Jornal dos Desportos

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Opinio

Grandes reviravoltas

06 de Julho, 2018
Os belgas Hazard, Lukaku e companhia conseguiram, diante do Japão, um feito que não se via há 52 anos: dar à volta a um resultado num encontro na fase do \"mata-mata\" e em noventa minutos de jogo, o que permitiu ao conjunto europeu chegar aos \"quartos\" para defrontar hoje o Brasil.
Portugal, no seu esplendor em mundiais, corria o ano de 1966, foi a última selecção que conseguiu virar tal desvantagem, no Mundial da Inglaterra, quando Eusébio, com quatro golos e José Augusto, desfeitearam por completo a Coreia do Norte. Uma reviravolta dramática para os norte-coreanos que, como é comum dizer-se hoje em dia, morreram na praia.
A história dos Campeonatos do Mundo regista outras \"viradas\". No Campeonato do México, em 1970, a grande Alemanha de Beckenbauer, Seeler e Muller, conseguiu algo parecido com o que os belgas conseguiram, na tal partida épica contra o Japão. Diante da Inglaterra, os germânicos conseguiram, no prolongamento, bater a Inglaterra (3-2), com os três jogadores acima citados a darem a volta à eliminatória.
Nesse lote de \"históricos\" surge também um conjunto africano, a Costa do Marfim. Estamos no Mundial da Alemanha, em 2006, uma competição em que Angola disputou o seu primeiro Mundial e que a partir daí marcou um retrocesso sem precedentes no seu futebol.
Diante da então selecção da Sérvia e Montenegro, os costa-marfinenses estiveram a perder por 0-2, mas Aruna Dindane com um bis criou suspense na eliminatória, para depois Salomon Kalou silenciar os sérvios e montegrinos, através da marcação de um penálti.
Nos dias que correm os tempos são outros. A Rússia é um palco de grandes jogos de futebol mas também de muitas imprevisibilidades, em que as equipas menos favoritas se agigantam, de tal forma que começa a ser um exercício arriscado fazer prognósticos.
Perder partidas em reviravoltas, tal como aconteceu no confronto entre belgas e nipónicos deixa traumas, e os samurais japoneses certamente que vão levar algum tempo para digerir essa derrota, pois, acima de tudo, sempre acreditaram que poderiam marcar presença na terceira fase do Mundial.
Mas, jogadores e selecções já devem saber que os jogos terminam, por norma, quando esgotados os minutos regulamentos e quando soa o último apito do árbitro.
Aí pode haver festa e algazarra para uns, ou momentos de pesar, para outros, como se óbito se tratasse, como aconteceu com os espanhóis que, antes do jogo com a Rússia, tiveram um avião para familiares, mulheres de jogadores e dirigentes, no intuito de no final terem um clima mais festivo logo a seguir à qualificação, que para eles estaria assegurada, com maior ou menos dificuldade.
Mas a Espanha foi um dos grandes embustes deste Mundial. Tal como foi a Alemanha e a Argentina, campeões que saíram pela porta mais pequena, mas cuja saída sem terem chegado aos \"quartos\", abriu caminho para outros campeões se apoderarem do título ainda em posse dos germânicos: Brasil, Uruguai, França ou Inglaterra.
O Mundial entra hoje numa outra fase, e das oito formações ainda em prova quatro serão afastadas em jogos \"quentes\". Numa prova que já nos deu muito a ver desde que a bola começou a rolar, é crível que outras reviravoltas se possam observar.
Os artistas querem acreditar até ao fim, a magia vai manter-se em cada jogo até ao recolher para os balneários ao último soar do apito. Fontes Pereira

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