Jornal dos Desportos

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Opinio

Golos em alta

26 de Junho, 2018
O argentino Lionel Messi ainda não facturou neste Mundial, mas nem por isso o torneio está pobre em golos. Muito pelo contrário.
As duas primeiras jornada da competição que a Rússia alberga mostraram um grande engodo dos jogadores pela baliza contrária e uma fome de golos de grande parte dos atacantes.
O inglês Harry Kane, com cinco golos foi o que mais marcou, depois do hat-trick da goleada da sua selecção frente ao Panamá (6-1), algo a que o jogador já deve estar habituado, ou não fosse uma das grandes referências da Premier League.
Na lista dos artilheiros surgem dois jogadores ibéricos Cristiano Ronaldo, por Portugal, e Diego Costa, da Espanha, e ainda o belga Lukaku todos com quatro golos. Para já, é interessante o facto de ter havido golos em todos jogos das duas primeiras jornada, um total de 65, numa média de 2,65 golos por jogo, uma das mais elevadas desde o Mundial de 1982, disputado na Espanha.
Até a entrada da terceira jornada, a média aproximou-se da média total do Mundial 2014 (2,67 golos por jogo) e que ultrapassa mesmo as médias dos Mundiais de 2010 (2,27), 2006 (2,3) e 2002 (2,52).
A pontaria está afinada, não obstante aos falhanços clamorosos verificados e aos auto-golos em algumas partidas.
Estando o campeonato ainda na sua primeira fase, que se completa ao longo desta semana com os derradeiros jogos que em alguns casos ditam as equipas que garantem o passaporte para os oitavos-de-final e, noutros, confirmam o afastamento de algumas selecções, é convicção geral que este Mundial da Rússia pode, seguramente, trazer à ribalta novos homens-golo, com a média de golos a crescer até ao fim. Haja um hino aos golos.
Neste Mundial, interessante é, também, a forma como algumas equipas \"gigantes\" chegaram às vitórias. O Brasil conseguiu derrotar a Costa Rica com golos nos descontos, numa altura em que um empate comprometeria, e de que forma, a qualificação à segunda fase, depois da primeira igualdade frente à Suíça.
Não que o \"escrete\" tenha por esta altura a sua vida resolvida. O jogo frente à Sérvia vai ser decisivo para as suas aspirações, embora um empate coloque o conjunto na outra fase, aos passo que para os sérvios \"só ganhando\", como se diz.
A Alemanha também viveu o mesmo dilema dos brasileiros, e seria constrangedor ver o campeão do mundo ficar na primeira equipa. Os germânicos foram \"surrados\" na primeira jornada, sofreram na ronda seguinte para chegar ao triunfo que só aconteceu também nos acréscimos, num lance de bola parada, após o sueco Jmmy Durmaz ter cometido falta.
Durmaz certamente que desde lá até agora tem poucas horas de sono. Não por razões que se relacionam com a falta que originou o golo e que ditou a derrota da sua equipa, mas pelo facto de ter sido alvo de comentários racistas e de ter recebido mesmo ameaças de morte no Istagram.
O jogador que evolui no Toulouse e França, nasceu na Suécia e é filho de pais emigrados da Turquia, recebeu já de amigos e colegas de equipas, bem como da sua equipa técnicos gestos de carinho e solidariedade.
Crucificar alguém por uma partida de futebol não pode acontecer nos dias de hoje, e isso foi dito por comentaristas suecos, por outras palavras.
\"Há pessoas enlouquecidas abertamente racistas contra Jimmy Durmaz depois de uma partida de futebol, e isso diz muito sobre o mundo em que vivemos, infelizmente\", escreveu o jornalista Patrick Ekwall no Twitter no domingo.
Infelizmente, o caso de Durmaz não é isolado. O colombiano Carlos Sanchez também viveu o mesmo dilema, quando recebeu ameaças de morte nas redes sociais, após a derrota dos colombianos diante do Japão na sua estreia no Mundial, em que o jogador foi expulso, por ter segurado a bola com a mão dentro da sua área.
Na Colômbia, as paixões são levadas ao extremo, e o episódio com Sanchez leva-nos a recuar no tempo para recordar o antigo defesa Andrés Escobar, assassinado em Julho de 1994 em Medelín, dias depois de ter feito um auto-golo contra os Estados Unidos no Mundial de 1994, golo que levou o afastamento dos colombianos da competição disputada em território estado-unidense.
Decididamente, fanatismo e violência não podem andar de mãos juntas com o futebol.
Fontes Pereira


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