Jornal dos Desportos

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Opinio

Girabola Zap j no arrasta multides

21 de Dezembro, 2019
O nosso campeonato nacional de futebol da primeira divisão, vulgo Girabola Zap 2019/2020, está ao rubro ou seja continua a concentrar alegrias e a inflamar paixões. Infelizmente e por incrível que pareça, já não arrasta multidões.Este aspecto, em minha opinião, merece uma abordagem profunda. Diria mesmo, merece um estudo aturado e minucioso, para se encontrarem as causas que fazem com que o público aficionado da bola “fuja” dos estádios como “diabo da cruz”, não correspondendo às expectativas que, por vezes, se criam a volta de um ou outro jogo de cariz competitivo relevante e não só. Na edição de hoje, como o tema cinge-se na avaliação do Girabola ao longo das jornadas disputadas, mas eu prefiro abordar este aspecto que, duma ou de outra forma, está ligado igualmente ao campeonato.
Salvo outras comparações, pelo menos aqui em Luanda, a única vez que o estádio 11 de Novembro registou enchente para um jogo do Girabola foi, sem dúvidas, no desafio referente a jornada 11 entre o 1º de Agosto e Petro de Luanda. Aí sim, o público amante do futebol correspondeu em pleno ao chamamento, talvez porque sabia que estariam em campo as duas melhores equipas do país, que se compõem com uma nata de jogadores com qualidade acima da média. Esta foi a excepção que a regra prevê, já que noutros desafios, quer sejam de cartaz ou não a média de espectadores nas bancadas é muito baixa. Baixíssima até. Já houve jogos, aqui em Luanda, que se contavam-se aos dedos.
Não é muito difícil saber-se os porquês e logo se dá conta que a qualidade de futebol praticada, quer individual como competitiva, não atrai. Não motiva. Não serve de chamariz ao ponto de igualar os anos 80 onde, em qualquer altura, a qualquer hora, os estádios dos Coqueiros, da Cidadela e outros pelo País adentro “gemiam” e rebentavam pelas costuras pela amálgamas de gente que eram “obrigados” a suportar. Mas, convenhamos, este “fenómeno” assiste-se mais aqui em Luanda, porque no interior do País, o futebol continua a ser “o ópio do povo”, arrastando muita gente para os estádios.
Outro fenómeno “culpado” pela “pobreza franciscana” nos estádios, julgo ser a televisão. A evolução tecnológica, faz muitas vezes com que muitos os aficionados prefiram ver o jogo na “telinha” ao ter que ir ao estádio sem se sentir seguro, protegido e confortável. Ou ainda, sem terem que ir ver uma referência notável que os faz deleitar, como acontecia no outro tempo, onde Ndunguidi, Jesus, Carlos Alves, Vicy, Napoleão Brandão e tantos outros, eram “causadores” de enchentes, porque eram verdadeiros craques. Referências obrigatórias.
Hoje preferi começar por estes aspectos e, só depois falar da competição em si.
Em meu entender, o Petro de Luanda lidera a prova com devido mérito. Lutou bastante para consegui-lo. Aliás, tem feito bem o seu trabalho de casa, daí colher os frutos necessário para assegurar pontificar na liderança, aproveitando bem escorregadela do seu arqui-rival, em Cabinda, diante do Sporting local e, obviamente, valendo-se do seu triunfo, por margem mínima, frente à Académica do Lobito. Os aficionados da bola já sabiam que os jogos em atraso que as duas equipas têm estado a fazer, por força da participação de ambas na fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos, trariam novidades. Como se pode ver, na semana passada, tudo ficou como estava, porque as duas venceram os seus opositores em Luanda.
Os “estudantes” da cidade portuária acumularam dois desaires nos últimos confrontos com os dois grandes do futebol nacional, mas mesmo assim não mancha o seu sensacionalismo e desempenho na prova.
A grande decepção, sem margem para dúvida, pelo menos até agora, tem sido a fraca capacidade de resposta de equipas como o Interclube e o Sagrada Esperança da Lunda-Norte, duas formações com quilate suficiente, para estarem na mó de cima e entrarem na disputa acesa do título, o que de resto não acontece.
Mas ainda assim, a prova está ao rubro com a luta renhida para os lugares no meio da tabela e pela fuga da linha d’agua. Infelizmente, a crise financeira que a maior parte dos clubes intervenientes vivem, empobrece ainda mais a competição. Contudo, temos fé, que o nosso Girabola venha a reconquistar o estatuto de arrastar, de facto, multidões…Morais Canãmua


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