Jornal dos Desportos

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Opinio

Girabola Zap periclitante

17 de Agosto, 2019
A festa do futebol está de regresso. Com o retorno do Campeonato Nacional da I Divisão, vulgo Girabola Zap 2019/2020, a alegria do povo volta à ribalta e com ela a euforia, a competitividade, o vibrar dos aficionados e a satisfação de termos, em todos os finais de semana, motivos de alegria, pois, tal como sabemos já, o futebol arrasta multidões e inflama paixões. É o regresso da maior festa do nosso desporto-rei.
Hoje, eu e o meu companheiro de página, Sérgio Vieira Dias, não poderíamos ficar indiferentes, perante o regresso da maior competição futebolística do País, para gáudio de todos que amamos o futebol. Se fosse apenas assim, seria muito bom.
Ou seja, melhor dizendo, se tudo dependesse apenas disso, do entusiasmo, da euforia e da apetência, tudo seria um mar-de-rosas, como soe dizer-se.
Infelizmente, não será apenas assim. A época futebolística nacional, particularmente o Girabola Zap e a Taça de Angola, serão disputadas, convenhamos, sob imenso risco. Sim risco! Risco de não terminar com a totalidade dos intervenientes, isto para o campeonato e, para a Taça, de muitos abdicarem de participar.
Tudo por causa das dificuldades financeiras, que corroem a maior parte dos clubes, que quase não têm fontes de rendimento. Vozes há que dizem, que há clubes a venderem fuba para subsistirem…
Nesta perspectiva, será muito difícil para a maior parte delas manterem regularidade nas viagens, nos pagamentos das despesas inerentes aos jogos, liquidação dos honorários dos jogadores, dos técnicos, sustentarem as questões de logística, enfim, sem já falar do material e equipamento desportivo, aluguer de campos, enfim...
Há, de facto, aqui um autêntico busílis, para alvitrar que o campeonato consiga ter a regularidade de que se espera.
Infelizmente, os pequenos não têm orçamentos iguais ao dos grandes. O que é verdade é que, os de milhões arrecadam sozinhos o que devia servir, para os que vivem de tostões. Até porque, a salvaguarda é apenas e só o futebol nacional.
Há que se admitir, que as principais equipas do nosso futebol, “comem” do Estado de forma directa, por via da petrolífera Sonangol; por via das Forças Armadas Angolanas (FAA); por via da diamantífera Endiama e da Polícia Nacional. E os outros?Os outros vivem e aguentam como podem. Que arranjem patrocínios ou \'sponsors\', para terem a possibilidade de equilibrar a balança, caso contrário serão sempre as mesmas a lutarem, para não descerem de divisão nem para desistirem.
Não foi em vão que o Benfica do Lubango desistiu logo à partida, mesmo antes da prova iniciar, por se sentir incapaz de enfrentar a prova, em face das despesas enormes que tinha que fazer, a julgar pela fraca capacidade financeira que possui, sem apoio de ninguém. Por outro lado, há aqui a lamentar a ausência de um dos clubes mais populares do nosso \'association\', o Kabuscorp do Palanca, de Bento Kangamba, que, por razões sobejamente conhecidas, foi punido com recaída ao escalão inferior, devido a situações que são do conhecimento geral. A sua massa associativa, emprestava verdadeiramente um outro calor e colorido à prova e, neste ano, não mais teremos isso.
As danças alegres, adeptos eufóricos e disciplinados, as batucadas e os sons de corneta nos campos, enfim, toda aquela alegria espontânea, que sabiam exibir e vibrar para puxar pelo seu clube de coração, o Kabuscorp.
Por esta razão, admito que o Girabola Zap deste ano será pobre, periclitante, mas paradoxalmente mais competitivo. Isso porque, as tais equipas de topo, que têm saúde financeira, procurarão assumir o seu papel e não deixar os seus créditos em mãos alheias. Uma outra razão, é que estando o 1º de Agosto e o Petro de Luanda a disputar as Afrotaças e mais as duas competições internas (Girabola Zap e Taça de Angola), terão na verdade maior desgaste dos seus respectivos planteis.
Nisso, quer o Interclube, quer o Sagrada Esperança da Lunda-Norte, que são os imediatos candidatos, podem aproveitar bem esse factor.
A competitividade virá ao de cima, porque acreditamos que os dois grandes “gurus” do nosso futebol, de certeza estão avisados sobre isto e terão plantel e doseamento de esforço, para aguentarem esta “maratona”. A ver vamos! Ainda assim, acho que teremos um campeonato periclitante. Tenho dito!
Morais Canâmua

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