Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Matias Adriano

Guimares volta a encestar

24 de Maio, 2018
As modalidades desportivas só se desenvolvem com o contributo dos seus melhores fazedores, aqueles que têm domínio das mesmas, que conseguem identificar as suas debilidades e encontrar soluções pontuais. Nos últimos anos entrou no léxico o termo \"paraquedista\", aplicado àqueles que não sendo do sector apareçam nele como dirigentes.
No nosso país é comum assistir-se à presença de elementos estranhos a esta ou aquela modalidade a darem palpites. Aliás, com a democraticidade das instituições desportivas, nunca houve critérios para as candidaturas de quem se faz ao cadeirão desta ou daquela associação, desta ou daquela federação. O importante é o seu caderno de intenções.
É evidente que não faltarão exemplos de quem tendo sido do basquetebol se tenha dado com êxito no andebol ou quem saindo do ciclismo tenha emigrado positivamente para o xadrez. No campo do dirigismo as coisas até podem funcionar, já no treinamento elas podem não se encaixar com perfeição.
Este intróito serve apenas para reconhecer, e se não felicitar, a posição da Federação Angolana de Basquetebol, que tratou de chamar à equipa técnica dos hendecampeões africanos o técnico José Carlos Guimarães. Conhecedor profundo dos meandros da “bola ao cesto” configurava, realmente, um desperdício mantê-lo longe das grandes decisões da modalidade.
É certo que ao basquetebol sempre esteve ligado, porque até onde vai o meu conhecimento encabeçava nos últimos tempos um projecto de massificação da modalidade na província do Cuanza Norte a exemplo do que desenvolveu na década passada em Cabinda, que viria dar à luz a equipa da Promade.
Mas penso que, com o basquetebol angolano em \"queda livre\" no ranking africano, onde já soma duas derrotas consecutivas em fases finais do Afrobasket, o seu vasto manancial de conhecimentos pode ter mais utilidade na Selecção Nacional. William Voigt precisa, realmente, de uma assessoria que tenha maior domínio do mercado.
José Carlos Guimarães, que por sinal já foi seleccionador principal, pode ser um activo de grande serventia. Estando marcada para 2019 a próxima edição do Afrobasket, sendo esta a prova que pode devolver o prestígio a Angola, há alguma margem de tempo, capaz de permitir o desenvolvimento de um trabalho que leve a encarar a competição com seriedade e maior dose de confiança.É certo que o êxito que todos esperamos não depende em absoluto de uma equipa técnica capaz, passa também pela criação de condições de trabalho condizentes, que facilitem a implementação de todo programa de preparação.
A modalidade vê com bons olhos uma geração emergente promissora, e pode, com trabalho planificado e dedicado reaver a sua mística a médio ou curto prazo.
Por este passo o elenco de Hélder Cruz \"Maneda\" já começa a acertar. O resto virá por tabela. Angola desportiva quer o basquetebol de volta ao trilho certo, para que os angolanos voltem, num futuro breve, a viver a adrenalina que marcou as últimas duas décadas. Mãos à obra...

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