Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Honra ao menino Gelson

04 de Novembro, 2016
Cumpre-se neste sábado mais um ciclo do Girabola, com a consagração o 1º de Agosto. Décimo título, dez anos depois. Para uns é um título que contou com a colaboração dos árbitros, para maioria porém é fruto da competência que a equipa manifestou ao longo de toda prova.

É uma discussão que poderá animar o defeso do Girabola, talvez seja bom, assim passa rápido o tempo e chega logo Fevereiro, altura em que inicia a nova época. O certo é que para a galeria do 1º de Agosto vai lá parar o décimo troféu. Sem querer fugir à discussão, mas considerando um debate sem fundamento, gostaria de ressaltar dessa conquista uma virtude: O título é esforço de uma equipa, é verdade. Futebol onze faz-se apenas com onze jogadores em cada equipa. No meio dessa verdade absoluta há porém lugar a individualidades.

Queria colocar o acento no desempenho de quatro jogadores, que na minha opinião, foram decisivos. Mas fico-me apenas por um, o principal jogador do ataque do 1º de Agosto. Gelson, menino tímido, descoberto pelo irmão mais velho (Elísio, ex-lateral do 1º de Agosto), fez história na sua segunda época no Girabola. Rubricou até altura em que escrevo a crónica 23 golos. É para já o segundo na história do 1º de Agosto com mais golos rubricados numa época, depois do “eterno” Alves, com 29 golos.

Em 25 jogos, Gelson fez 23 golos, e foi determinante na conquista do décimo título, na companhia de Ary Papel, Bua, Ibunkum, Geraldo, Jumisse, Dominique e outros não menos importantes.

A minha reflexão não tem tanto a ver com o número de golos e outros predicados. Mas ressaltar o valor de jogadores formados nas escolas do 1º de Agosto terem sido decisivos. A brilhante ideia do presidente do 1º de Agosto ter ido buscar pessoas competentes para cuidar da formação, fugindo da velha prática de que vão para formação os ex-jogadores, como forma de lhes recompensar o tempo perdido ao serviço do clube. Esta prática é nociva aos investimentos que os clubes fazem nos escalões de formação (pelo menos daqueles que fazem). Imaginem quanto custaria ao 1º de Agosto contratar jogadores com a qualidade de Ary Papel e Gelson?

É um disco riscado essa discussão em torno da valorização da formação. Voltamos a ele, porque o que se impõe neste momento analisar são os frutos que o 1º de Agosto está colher com o investimento que está a fazer. Quem fala deles, podemos apontar igualmente os extremos Gogoro e Nelson, que poderão ter oportunidade para disputar um lugar na equipa titular.

Para mim, a qualidade demonstrada por esses jogadores, todos eles da formação é a nota mais saliente do Girabola. A par disso, voltamos a mergulhar nas crises de fim-de-época, com clubes a tentarem greves, boicotes e tudo o resto. Ou seja, mais uma vez a verdade desportiva foi questionada, colocada à prova. É altura de se acabar com esses problemas, dão uma imagem triste à competição, faz mal à marca Girabola. Ninguém tem isso em atenção? Ainda que muitos considerem uma aventura, sou dos que acha que chegou a hora de irmos para uma liga. Se ela vai ser disputada apenas por dez ou seis clubes que seja, mas não podemos insistir nessa velha prática de gastar, gastar e não receber nada em troca. Chega essa história de acharmos que o futebol é apenas um divertimento que une o País de Cabinda ao Cunene. Estamos no Século XXI.
TEIXEIRA CÂNDITO

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