Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Golfe pode atrair forte investimento

08 de Junho, 2019
Hoje, neste espaço, iremos abordar questões ligadas ao golfe. Sim, ao golfe, enquanto modalidade desportiva. Há até quem a chame de desporto dos ricos. E, até certo ponto, o é.Por ser um pouco assim, é que a sua prática é restringida à uma elite. Por ser um pouco assim, é que este desporto acaba por ser uma porta grande aberta para que os investidores venham e entrem no país, fazendo prospecções em áreas de investimento, para obter rendimentos e engordar o seu capital.
Pelo menos, tenho quase certeza que foi este pensamento, que tiveram os promotores do recém disputado torneio de golfe denominado “Presidential Day”, em que o Presidente da República, João Lourenço, foi figura de cartaz para encabeçar e dar a primeira tacada. Estimulando, atraindo, sensibilizando e abrindo Angola para investimentos de valia daqueles que, por um lado, gostam desta disciplina desportiva e, por outro, gostam do seu complemento sustentável, que é o turismo.
Na verdade, a chamada indústria da paz, o turismo, quer seja interno como externo, pode proporcionar muitos investimentos a um país como Angola que, em fase de crescimento, procura formas expeditas para puder se guindar no contexto das Nações e assegurar um desenvolvimento multifacético, por via do desporto. É mesmo o desporto que hoje, vivendo na pobreza extrema, precisa de fontes de rendimento para sobreviver. Precisa de empresários capazes de puder apostar nas diferentes marcas e promover o marketing, capitalizando o seu negócio e rentabilizando receitas.
O golfe e outras disciplinas podem bem cumprir os dois papéis. Particularmente o golfe, com toda sua especificidade e exclusividade elitista, atrai, digamos, endinheirados e estes espreitam oportunidades em variados campos do negócio como agricultura, electricidade, prestação de serviços e tantos outros. Por isso, a tacada que o Presidente João Lourenço deu ao torneio internacional, para relançamento conjunto do turismo e da modalidade de golfe, convenhamos, não foi em vão. Foi isso sim, “uma tacada de mestre”, se tivermos em conta os inúmeros objectivos que nela se configuram.Por outro lado, sendo uma modalidade desportiva, configura igualmente que o Mais Alto Mandatário da Nação, está realmente preocupado com a promoção desportiva, porque demonstrou que, através do desporto, se podem capitalizar outras áreas.
O gesto do Presidente significou muito para os agentes desportivos, que esperam sempre uma lufada de ar fresco. Aliás, a sensibilidade desportiva demonstrada por João Lourenço há muito ficou vincada nas reacções que vai tendo em face das vitórias alcançadas pelo País, o carinho com que o faz e não só.
Voltando ao golfe, há que se dizer que, segundo dados históricos, esta modalidade há muito faz morada aqui em Angola. Desde o tempo da outra senhora que o golfe era modalidade de topo. Aliás, o actual Bairro do Golfe, aqui em Luanda, tem esse nome por “culpa” da modalidade. Era precisamente ali, onde hoje é o bairro, que se estendiam os campos verdejantes para as tacadas dos grandes capitalistas endinheirados daquele tempo. Infelizmente, o tempo e as transformações sociais profundas corroeram as intenções e os campos verdes do golfe foram consumidos pela sagacidade da anarquia de construções sem plano director, em consequência da guerra atroz que nos consumiu durante largos anos, provocando também um crescimento urbanístico e populacional desordenado, êxodo rural e outros males que corroeram uma sociedade que lutava para debelar insuficiências estruturais. O que é facto é que, o bairro do golfe ficou sem a referência original e, com certeza ninguém se lembra da natureza do seu nome nem da história da modalidade que, naquele tempo ainda absorveu alguns “autóctones” que praticaram com mestria a modalidade. Morais Canãmua


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