Jornal dos Desportos

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Opinio

Girabola Zap a ritmo brando

31 de Março, 2018
Sem entrar, ainda, no seu ritmo intenso, a edição do Girabola Zap de 2018 faz disputar hoje e amanhã os restantes sete jogos da 8ª jornada, aberta ontem no Estádio dos Kuricutelas, no Huambo, com a vitória de 1-0 do Petro de Luanda sobre o JGM local.
De facto e como disse o meu \"camarada\" Betumeleano Ferrão, na antecâmara da ronda, de momento a estatística de jogos prova que os \"grandes\" ainda não aqueceram o suficiente para ir ao encontro dos objectivos traçados para a temporada.
É ponto assente que o 1º de Agosto, nas vestes de campeão, e o Petro nas de \"vice\", são, assumidamente, os dois mais sérios candidatos para a conquista do troféu.
Aliás, outra coisa não se podia esperar se se tiver em conta o facto de que quer a formação do \"rio seco\", quer a do \"eixo-viário\", coleccionam, em conjunto, vinte e seis troféus dos trinta e nove inscritos no historial desta maior montra do futebol nacional.
O bi-campeão d\'Agosto soma nesse momento onze títulos, contra quinze do arqui-rival Petro de Luanda. Na restrita lista de campeões nacionais entram, ainda, o Recreativo do Libolo do Cuanza-Sul, com quatro galardões; Atlético Sport Aviação (ASA), com três; 1º de Maio de Benguela e Interclube, com dois cada.
Sagrada Esperança e Kabuscorp do Palanca, com um título, são as outras agremiações que fazem parte do carrossel das oito agremiações do nosso Girabola Zap que já se sagraram campeãs nacionais.
Contas dos campeões à parte, impõe-se fazer alusão sobre aquilo que é o cenário do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão. É verdade que a competição ainda não ganhou o verdadeiro embalo, mas também não é menos importante descrever que nesta fase as equipas aproveitam a amealhar o maior número de pontos possíveis.
Quando falo de equipas refiro-me, sobretudo, as com ambições mais modestas e que fazem \"tudo por tudo\" para depois não serem acossadas pelo espectro da despromoção.
Por isso concordo com o meu companheiro desta coluna, o Morais Canâmua, quando afirma que o primeiro milho é os para os “pardais”. Portanto, é no aproveitar que está o ganho e daí quem fazer um bom arranque de campeonato pode ver, no final, os seus esforços, de algum modo, coroados com êxito.
Neste momento, Interclube, Kabuscorp do Palanca e Académica do Lobito estão no pelotão da frente, assumindo pela mesma ordem o primeiro, segundo e terceiro lugares da tabela de classificação geral da prova. Os polícias, que vêm de uma derrota caseira diante do FC Bravos do Maquis, têm uma espinhosa missão hoje. Deslocam-se à Benguela, onde medem forças no Buraco com a aguerrida turma dos \"academistas\" locais.
Por um lado, os comandados do português Paulo Torres vão procurar impor a sua autoridade, mesmo actuando na condição de forasteiros, para cimentar, assim, a liderança da prova, onde já amealharam 16 pontos.
Noutro ângulo, a Académica do Lobito soma onze pontos no terceiro posto, “ex-aquo” com Petro, na quarta, e que vai procurar conservar o estatuto de \"tomba-gigante\" neste início de campeonato. Estorvar os intentos do adversário deve ser a meta traçada pelos lobitangas. Por isso, é um jogo de prognóstico difícil e se torna mais prudente optar pela tripla. Ou seja, podem ocorrer os três resultados possíveis: empate, derrota ou vitória para um dos contendores.
Os jogos que vão opor o campeão nacional ao Recreativo do Libolo, no Estádio de Calulo, no Cuanza-Sul, e o Kabuscorp ao Clube Desportivo da Huíla (CDH), nos Coqueiros, também vão estar no centro das atenções nesta ronda.
O d\'Agosto fez história recentemente ao qualificar-se para fase de grupos da 22ª edição da Liga dos Clubes Campeões Africanos e pode, a partir de hoje, começar encetar a luta para os lugares do topo. Neste momento na 15ª e penúltima posição com quatro pontos, a equipa militar enfrenta o moralizado Libolo, que soma 10 na sétima. A equipa de Calulo vai tentar tirar proveito da condição de anfitriã para levar a água a seu moinho.
Já a turma do Palanca vai tentar também aproveitar a condição de jogar em casa para ultrapassar os militares das frente-sul. Os palanquinos somam doze pontos no segundo posto, mais um que o seu oponente que ocupa o oitavo.
Apesar de neste fim-de-semana serem disputados outros jogos que se anteveem renhidos, como os que opõem o FC Bravos do Maquis ao Sagrada Esperança, no Estádio Mundunduleno, no Luena, e o Sporting de Cabinda ao Domant, no Mbuco-Mbabele, no Bengo, ainda assim, não haverão alterações significativas na tabela classificativa.
Algumas equipas vão aproveitando este ritmo brando para ir reforçando os objectivos traçados. Aliás, é fazendo fé no velho aforismo de que \"bago-a-bago a galinha enche o papo\" que muitas destas vão encetando já nesta fase o seu destino.
É, enfim, uma corrida em que todas equipas vão procurar cortar a meta da melhor forma possível. É óbvio que umas, à partida, correm com grandes ambições, outras com objectivos mais modestos e pelo meio surgem ainda aquelas equipas que procuraram fazer aquilo que as demais concorrentes permitirem.
No meio disso, quem mais o fizer por merecer acaba sempre por ver o seu esforço compensado com a conquista do título, de lugares que dão acesso às competições africanas de clube e até a permanência, que premeia as equipas mais modestas.
Não é em vão que Campeonato da I Divisão que ganhou nos últimos anos o cognome de Girabola Zap tem o estatuto de prova das multidões. Nesse carrossel quem faz da excelência uma divisa sai a vencer. Assim é o Girabola Zap, a alegria do povo!!!...
SÉRGIO V.DIAS

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