Jornal dos Desportos

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Opinio

Girabola Zap est empolgado

09 de Fevereiro, 2019
A grata surpresa que o Clube Desportivo da Huíla (CDH) pregou aos adeptos e aficionados do futebol, em liderar durante jornadas a fio a classificação do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, vulgo Girabola Zap 2018/2019, constitui, sem margem para dúvidas a principal relevância e destaque desta primeira volta onde, os chamados grandes, com imensos altos e baixos, submeteram-se, em largos períodos, “às ordens” dos militares da Região Sul que comandaram a prova com bastante mérito.
Longe de soluçar, como acontecera em épocas anteriores onde, então dirigidos por Ivo Traça, tiveram igualmente a “ousadia” e “atrevimento” de comandar, com o técnico a advogar que guardavam lugar de “alguém”. Neste ano, nada disso ocorreu. Sob a batuta de Mário Soares, a equipa assumiu o desafio e, com alguma ginga à mistura, liderou a prova, justificando no terreno de jogo a sua supremacia perante os adversários que encontravam pela frente, jornada após jornadas.
Na verdade, o campeonato é feito de regularidade nos resultados e sustentabilidade de uma logística capaz de suportar todas as incumbências de uma prova desgastante e sem quaisquer retornos, como é o Girabola. O Clube Desportivo da Huíla, uma formação provinciana sem muitos recursos, em termos orçamentais, vem experimentando ousadamente pontificar, assumindo mesmo o lugar de topo sem se inibir.
Aliás, assim só aconteceu porque os seus adversários directos, digamos, “o deixaram”. Mas, vendo bem, o segredo esteve, principalmente as vitórias que conseguiu fora do seu reduto, nomeadamente diante de adversários, primeiro os do “seu campeonato” e, depois, os chamados fortes concorrentes. Tudo isso, complementado com as vitórias caseiras conseguidas. A equipa militar da Região Sul acabou fazendo o seu pecúlio que, no fundo constituiu um autêntico “crédito” para a sustentabilidade que precisa para a “dura” segunda volta da prova.
Ou seja, sendo o seu objectivo mor, a permanência entre os grandes do futebol nacional, com 27 pontos ao cabo da primeira volta, o CDH tem já meio caminho andado para cimentar a sua posição no lote de equipas com este privilégio.
Em relação aos outros que se afiguram grandes, a campanha tem sido difícil. O 1º de Agosto, por exemplo que teve igualmente imensos altos e baixos, apesar de neste momento liderar, pode perder a cadeira de líder caso o Petro de Luanda vença pelo menos dois dos três jogos em atraso, um dos quais é o clássico desta tarde, diante do seu arqui-rival. Os outros dois confrontos serão, curiosamente diante do Clube Desportivo da Huíla e Sagrada Esperança da Lunda-Norte.
Independentemente de estar agora igualmente numa outra frente, as Afrotaças, os petrolíferos de Beto Bianchi terão apreendido bastante com a experiência do 1º de Agosto que no ano passado esteve envolvido nas duas frentes, principalmente na gestão do esforço dos jogadores e por conseguinte, na gestão do plantel. O esforço que fazem nas viagens de “saltos de camelo” pela África adentro, pode ser um empecilho de monta quando são chamado a acudir as encomendas da competição doméstica.
Porém, para o campeonato, interessa ao Petro de Luanda, para todos os efeitos, vencer hoje o seu arqui-rival e fazer contas depois de terminar a primeira volta na liderança da prova. Quanto às Afrotaças e o próximo desafio diante do Gor-Mahia, de certeza são contas para outro rosário.
Do lado dos palanquinos, outro assumido candidato ao título, as coisas parece não estarem a correr de feição. O desaire do último domingo diante de um dos adversários directos, o 1º de Agosto, terá beliscado ainda mais as suas ambições para chegar ao título na presente temporada. Mas, ainda assim, o Kabuscorp acabou fazendo um primeira volta mais positiva do que negativa, atendendo o seu posicionamento actual e o que tem produzido competitivamente, embora com alguma irregularidade.
O Sagrada Esperança da Lunda-Norte, o Interclube e, por via directa o Recreativo do Libolo do Cuanza Sul, outros, por via de regra, candidatos ao ceptro, estiveram muito abaixo daquilo que deles se esperava. Claudicaram em demasia, não conseguindo traduzir em campo as suas apetências.
Na chamada “cauda”, estão os que quase sempre animam a prova mas, lutam pela permanência. Académica do Lobito, Atlético Sport Aviação (ASA), Santa Rita de Cássia do Uíge, Cuando Cubango FC Saurimo, FC Recreativo da Caála, desenvolvem uma luta titânica para, a cada jornada, fugirem da zona do alçapão e se situarem, pelo menos, acima da linha d’água. O risco é descerem de divisão.
Porém, a abismal diferença de orçamento e de condições logística em relação aos “papões” lhe coloca numa posição periclitante e até de pedintes, com ameaças de desistências e faltas de comparências pelo meio.
Assim vai, competitivamente, o nosso Girabola que soma e segue com imensas surpresas a mistura. Auguramos que a segunda volta seja melhor com emoção e espectacularidade, e com uma arbitragem isenta e dinâmica, para bem dos aficionados e adeptos e para bem da verdade desportiva e do nosso próprio futebol. Bem-Haja!
Morais Canâmua

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