Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Herv Renard basta!

15 de Outubro, 2018
O País nunca engoliu a saída abrupta do treinador francês Hervê Renard, por falta de pagamento dos seus salários. Para os dirigentes do futebol nacional, deixar um treinador ou jogador com dois ou três meses de salário é normal. O fundamento ao qual lançam mãos é de ser uma realidade do País, pelo que todos deviam se conformar. Exigir o salário a tempo, em particular para os treinadores nacionais, é ser mercenário, antipatriota ou capitalista. Parece que não aprendemos com a lição anterior.
A Federação Angolana de Futebol voltou a submeter um treinador dos Palancas Negras, a um sacrifício de quatro meses sem salário. Esqueceu a FAF, que SrdjanVasiljevic não está nos Palancas no âmbito da solidariedade internacional. Estabeleceu um contrato de trabalho. O contrato estabelece as obrigações das partes, uma das quais pagar a hora o salário. É pouco profissional, para não qualificarmos este comportamento de maneira mais agreste, obrigar o colaborador socorrer-se da media para ver os seus salários pagos.
Garantir os salários dos colaboradores é ou devia ser a primeira coisa da direcção da FAF. Não se pode desperdiçar um treinador que, em pouco tempo, já mostrou ter ideias, ousado e, mais do que isso, está a reabilitar a imagem da selecção nacional. É recomendável assegurar esse treinador por um ciclo olímpico pelo menos. Os resultados se surgirem, já neste período inicial do seu trabalho, será ouro sobre azul. Se não for assim, basta no inspirarmos na paciência inglesa. Desse modo, é possível fazermos um diagnóstico sobre a raiz dos problemas.
Já vimos que o carnaval de treinadores que a FAF ensaiou resultou em nada. Pelo contrário, prejudicou gravemente a reputação conseguida à martelo, na primeira década do ano 2000. Sabemos, inclusive, de clubes que estavam preparados para contratar o treinador, caso abandonasse os Palancas Negras. Felizmente foram pagos os quatro meses, oxalá não haja mais quatro meses de atraso. Em face de tudo isso, é uma boa oportunidade para se reatar a velha pretensão da FAF ser autónoma do Ministério dos Desportos. Uma situação que deveria ser resolvida já, de modo a garantir tranquilidade aos seus gestores.
Teixeira Cândido

Últimas Opinies

  • 19 de Março, 2020

    Escaldante Girabola

    O campeonato nacional de futebol da primeira divisão vai dobrando os últimos contornos. A presente edição, amputada face a desqualificação do 1º de Maio de Benguela, abeira-se do seu fim . Entretanto, do ponto de vista classificativo as coisas estão longe de se definirem. No topo, o 1º de Agosto e o Petro travam uma luta sem quartel pelo título.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Cartas dos leitores

    Estamos melhor do que nunca. A pressão é para as pessoas que não têm arroz e feijão para comer. Estamos sem pressão, temos todos bons salários e boas condições de trabalho. Estamos numa situação de privilégio e até ao último jogo tivemos apenas duas derrotas.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Jogos Olmpicos2020

    A suspensão de diferentes competições desportivas a nível mundial em função do coronavírus, já declarada pela OMS-Organização Mundial da Saúde como Pandemia, remete-nos, mais uma vez, a reflectir sobre a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Pelo menos até aqui, o COI-Comité Olímpico Internacional mantém de pé a ideia de realizar o evento nos prazos previstos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    FAF aquece com eleies

    Cá entre nós, o fim do ciclo olímpico, tal com é consabido, obriga, por imperativos legais, por parte das Associações Desportivas, de um modo geral e global, a realização de pleitos eleitorais para a renovação de mandatos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    Cartas dos Leitores

    Acho que o Estado deve velar por essas infra-estruturas.

    Ler mais »

Ver todas »