estão com imensas dificudades. Os seus orçamentos para aguentar a temporada ultrapassam os números reais do que são as suas possibilidades. Ainda assim, já assumiram honrar o compromisso de disputar o campeonato. Aliás, só o facto de há dias, a direcção do Ministério da Juventude e Desportos ter a brilhante iniciativa de reunir-se com os intervenientes do Girabola, significou um ganho substancial e uma atitude louvável que provocou autêntica lufada de ar fresquinho nas hostes dos mesmos, que aproveitaram a ocasião para apresentarem os queixumes e em alguns casos \"chorarem nos ombros da ministra\" à procura dos apoios necessários para a manutenção ficar intacta, sem constrangimentos, do nosso campeonato nacional de futebol da primeira divisão.
Mau grado os apoios, em nosso entender, são mal encaminhados. Se o Estado através de instituições públicas apoia clubes como Petro de Luanda (Sonangol), 1º de Agosto (FAA), Interclube (Polícia Nacional), Sagrada Esperança (Endiama), Académica do Lobito e Sporting de Cabinda (empresas petrolíferas -Sonangol), de entre outras, é líquido e compreensível que outras formações recebam igualmente uma quota da sua fatia, da mão do Estado. Ou seja, se há para uns, deve haver para todos, sob risco de vermos equipas como Domant, Recreativo do Libolo, JGM, Recreativo da Caála, Kuando Kubango F. C. e outras, desistirem a meio da caminhada por manifesta falta de arcaboiço financeiro que aguente a dureza da prova.
Neste contexto, é míster admitir que podemos estar perante um imbróglio nesta época futebolística que se avizinha. Pelo cenário, logo se vê que os candidatos ao título são os com mais poderio financeiro, e os candidatos à descida são igualmente os mesmos de sempre, ou seja, os que de menos posses. Os clubes, Domant F. C., Sporting de Cabinda e Kuando Kubango F.C., têm um desafio ingente, urgente e premente para esgrimirem argumentos e fazerem o contrário de uma teoria que quase se tornou \"lei\": descerem os que acabam de subir. Na época passada, JGM contrariou esta teoria.
No topo está definida a luta renhida entre o 1º de Agosto, campeão em título e que tudo vai fazer para conservar, mesmo sem contar com algumas das suas unidades em pelo menos 6 a 8 jogos, devido à suspensão imposta pela FAF por se \"furtarem\" (?) do CHAN, o Petro de Luanda, Kabuscorp do Palanca, Sagrada Esperança da Lunda-Norte e também o Interclube. Esses, apostam no título e esmeram-se nesse sentido.
O adepto comum só quer ver bom futebol e augura que cada um dos plantéis velem, pela saúde dos seus atletas, para que não tenhamos infortúnios como o de Ntako Zibakaka, jovem atleta do Sagrada Esperança . Que venha o Girabola Zap 2018 com as nuances comparativas de rentabilidade, porque na verdade este produto é vendável, é já uma grande marca em Angola ...e não só...
MORAIS CANÃMUA

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