Jornal dos Desportos

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Opinio

Goleada do DAgosto ou praga de Cabinda?

18 de Abril, 2017
Quero mais uma vez lembrar que são históricos os jogos entre o 1º de Agosto e o Progresso do Sambizanga e até ainda me recordo que certa vez o então técnico da equipa militar, Djalma Cavalcanti, saiu fortemente escoltado do Estádio da Cidadela Desportiva no dia 11 de Agosto de 1993. E porquê?

Porque os próprios adeptos do 1º de Agosto queriam \"linchar\" o seu treinador só pelo facto da sua equipa ter perdido para o Progresso do Sambizanga, por 1-0, porque nunca tinha acontecido antes, desde que ambas equipas passaram a jogar entre si em 1978.

Sempre admirei o Progresso, na derrota ou na vitória, e hoje admiro os seus sócios e adeptos que desejam o seu sucesso, dizendo que tem de voltar a ter craques inolvidáveis como os que já teve, como Praia, Santinho, Manuel, Bonito, Lelé, Salviano, Chiminha, Luís Cão, Jinguma, Kiferro, Augusto Pedro, Santo António, Mirrage, Sorsié e Vata, Janguelito, Cacharamba, Zico e Pedro Mantorras.

Não sei se será possível. Para mim particularmente, desde que em Maio de 1977 a equipa ressentiu-se dos efeitos da “ressaca” do “27”, o Progresso, em boa verdade, nunca mais foi o mesmo: uma vezes por gritantes dificuldades financeiras, outras, por intrigas de foro bairrista, já incompatíveis nos tempos que correm com os modos de gestão moderna dentro e fora do campo.

Já teve alguns bons dirigentes que procuraram introduzir novo estilos de gestão, como é o caso - sem desprimor para os restantes - do actual, Paixão Júnior. Tal como Alves Baptista, Rui de Jesus, Brito Sozinho, Beto Van-Dúnem, Lopo do Nascimento, Eduardo Veloso, Fiel Didi, Simão Paulo, Nelo Victor, Daniel Simas e Galvão Branco. Mas os resultados....

É por isso que está a doer a muitos \"sambilas\" esta goleada (4-0) espetada pelo 1º de Agosto. Abalou a massa apoiante que puxa por essa equipa fundada naquele dia17 de Novembro de 1975. A pesada derrota, repito, está a tirar o sono a muita malta.

Um certo dia Mantorras, que é filho do Sambizanga, chegou a determinar que quando arrumasse as botas voltaria àquele regaço de terra para liderar o clube que lhe abriu as portas para o mundo do futebol federado - esse popular Progresso do Sambizanga. Será possível?

Perguntaram-lhe se esqueceu do Progresso do Sambizanga e a resposta foi como um remate à queima roupa: “toda a gente sabe e eu já disse que nunca esquecerei o Progresso, foi lá onde me fiz homem acima de tudo e o grande jogador. Se sou uma estrela é graças ao Progresso\".

\"O Progresso é para mim um símbolo. É lá onde tenho as minhas raízes, conheço aquela casa onde me deram muito carinho e até hoje me dão muito carinho de progressista. O Progresso não tem preço, repito foi lá onde me fiz homem e jogador\", disse na altura.

Eu acho que, tal como o Mantorras, hoje muitos outros \"sambilas\" andam tristes. Esperavam que, no seu regresso ao Girabola em 2010, até hoje não consentisse derrotas do género que anotou, que já conquistasse, pelo menos, um título, só com vitórias fabulosas...e assim resgatar a vontade um dia defendida pelos seus fundadores.

Se o Progresso voltar a destilar futebol alegre e vistoso como nos tempos em que bateu o pé a esse 1º de Agosto, então o Progresso, passe a redundância, não vai soçobrar. Não pode apenas ficar-se pela Taça de Angola conquistada em 1996. O povo do \"Sambila\" quer mais.

Em 2010 a equipa tinha terminado o torneio de apuramento ao Girabola daquele ano só com 33 pontos. Para subir teve que denunciar as inscrições irregulares de dois jogadores das equipas.... do Lândana FC e Sporting, ambos de Cabinda, porque o seu presidente, Paixão Júnior, e o então director António Gomes “Tony Estraga” ainda ameaçaram levar o caso junto da FIFA e por isso o Conselho Técnico Desportivo da FAF simplesmente declarou que os 33 pontos conquistados pela formação do Sambila foram suficientes para subir. Será que equipas de Cabinda meteram pragas sobre o \"Sambila\"?, a ponto de levar goleadas e nunca ficar em quinto?

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