Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Honradez dos militares condiciona 11 ttulo

05 de Outubro, 2017
Nos dias de hoje, a grandeza do 1º de Agosto não se baseia na qualidade técnica e honradez dos seus jogadores como acontecia na década de oitenta quando no conjunto militar despontavam nomes como o de Napoleão Brandão, Ângelo, Pedro Garcia, Lourenço, Mateus Cesar, Sabino, Alves, Amândio, Zeca, Ndunguidi, Nsuka, e outros que brilharam nos rubros negros.
Foi com jogadores desta geração que o 1º de Agosto, ganhou os três primeiros campeonatos nacionais (1979 – 1981 ) e tornou-se no primeiro gigante do nosso futebol eassim tercontribuído grandemente em termos de organização para o desenvolvimento do futebol angolano.
Com jogadores do quilate como os dos acima mencionados, os adeptos dos militares habituaram-se às vitórias e estavam convencidos de que a sua equipa era a melhor de todas até que em 1982, o Petro de Luanda, com o Brasileiro António Clemente, no comando, e com jogadores como Panzo, Chico Afonso, Jesus, Bodu, Lufemba, Laika, Melanchnton, Moreno e outros acabou com a supremacia dos militares.
Daí em diante, o 1º de Agosto, só voltou a ganhar o campeonato dez anos depois, isto é em 1991. Depois voltou a vencer em 1993, 1996, 1998, 1999, 2006 e em 2016. Como podemos observar, apenas de 1979 a 1981, os militares conseguiram ganhar três campeonatos seguidos e dois em 1998 e 1999.
De 1981 a 2017, os militares nunca conseguiram montar uma equipa física, técnica e mentalmente tão forte como a que ganhou os três campeonatos seguidos conforme mencionado acima, mesmo ganhando um salário simbólico que ficava muito longe dos 50 dólares!
A faltarem quatro jogos para o fim do Girabola Zap de 2017, os militares do reio seco lideram o campeonato com 58 pontos mais dois que o seu adversário directo o Petro de Luanda, e por isso dependem de si mesmos para conquistarem o 11º titulo nacional.
Mas a grande questão que de certeza preocupa a grande família agostina é: terão os militares estrutura mental, força anímica ou seja honradez para liderar o campeonato até ao fim e chamarem, a si o 11º título nacional?
Sim, nos últimos anos, isto é de 2006 até hoje, o 1º de Agosto, só não ganhou mais de um título porque continua com os mesmos problemas: a falta de estabilidade mental e honradez de seus jogadores. Um grande exemplo disto, foi o que aconteceu em 2007, quando os militares lideravam o campeonato com cerca de 11 pontos de avanço sobre o Inter e acabaram perdendo-o para os polícias!
Aquele “desastre” custou a demissão do treinador IanBrower que havia recuperado o titulo seis anos depois de 1999 e a direção do clube militar ficou tãotraumatizada que foi mudando de treinador, praticamenteanualmente, até a chegada do atual treinador que em três anos ganhou um titulo e tem tudo para conquistar o segundo…
Portanto, não precisamos ser muito entendidos na matéria para perceber que o grande handcap do 1º de Agosto é a instabilidademental, a falta de orgulho positivo e até de ausência de profissionalismo de algunsde seus jogadores, especialmente quando se encontram sobre pressão.
Além disso, incompreensivelmente, os militares não têm um verdadeiro camisola dez, que é sinonimo de goleador mor. Não é em vão que no Brasil por exemplo a camisola dez é entregue ao craque. Foi assim com Pelé, Ronaldinho Gaúcho, Zico… e agora com Neymar.
É verdade que este é dos maiores problemas do nosso futebol a falta de goleadores felinos como Alves, Jesus, Basílio, Sayombo, Flávio, Paulito, André, Amaral Aleixo, e muito recentemente Gelson que foi para o Sporting de Portugal.
Mas uma equipa como o 1º de Agosto, tem a obrigação de ter no seu conjunto os melhores executantes da nossa praça em todos os sectores. A ineficácia do ataque militar é tão clara que nos últimos jogos decisivos foram os defesas que resolveram o problema, como aconteceu diante do Petro de Luanda e do Libolo.
Assim sendo é ponto assente que o corpo técnico do 1º de Agosto, terá de preparar muito bem a vertente psicológica de seus jogadores se quiser ganhar o ganhar este campeonato. Em situações normais a família agostina, não teria de apelar aos deuses da boa sorte para que a sua equipa saia-se bem nos últimos quatro jogos.
Vale lembrar que os militares do rio seco terão de jogar com o Inter, o Asa ( que precisa de pontos como pão para a boca para não descer de divisão ), o Progresso da Lunda Sul e contra o Kabuscorp do Palanca do qual os militares têm sido fregueses nos últimos anos.
Em função desta realidade aos adeptos do 1º de Agosto, só resta esperar pelos jogos e fazer a sua parte: puxar pela sua equipa até onde der. Porque de resto ficará por conta da força anímica dos jogadores que depende muito do nível de honradez, da autoestimaque cada um deles tiver ao longo de tais desafios.
Os jogadores do 1º de Agosto, devem perceber que é uma questão de honra, pundonor, orgulho e de grande responsabilidade representar um emblema como o dos militares do rio seco atendendo a sua grandeza e o numero de adeptos que o clube tem a nível do pais e não só.
AUGUSTO FERNANDES

Últimas Opinies

  • 19 de Agosto, 2019

    Como causar impacto atravs do marketing?

    De facto, para que se crie um impacto forte e eficaz através do marketing desportivo, é indispensável que os clubes e federações deem atenção ao formato comunicativo a ser utilizado.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    Petro escorregou Vasiljevic j era

    O grande Petro já  atemoriza os seus adeptos em poder continuar a fazer travessia no deserto neste seu “hibernar” sem título desde 2009: empatou mesmo depois de o presidente.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    Cartas dos Leitores

    Penso, que não há  muitas alterações  em relação aos candidatos, o 1º de Agosto procura o Penta e o Petro luta para quebrar o jejum de 10 anos, sem conquistar o campeonato.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    Girabola de todos

    Soltaram-se assobios, no último fim-de-semana. Voltou aos palcos nacionais, o futebol de primeira grandeza. Ou seja, o campeonato nacional da primeira divisão, o nosso Girabola.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    O segundo pecado da FAF

    A direcção de Artur Almeida e Silva acaba de cometer o segundo pecado, na gestão dos destinos da Federação Angolana de Futebol(FAF). O primeiro, assenta na desorganização que já a caracteriza.

    Ler mais »

Ver todas »