Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Glria para os poucos clubes

22 de Abril, 2019
No futebol não existem milagres. É uma lição tão antiga, quanto a existência da própria modalidade. A qualificação dos Palanquinhas para o Mundial do Brasil, deve ser vista como consequência de um trabalho aturado e metódico de alguns poucos clubes.
Além desses clubes, que oferecem hoje condições à altura de outros países mais desenvolvidos, temos ainda a registar trabalho de uns tantos que proliferam nos musseques de Luanda. São pessoas que transpiram o futebol. Capazes de ultrapassar todas as dificuldades. Estes teimosos, são os que alimentam os grandes clubes. São como que dizer “olheiros”. É a todos estes, que deve ser dedicada a vitória dos Palanquinhas. Se este trabalho fosse realizado também por clubes como o Interclube, Kabuscorp do Palanca e o Libolo, o país teria hipóteses de registar estas vitórias com regularidade.

Infelizmente, estes clubes, o Interclube em particular, não é capaz de fazer um trabalho à dimensão do 1º de Agosto, da Associação de Futebol de Angola (AFA), da Escola Norberto de Castro e do Petro de Luanda. Não lhe falta condições para o fazer. Falta vontade da sua direcção, que nunca olhou o futebol de formação como deve ser. Já prometeu tudo e mais alguma coisa. Uma academia e outras infra-estruturas, para dar dignidade ao futebol. O certo é que ainda não se conhecem estas infra-estrutura, o que coloca o futuro do futebol nacional nas mãos desses poucos. É nesta altura de euforia, que importa ressaltar estes factos, para que ninguém esqueça a raiz desta vitória. Norberto de Castro, Carlos Hendrick, Tomas Faria e outros, merecem mais do que qualquer dirigente da Federação Angolana de Futebol.

Para a Federação Angolana de Futebol (FAF), trata-se apenas de uma externalidade, pois fez pouco para isso. Os obreiros são estes clubes, a equipa técnica e os jogadores. É para eles que devemos endereçar as glórias. Para Capita, Zito e todos os seus companheiros. Estes sim, merecem. É diferente do êxito conseguido pela selecção de sub-20, em 2001. Naquela altura, a FAF faz da formação uma prioridade, de tal sorte que havia contratado Veslim Vesco, treinador que organizou tudo, permitindo a Oliveira Gonçalves chegar ao título e ao Mundial da categoria.
Foi diferente do que faz está direcção de Artur Almeida e Silva. Só para confirmarmos o envolvimento dos clubes, temos o 1º de Agosto em particular. O treinador que orienta os Palanquinhas, é das escolas de formação do 1º de Agosto. Portanto, é uma Vitória dos Clubes mais do que de qualquer outra instituição. Teixeira Cândido


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