Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Governo da Federao, fechado em copas, porqu?

05 de Agosto, 2019
Notícias desportivas que o povo gosta são as do tipo de ontem conseguida pela feminina de andebol do 1º de Agosto, nossa campeã mundial de clubes. A Nação agradece, pois, a bandeira e o nome de Angola estão nas luzes da ribalta. Notícias para esquecer é, por exemplo, o triste afastamento da nossa selecção de futebol do CHAN, mostrando, com isso, que no jogo de pontapé à bola estamos de rasto e, com ela, a própria Federação Angolana de Futebol e seus gestores. A coisa está feia sobretudo agora em que ninguém fala, ninguém justifica.
Está muito na baila, de forma contínua, por estes dias, a empolada \"conversa\" nos meios jornalísticos e da própria modalidade... se a direcção da Federação Angolana de Futebol vai ou não promover uma conferência de imprensa, para a explicação da paupérrima participação dos Palancas Negras no CAN do Egipto.Até alguém disse que, devido à resistência de a não realizar, há figuras sem muita vivência nesse fenómeno social que é o futebol a entrarem apenas há três anos nas corridas às eleições para ganhar dividendos financeiros com o dinheiro do erário público destinado ao futebol.
Não sei se quem assim fala tem razão, contudo, faz-me lembrar sempre e sempre a figura que foi o veterano político Mendes de Carvalho, que era um ferrenho adepto do futebol (ele dizia que no tempo da outra senhora, até jogou no Benfica do Calumbunze). Quando o entrevistei disse-me e eu vou citar - \" há políticos que querem entrar no futebol só para ganharem notoriedade e assim terem público para outras ambições”.
Não sei se o mais velho tinha acertado na mosca, como se diz, mas recordo-me que foi numa altura em que no nosso \"léxico desportivo\" apareceu o vocábulo pára-quedistas no desporto.Mas, meus senhores, no nosso futebol não pode haver pára-quedistas! Já não se pode fazer rir o povo que adora e morre pelo futebol. Já basta aquele presidente com \"P\" grande que, certa vez, teve a coragem de dizer à estação televisiva portuguesa SIC, que era, alegadamente, um homem do futebol emprestado à política.
O nosso povo já andou de costas viradas com muitos presidentes da FAF e treinadores também. Como aquele técnico uruguaio, Gustavo Ferrín, que devido à desdita que teve à frente dos Palancas Negras, ainda assim, certo dia, levou o antigo presidente da Federação Angolana de Futebol, Pedro Neto, a acudi-lo:\"em minha opinião, os resultados negativos têm sempre um culpado, mas o nosso treinador não tem de ser crucificado, eu não analiso as coisas nesta perspectiva, porque se os resultados não aparecem, o treinador não é o único culpado\".
Claro que muita malta não subscreveu nem subscreve defesas do género, sobretudo, nesta altura em que na FAF pessoa alguma quer \"abrir o livro\" ou dar a mão à palmatória, falando para os jornalistas que transmitirão ao povo o que, afinal, anda de candeia às avessas no nosso futebol.
Nos últimos anos, o futebol angolano não anda bem. O nosso futebol tem de ser governado da melhor forma. E se a actual direcção prefere manter no marasmo tudo o que deve mudar, então pode haver uma corrente da tribo do nosso \"association\" que pugne pelas mudanças no órgão reitor do \"desporto-rei\" no país, numa altura em que há vozes que apontam para abertura de campanha eleitoral antecipada para novos dirigentes.
Não é ser radical, mas é a verdade desportiva. Julgo que foi o que aconteceu, certa vez, com Justino Fernandes, naquela inesquecível assembleia-geral extraordinária que deliberou para eleições antecipadas.
Só para recordar, hoje, contestado por muitos e adorado por outros, o mandato de Justino Fernandes foi marcado por feitos, como a conquista do campeonato africano de sub-20 na Etiópia, em 2001, a participação pela primeira vez num campeonato do mundo na Alemanha 2006 e a realização no país do CAN’2010, apesar de todo o \"floreado futebolístico\", a malta do futebol, por cá, avançou em lances de mudança.
Hoje em dia, a FAF de Artur Almeida está a ser fustigada com informações menos boas, à propósito da falta de conferência de imprensa, pagamento de prémios, etc. etc.
Uma questão imediata se coloca agora: Artur Almeida e pares vão resistir a tudo isto?
António Félix



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