Jornal dos Desportos

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Opinio

Homologao do Girabola e o badalado Caso Cabibi

25 de Novembro, 2017
Não obstante ter sido já homologado o Girabola Zap 2017, pela Federação Angolana de Futebol (FAF), ainda assim, persistem alguns casos ao redor do mesmo, particularmente um que envolve a formação do Progresso da Lunda Sul, que ameaça ser contundente, para o efeito. Depois de ver julgado improcedente o recurso interposto pela alegada má utilização do jogador Cabibi, a turma lunda promete recorrer às instâncias superiores do desporto-rei.
A maior prova do nosso futebol, que terminou este ano com a consagração pela 11ª vez no seu historial do 1º de Agosto, viu ainda a despromoção memorável do Atlético Sport Aviação (ASA), equipa que a par da do “rio seco” era uma das totalistas do Campeonato Nacional da I Divisão.
Com três troféus conquistados na prova em 2002, 2003 e 2004, os aviadores vêem, assim, um ciclo consecutivo de 39 edições interrompidos, por força de uma campanha bastante maculada e pela falta de apoios da sua patrocinadora oficial.
Além da falta de apoios da Transportadora Área Angolana (Taag), o ASA, que nos últimos anos se viu sempre acossado pelo espectro da despromoção, não teve arte nem engenho para evitar em 2017 a descida de divisão. E, diga-se de passagem, acabou por ser um castigo merecido.
Além da turma de aeroporto, a formação do Santa Rita de Cássia do Uige e o já referenciado Progresso da Lunda Sul foram os outros dois conjuntos também despromovidos.
A equipa lunda, sublinha-se, registou a sua descida ao escalão secundário por via administrativa face à má utilização do jogador Cabibi, num caso que se tornou bastante badalado e que o conjunto ameaça recorrer à Confederação Africana Futebol (CAF) e à Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA). A direcção do clube não se coibiu com a sentença dada ao caso.
António Jamba, presidente de direcção do clube da Lunda Sul, justifica que as provas apresentadas à FAF do badalado caso foram suficientemente elucidativas, não compreendendo, daí, a posição do órgão reitor do desporto-rei no país.
Nas alegações feitas o responsável do clube lunda aponta que depois do jogo com o Interclube, em Saurimo, o atleta em causa viu o primeiro cartão amarelo diante do Kabuscorp do Palanca, mas não defrontou o JGM e o Recreativo da Caála, ambas equipas do Huambo.
António Jamba reforçou a convicção, justificando que o atleta Cabibi foi a seguir utilizado no duelo diante do 1º de Agosto, em que viu o segundo amarelo, para ficar de fora na partida com a Académica do Lobito e regressar à competição no jogo com Clube Desportivo da Huíla (CDH).
Por isso mesmo e na sequência desses factos terem sido reportados à FAF com a devida antecedência, o dirigente opina que dever-se-ia repor a verdade dos factos, daí a promessa de recurso à CAF e à FIFA, por, na sua óptica, o Progresso “não cometeu nenhuma irregularidade”.
Enfim, este é assunto que vai fazer transbordar ainda muita água debaixo da ponte e em que o próprio governador da Lunda Sul, Ernesto Kitekulo, já manifestara solidariedade para com o representante da província na fina-flor do futebol nacional, em 2017.
E ao que parece a direcção da equipa lunda, que nas duas anteriores participações no Girabola, em 2015 e 2016, conseguiu os honrosos sexto e quarto lugares vai, na certa, correr atrás de uma solução favorável, e, que se espera, venha abonar aquilo que é a verdade desportiva.
Por outro lado ainda, no meio dessa máquina organizativa do desporto-rei espera-se a FAF aja com algum rigor em relação a situação das equipas que optam pelo abandona da competição.
Na época recém-terminada, depois do abandono do Benfica de Luanda no início da mesma, pelo meio e bem na ponta final do Girabola 2017 surgiram muitos casos de ameaças de desistências.
Destacaram-se, entre outras, as do Progresso da Lunda Sul, Académica do Lobito, ASA, JGM do Huambo e do próprio 1º de Maio de Benguela, que por mais paradoxal que parece substituiu a turma encarnada da capital e esteve também nesse barco da iminente desistência.
Agora depois da homologação do Girabola Zap de 2017 já se propalam possíveis desistências do JGM, do Recreativo do Libolo e quiçá, lá mais para frente, podem se avançar mais nomes nesta perspectiva, em relação a época 2018. A meu ver isso mau para o nosso futebol.
E mais: seria oportuno que essas equipas oficializassem já a sua situação junto do órgão reitor do futebol nacional para que, em 2018, não se atrapalhe aquilo que poderá a programação da época por este. Penso que em relação as equipas que não têm condições efectivas para competir na próxima época, seria oportuno que as direcções dos clubes acossados com problemas financeiras fizessem já esse manifesto junto da FAF.
Julgo ser esta uma posição mais responsável das direcções deste clubes enveredar por essa via e, em contrapartida, não adiar esse desiderato para uma fase próxima do inicio da temporada 2018.
Penso, tal como tem sido norma, deve haver algum rigor em relação aos preparativos de uma temporada e por esse facto os clubes ao invés de complicarem as coisas devem ser, sim, facilitadores do processo. Isso é inequívoco…

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