Jornal dos Desportos

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Opinião

Grito de socorro de Carlos Dinis!

12 de Maio, 2018
Não constitui dúvida para ninguém, que o basquetebol, disciplina que proporcionou várias alegrias ao povo angolano, principalmente, em período de plena guerra fria, caminha, lamentavelmente, para o precipício, ante o olhar silencioso dos amantes da “bola ao cesto”.
O basquetebol a par do andebol feminino são as modalidades que mais troféus trouxeram ao país e, consequentemente, mais presenças internacionais tiveram ao longo dos 42 anos de existência de Angola, como Nação Independente.
Infelizmente, a modalidade tem dado sinais de retrocesso nos últimos tempos, e ao que tudo indica, os actores indirectos (alguns dirigentes e treinadores) não estão interessados em retirar a modalidade do precipício em que se encontra.
Das poucas decisões acertadas que o actual elenco da Federação Angolana de Basquetebol (FAB) tomou, desde que assumiu funções em Março de 2017, foi o facto de ter levado as partidas do Unitel Basket e não só, para o Pavilhão Arena do Kilamba, infra-estrutura desportiva construída em 2013, no âmbito da realização no país da 41ª edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins, sem custos para as equipas que decidiram transformar a quadra em seu quartel-general.
Depois de aturadas conversações entre a direcção do orgão reitor da modalidade e os responsáveis das equipas que disputam a edição 40 do Unitel basket, excepto o Clube Central das Forças Armadas Angolanas, aceitaram transformar o Pavilhão Arena do Kilamba como palco do \"Nacional da bola ao cesto\".
É certo que a melhoria da qualidade do basquetebol não passa única e exclusivamente, em colocar os jogos em quadras com as condições exigidas pela Fiba-Mundo, organismo que tutela a modalidade no globo, mas sobretudo, melhorando a qualidade de treino, sem esquecer a formação contínua dos treinadores que trabalham a nível da formação.
Em bom rigor, nem o Pavilhão Victorino Cunha, nem o Pavilhão do Dream Space, muito menos o Pavilhão 28 de Fevereiro, possuem condições exigidas pelo organismo mundial para acolherem jogos.
Incompreensivelmente, Helder Martins da Cruz \"Maneda\" e os seus \"comparças\" decidiram recuar na sua decisão, permitindo que o Pavilhão 28 de Fevereiro, quartel-general do Grupo Desportivo Interclube, voltasse a acolher partidas da 40ª edição do Campeonato Nacional de basquetebol em seniores masculinos, vulgo Unitel Basket.
Dos pavilhões acima referenciados, a quadra adstrita a equipa da Polícia Nacional é sem sombras de dúvidas a que menos condições tem, quer para os intervenientes directo do espectáculo (jogadores), quer para o público.
Entretanto, o desabafo do técnico Carlos Antóno Dinis, antigo seleccionador dos hendecacampeões africanos, é de todo legítimo, e deve merecer atenção especial de quem de direito, se quisermos que o basquetebol volte a resgatar a qualidade que de um tempo a esta parte anda sumida, resultando daí, os vários fracassos que Angola tem acomulado nos últimos tempos, quer em masculinos, quer em femininos.
Melo Clemente

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