Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Haja resilincia pelo fatdico jogo!

27 de Outubro, 2018
A maneira como o nosso 1º de Agosto foi \"retirado\" da final da Liga dos Campeões no jogo da última terça-feira, na Tunísia, remete-nos numa intensa e profunda reflexão ao ponto de quase desacreditarmos o futebol africano, particularmente a área de arbitragem, muito por culpa do zambiano Janny Sikazwe, o árbitro do encontro que fez das suas, inclinando, inclusive, o campo com as suas próprias mãos em mais de 10%. Nada fazia prever comportamento adverso do árbitro ao ponto de, em campo, no exercício das suas nobres funções, fosse capaz de \"vestir\" a camisola da equipa do Esperance de Tunis, assumindo-se como mais um adversário do 1º de Agosto que, para além deste e dos jogadores em campo, teve outros, como público entusiástico e fanático, ambiente hostil, etc, transformando o estádio em si, num autêntico campo de batalha” onde valia tudo menos a derrota para eles. Pelo ambiente criado à partida, tudo indicava que estava criada uma cabala para o representante angolano que até entrava em ligeira vantagem, em função da vitória “limpinha” que obteve em Luanda, no desafio da primeira “mão”, diante deste mesmo Esperance de Tunis que, no campo, em nenhum momento demonstrou superioridade absoluta em relação ao 1º de Agosto. Ao jogo de retorno, a postura do representante angolano até foi boa. Procurou suster a pressão inicial do adversário e teve a ousadia, inclusive de marcar primeiro, piorando o estado de ansiedade do adversário e seus aficcionados que, desde cedo, colocaram em evidência a insatisfação, a incompetência e, o anti-jogo, utilizando vários argumentos. Na verdade tudo quanto aconteceu, hoje passou para a história, mas ainda assim vale fazer referências para pudermos entender efectivamente como Sikazwe e pares construíram este episódio mesmo sabendo que Jelson Emiliano, angolano de gema e membro habitual da sua equipa, poderia (pode) se sentir traído por este facto, devido a amizade que os liga. Ainda assim Sikazwe preferiu arriscar e comprometer-se com a vontade desmedida dos tunisinos em atingirem a final da competição a qualquer preço, mesmo quebrando as regras mais elementares do desporto, o fair-play. O 1º de Agosto conseguiu cair com honra e dignidade porque mesmo diante de tamanhas intempéries, na maior parte do tempo de jogo os seus jogadores conseguiram manter-se calmos, \"engolindo\" inclusive \"sapos\" que Sikazwe os impunha. Em termos de jogo, os rapazes de Zoran Maki bateram-se como bravos. Investiram o seu esforço em todo jogo, mas diante de uma corrente contrária, quase sempre viam esbarrados na tendência maldosa do árbitro Sikazwe que vinha com lição bem estudada. Até um golo limpo do nosso representante, anulou, tal era o comprometimento que demonstrava ter com os de casa. Assim, sendo as evidências são claras, nada mais nos resta senão nos contentarmos com a eliminação. Admitir que o \"quase\" não foi possível. Há que, no entanto, reunir forças para que a resiliência esteja sempre presente no seio desta grande equipa que, apostada em conquistar da melhor forma, a África do futebol, lhes foi coarctada esta possibilidade. O que importa transmitir à Nação não é um espírito revanchista nem tão pouco de revolta à quem quer que seja. Nem mesmo à Sikazwe, independentemente do mau quadro que pintou. O importante vai ser sim, apelar às instâncias de direito para agirem em conformidade diante de factos crus e nus que lesam a chamada verdade desportiva (se houver e for considerada!). Nos dias que correm, convenhamos tem sido muito difícil agir no normal e procurar fazer entrar as coisas nos eixos, tal como devem ser. Sinceramente, apesar de tudo, não podemos, nós mesmos, \"crucificar\" Sikazwe sob o risco de cairmos no ridículo em que ele se deixou cair, ao se \"vender\", com certeza por \"míseros tostões\" que não compram a honra de ninguém. Sikazwe merece estar vivo para sentir a mão pesada de quem o vai punir pelo mal que provocou aos angolanos. O que se deve continuar a estimular é que a CAF e a FIFA possam tomar as medidas que se impuserem nem que para isso valha a irradiação de Sikazwe, o que de certeza não seria tão grave assim. Aliás, seria o mínimo que se poderia fazer à alguém que se despiu de carácter e terá se esquecido dos padrões que consagram as funções de um juiz \"de jure\". Imparcialidade, justiça, integralidade, seriedade, responsabilidade, fair-play, enfim, tudo que terá apreendido nesta sua trajectória brilhante (?) pelo menos até ao \"fatídico\" jogo de terça-feira em Radés. O que devemos mesmo fazer é buscar forças, apelar à nossa consciência angolana de que, a experiência de luta que temos, ao longos dos anos, nos confere a capacidade de cair, levantar e voltar a andar. Resiliência. Mesmo que para isso chovam injustiças com as de Radés onde Sikazwe foi como que \"aprendiz de feiticeiro\", tentando do pior modo, apreender como se faz maldade aos outros. O que devemos fazer é, levar a cabeça e seguir em frente, com o sentimento do dever cumprido. Recuperar o fôlego e com todas essas experiências, ainda que amargas, voltar no próximo ano e (...) mostrar à África e ao mundo que fomos sim prejudicados e que somos fortes. Apurar-se para a final e.....porque não, lutar e vencer. Desde que para isso, claro está, o árbitro do encontro não se chame Janny Sikazwe. Tenho dito!
Morais Canâmua

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