Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Histrico apagado

15 de Junho, 2019
Hoje, neste espaço de opinião “A duas mãos”, nos propusemos a falar do Atlético Sport Aviação (ASA), um clube histórico, que movimenta particularmente o futebol e cuja existência remonta desde 1 de Abril de 1953.
A nível da modalidade-rainha, até ao final da temporada de 2017, o emblema do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro era, ao lado do 1º de Agosto, um dos totalistas do Campeonato Nacional da I Divisão, agora com cognome do Girabola Zap.
O período de resplendor do futebol da equipa aviadora começa, ainda, no tempo da “Outra Senhora”, isto a anteceder a Independência Nacional, assinalada a 11 de Novembro de 1975, e quando o conjunto já contava com nomes sonantes, como Joaquim Diniz “Brinca Nhareia”, que depois evoluiu no futebol do “Velho Continente” e mais concretamente em Portugal, em clubes como Sporting e FC Porto, José Luís Prata, Domingos Inguila e outros. Eram verdadeiros esteios do nosso futebol.
A classe desses jogadores e de alguns dos seus correligionários, nesse período de ascensão do futebol nacional, fizeram do ASA uma equipa de referência. Foi, na sequência desse talento que despontava e que dava cartas no nosso futebol, que logo no arranque do então Girabola, em 1979, a equipa do Aeroporto 4 de Fevereiro demonstrou arte e engenho, que lhe valeu três títulos de vice-campeã nacional.
Portanto, nas épocas de 1979, 1980 e de 1981, em que o título foi para as hostes do 1º de Agosto, um clube até então filiado as ex-Forças Armadas Popular de Libertação de Angola (FAPLA), o ASA já se assumia como uma das equipas do topo do nosso futebol. Geovety, Eduardo Machado, Rola, Lutandila, Sabino, Coreano, os irmãos Chico Dinis e Bondoso, assim como os guarda-redes Rosinha e Manuel, faziam a diferença no plantel, que era tecnicamente orientado por Chico Ventura.
Apesar dos momentos de glória evidenciados nestes anos, em que emergiram também outras forças do futebol nacional, como o 1º de Maio de Benguela, que conquistou as edições do Girabola Zap de 1983 e de 1985, e do Petro Luanda, que é, nessa altura, o maior “papão” do nosso desporto-rei, com quinze títulos arrebatados, o ASA foi alternando momentos bons com maus. Em “ene” ocasiões, a equipa esteve perto de descer de divisão, não fosse a sorte que lhe acompanhou em muitos casos - e até com uma mãozinha da Federação Angolana de Futebol (FAF) -, que chegou a aumentar o número de participantes na prova, só para lhe salvar. Neste andar da carruagem, de iminente ameaças de ser despromovida ao escalão secundário do futebol nacional, vulgo Segundona, o “mais velho” Chico Ventura surgia sempre como um “bombeiro”, para salvar a honra dos aviadores. Exibindo o cachimbo à boca, o malogrado técnico conduziu várias vezes o ASA em situações em que se viu próximo da despromoção da maior prova do futebol nacional.
Porém, já na década de 90, com uma geração de atletas como Kanka Vemba, Ndisso, Rui Nelson, Kikuma, Bravo da Rosa, Paulo Tomás, Miranda, Corola, Beto Carmelino e sob o comando do sérvio Veselin Vesco, a equipa voltou aos tempos áureos. Chegou, inclusivamente a ver um título ser-lhe retirado, em 1995, administrativamente pela FAF e favorecendo o Petro, que, na altura, ganhou um caso que se convencionou designar “Jean Claude”, jogador que representava as cores do Atlético do Namibe, hoje Sonangol. O técnico João Machado, a “Velha Raposa” do futebol nacional, seria o obreiro desse feito.
Contudo, o resplendor do ASA, no bom sentido, viria a acontecer sob a batuta do português Bernardino Pedroto, quando conquistou, com efeito, os títulos do Girabola Zap de 2002, 2003 e 2004, com jogadores como Papi, Nuno, Jamba, Jacinto, Yamba Asha, Matias, Dias Caires, Fofana, Milex, Kadima, Rasca, Malamba e tantos outros.
Foram uma série de conquistas, que se juntaram a outras na Taça de Angola, segunda maior prova do futebol nacional em 1995, 2005 e 2010, bem assim como em 1996, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2011 na Supertaça, que abre oficialmente a época no país. Estes feitos, logrados em grande escala, numa fase em que o leme aviador era presidido por João Andrade, que, diga-se de passagem, deixa imensas saudades, fizeram do ASA uma potência do futebol nacional e impondo-se ainda além-fronteiras, quando representasse o país nas provas da Confederação Africana de Futebol (CAF).
Porém, o que menos se esperava é que, anos depois, o clube do aeroporto viesse a enfrentar as piores fases do seu futebol. A equipa principal tornou-se num enteado da nova estrutura directiva da TAAG, companhia aérea de Bandeira Nacional, que praticamente a virou as costas. De lá para cá, a equipa foi sendo fortemente acossada pelo espectro da despromoção, que veio se abater sobre si no final da época de 2017. Foi uma queda, diga-se de passagem, histórica, depois de uma vigência de 38 anos na maior prova do futebol nacional (Girabola Zap), partilhada com o D\'Agosto, que nesse momento é o único totalista.
A ida para a II Divisão parece ter sido um passeio, pois na época seguinte, iniciada em Agosto de 2018, a equipa regressou ao Girabola. Mas por obras de uma campanha com muitos furos abaixo, não resistiu o sufoco e acabou, mais uma vez, relegada à Segundona este ano. É o percurso de um clube histórico que se vai apagando e resta saber se terá uma estrutura capaz de poder regressar à elite do futebol nacional. A ver vamos!!!...
Sérgio. V.Dias

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