Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Haja resilincia mas com seriedade

16 de Novembro, 2019
A campanha dos Palancas Negras rumo ao Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2021, que Camarões irá organizar, pode ser de todo ofuscada, se acreditarmos que Angola, o nosso País, tem valor real e imensa qualidade em termos futebolísticos, mas sobretudo não tem o essencial: organização e seriedade. Não temos sido sérios nas abordagens de assuntos que merecem o mínimo de seriedade, como o futebol.
Infelizmente, noves fora os aspectos de triunfalismo patriótico, temos muitas insuficiências no capítulo organizativo e, por incrível que pareça, falta de profissionalismo, por isso, não podemos estranhar, quando nos deparamos com realidades como estas. O mais grave é que na maioria dos casos, ainda assim, somos orgulhosos e deixamos a humildade escapar.
Os Palancas Negras são a representatividade da Nação. É a representatividade de um País fecundo de futebol. O futebol aqui tem raízes. Está no sangue da maior parte dos cidadãos. O futebol aqui, na verdade, inflama paixões e arrasta multidões. O futebol é o “ópio” do povo.
Por isso, quando se trata de derrota, choramos e quando ganhamos rejubilamos e saltamos de alegria. A única diferença com outros povos é que sabemos ganhar e perder. Aceitamos a derrota com dignidade e valorizamos o adversário.
Festejamos com a vitória, porque somos um povo vitorioso. Gostamos de ganhar. Aliás, não há ninguém que não goste. Nós, angolanos, não fugimos à regra.
A derrota de 1-3 da Selecção Nacional, na passada quarta-feira, diante da sua congénere da Gâmbia, em pleno Estádio 11 de Novembro, em Luanda, convenhamos, foi simplesmente humilhante. O povo amante do desporto rei chorou. Sentimos profundamente o golpe, neste duelo referente a primeira jornada do Grupo D do apuramento a grande cimeira do futebol continental, a disputar-se em 2021 nos Camarões.
O nosso orgulho ficou ferido. Foi de facto mau, no cômputo final perdermos de forma copiosa com uma exibição cinzenta. Azeda. Fusca. Perdemos e respeitamos o adversário que, convenhamos, nos superou.
Se o essencial é buscarmos a qualificação, para a competição do próximo ano nos Camarões, temos que aceitar que, desta forma, ficará muito difícil.
É um mau presságio, embora, tal como muitos dizem, o mais importante é como se acaba e não como se começa. O Grupo D, onde os Palancas Negras estão inseridos, possui adversários de peso. Para além da “simpática” Gâmbia, está o Gabão e a vizinha República Democrática do Congo (RDC).
Países do futebol, que igualmente buscam a qualificação para estarem na pátria de antigos craques como Roger Milla, Patrick Mboma, Teóphile Abegá, Samuel Eto\'o e outros, dentro de sensivelmente dois anos.
Como será, quando defrontarmos os outros adversários do grupo, com as fragilidades que patenteamos na quarta-feira diante da Gâmbia?
Naturalmente, Angola quer estar entre eles. Por isso, esta derrota diante da Gâmbia belisca a campanha e pode trazer mossa no seio de um grupo que, pelo menos neste início, demonstrou pouco entrosamento, pouca determinação, pouco comprometimento e, mais, pouco trabalho. Os rapazes de Pedro Gonçalves demonstraram, que tornaram-se “analfabetos” futebolisticamente falando, do dia para noite.
Desaprenderam a ciência do futebol. Ficaram mudos, surdos e apáticos, a ponto de nem desprenderem o esforço suficiente para, na hora da resiliência, darem à volta por cima. A motivação esteve muitos furos abaixo. Nem os chamados profissionais, nem tão-pouco os “domésticos” conseguiram mudar o rumo dos acontecimentos. Um autêntico descalabro, que pode manchar a campanha no seu todo.
O próximo jogo diante do Gabão, em Libreville, amanhã, dia 18 de Novembro, afigura-se de sacramental importância. É necessário fazer um “reset” total, para requalificar o sistema, as mentalidades e o orgulho.
Temos consciência que possuimos poderio e potencialidades para, com resiliência, conseguirmos dar um novo rumo à esta campanha que queremos airosa. Ainda vamos a tempo. Temos que acreditar. Temos que ter crença.
Devotemos então essa confiança aos nossos jogadores que, verdade seja dita, na passada quarta-feira, estiveram desastrados, mas acreditamos que podem muito bem fazer um resultado satisfatório diante dos gaboneses.
Para isso, há que mudar mentalidades; há que mudar os sistemas organizativos e aumentar, sobretudo, o profissionalismo, porque não podemos continuar a pensar que o futebol é brincadeira. Tenho dito!
MORAIS CANÂMUA

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