Jornal dos Desportos

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Opinio

Hlder "carrega" a Cruz at assembleia de Maio

11 de Março, 2019
Preocupado com o curso critico que, já faz tempo, tomou conta do basquetebol, também segui atentamente mídia a realização da assembleia-geral da federação, sábado passado, em que se esperava pela saída do presidente, Hélder Martins da Cruz \"Maneda\" e, no final, quei lado dos agentes e associados que fizeram apelo a esforços conjuntos, no sentido de haver melhor gestão administrativa e financeira da organização.
Assino por baixo das declarações, apelativas, debitadas - como escreve a Angop - por figuras como Anselmo Monteiro, que é o líder da Associação Nacional de Treinadores; do vice-presidente para o basquetebol do Petro de Luanda, Artur Barros; do antigo presidente da FAB, Pires Ferreira; dos representantes das associações do Namibe e Huambo, Herberth Rafael e Domingos Malaquias, das associações e clubes da Huila, Namibe, Huambo, Bié, Benguela e Cuanza Sul.
Afinal, a crise que se denota na nossa \"bola ao cesto\" não despontou apenas no mandato do elenco actual. Acentuou na parte final do segundo \"consulado\" de Gustavo Conceição, fez travessia no \"reinado\" de Paulo Madeira e agravou-se, no corrente, sob o leme de Hélder Martins da Cruz \"Maneda\".
Quando a gestão é deficiente, quando os apoios - sobretudo os financeiros - faltam ou escasseiam, há uma carga negativa a reflectir-se depois no capitulo desportivo, resultando daqui a baixa qualidade no mosaico competitivo, este particular que os agentes, associados e adeptos deste desporto estão a exigir que pare, sob pena de, não sendo assim, Angola deixar de ser aceleradamente a potência que é em África.
Como disse a crise já leva dois anos. Este elenco de Hélder Martins da Cruz provem de há anos.
Foi apenas eleito em 2017, para um quadriénio que esperava ser cor-de-rosa, mas, mal vai a meio, com espinhos de toda sorte e, por isso mesmo, alvo de farpas, em jeito de criticas incisivas porque, diz-se à boca pequena, em conversas de pé de orelha e, até, já publicamente...que está a gerir mal, a ponto de já nem contas prestar.
No ano de 2015, porque não olvidei ainda, lembro-me de, no seguimento do fracasso de Angola no Afrobaket disputado na Tunísia, devido aos mesmos motivos de hoje... reacções foram várias, entre elas a oportunidade e o privilégio de um acalorado \"debate\" na televisão estatal, onde estiveram frente à frente o então presidente da federação, Paulo Madeira, o antigo director nacional do desporto, António Gomes \"Tony Estraga\", o ex-capitão da selecção Eduardo Mingas , o inolvidável e primacial seleccionador, Victorino Cunha, os antigos jogadores, José Carlos Guimarães, Honorato Troço, este que agora é o \"vice\" de Hélder Martins da Cruz \"Maneda\"No sábado passado houve uma assembleia-geral, naquela ano de 2015 foi um programa televisivo, mas, sendo tudo crise, para debelá-la o objectivo é sempre o de colocar, como se diz na gíria, tudo em pratos limpos.
O presidente da federação vem dizendo que o principal estorvo da concretização do seu programa de acção é falta de dinheiro público, digamos que de proveniência institucional ( Ministério da Juventude e Desportos), mas este ente reage, apontando má gestão do citado presidente e pares.
Este também lamenta a indisponibilidade e insensibilidade de antigos patrocinadores e, por tais \"enguiços\", prometeu colocar o seu lugar ( de eleição) à disposição, sem contudo dar corpo a esta pretensão, pois não a formalizou por escrito. Terá sido apenas um \"isco\" ? Sendo ou não, o certo é que o \"seu\" relatório e contas dos exercícios de 2017 e 2018 da federação deverá apresentá-lo até ao próximo dia 11 de Maio, noutra assembleia-geral extraordinária.
Pelo menos é o que disse - para quem quis ouvir - o presidente de mesa do órgão magno da federação, Agostinho José Matamba, este que havia anunciado a sua indisponibilidade para o acto de sábado, mas que, justamente, naquele dia, viu-se-lhe a escancarar as portas da Galeria dos Desportos, no Complexo da Cidadela.Este avanço e recuo de Agostinho José Matamba, se dúvida houver, então é sinal claríssimo que há mesmo crise federativa e, por arrasto, no basquetebol nacional.
O antecessor de Matamba, Carlos Cunha, teve de esperar longos meses para agendar um conclave ( como o de sábado passado) em que se chegou a discutir assuntos candentes do consulado de Paulo Madeira, como a apresentação do relatório de actividades e contas, relatório de auditoria independente ao órgão.Julgo que Matamba deve ser mais frontal. Certa vez gramei a atitude da a ex-secretária-geral da Federação Angolana de Basquetebol (FAB) Isabel Major , quando pediu demissão do cargo por incompatibilidades, dizendo que não se revia na metodologia de funcionamento da instituição liderada, na altura, por Paulo Madeira.
Já agora não se pode omitir o facto de que Hélder Martins da Cruz foi, outrora, vice-presidente de direcção da Federação Angolana de Basquetebol, cargo a partir do qual foi fortemente cogitado nos círculos da modalidade como um candidato às eleições para o lugar que ostenta, porque sabiam-no ser o antigo jogador (base) do Ferroviário de Luanda, Petro de Luanda e Dínamos.Se, como elemento da família da bola ao cesto, avançou e venceu em 2017, deve estar, agora, aberto e exposto à criticas, positivas e negativas. Não sei se agora é gestor federativo avesso às boas sugestões; se faz ouvidos de mercador.
Mas estando a ser contestado, no bom sentido, por figuras que trabalharam para o ABC do basquetebol nacional; figuras que conhecem o ADN do basquetebol angolano, é na verdade uma oportunidade para reflectir até ao próximo dia 11 de Maio, data da próxima assembleia-geral extraordinária.Vai aqui, desta \"tribuna\", um \"recado\", honesto e sincero\", para o meu amigo Hélder Martins da Cruz: a questão é que quando se vencem eleições, os eleitos ficam sob o apertado cerco de vigilância dos vencidos, um pouco como se passa na alta política.
E portanto, se tudo está como está, todos são poucos para a redefinição de uma boa política para o basquetebol nacional, para regressar aos carris e, por conta disso, cristalizar o império que, por mérito próprio, já edificou.E desde já partilhe, sem altivez, relacionamento útil e desinteressado com a imprensa. Noutro dia tomei boa nota nesta senda reconcilatória, quando o então seleccionador nacional de futebol, o uruguaio Gustavo Ferrín, promoveu, no Hotel Alvalade, um encontro com diversos jornalistas e comentaristas da imprensa escrita, falada e televisionada, para ouvir destes tudo o que pensam sobre as Palancas Negras às suas ordens e métodos de trabalho que vem aplicando nos treinos, jogos particulares e oficiais.Oxalá, também, assim seja com os especialistas do basquetebol nacional! António Félix


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