Jornal dos Desportos

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Opinio

Honras ao Africano de hquei em patins

09 de Março, 2019
Tal como aconteceu há pouco mais de cinco anos, quando o país teve privilégio de testemunhar a elite do hóquei em patins, com a organização do Campeonato do Mundo, ganho pela Espanha, o nome de Angola volta novamente a ser propalado pelos quatro cantos. E tudo porque os angolanos voltam a dar um exemplo do quão eficiente têm sido em termos de organização de eventos, agora com o “Africano” da modalidade.
É verdade. A realização dentro das nossas fronteiras de provas como os II Jogos da África Central em 1981, de Campeonatos de Basquetebol, assim como a realização de uma das edições da Taça Africana das Nações em futebol, além do já referenciado Mundial de Hóquei justificam bem este nível que se atribui ao país em termos de organização de eventos. Por isso, mais uma vez o nome de Angola surge na baila. A organização deste Campeonato Africano das Nações de hóquei em patins, por Angola, acaba por ter um sabor especial por ser o primeiro do género a ter lugar no continente Berço da Humanidade e por as honras do mesmo caberem ao nosso país.
Iniciado ontem, este “Africano” conta apenas com a participação de três países, pois além de Angola competem ainda o Egipto e Moçambique, que a par do nosso país é outra das potências do hóquei em patins no nosso continente.
O número reduzido de participantes não retira a expectativa deste “Africano”. Antes pelo contrário, sendo uma prova selectiva ao Campeonato Mundial, cada um dos conjuntos intervenientes procura dar o melhor de si, com vista a atingir esse objectivo supremo. Angola e Moçambique, que disputam amanhã o jogo mais aguardado do certame, acabam por ser, na verdade, os mais sérios candidatos à conquista do troféu e concomitantemente à qualificação à grande montra do hóquei mundial, que tem lugar de 7 a 14 de Julho deste ano em Barcelona, Espanha.
É importante realçar, nesse particular, que apenas o vencedor desta primeira edição do “Africano” de Hóquei em Patins assegura o apuramento directo para “elite” mundial da modalidade que este ano volta a ter como palco a cidade espanhola de Barcelona.
Pela Europa, já estão apuradas para o Campeonato do Mundo deste ano, as selecções Portugal, Itália, França, ao passo que pela América, a Argentina, Chile e Colômbia.Para esta primeira edição do “Africano” das Nações de hóquei em patins, Angola que no último Campeonato do Mundo quedou-se na última posição, conta no xadrez da equipa com jogadores que evoluem particularmente no “Velho Continente”, a Europa.
São os casos de João Pinto “Mustang” (Sporting de Portugal), Humberto Mendes “Big” (Noia de Espanha) e Matin Payero (Liceo de la Corunha), assim como André Centeno e Francisco Veludo, que evoluem em equipas da Itália. No meio desses craques que evoluem no estrangeiro, há ainda a destacar no conjunto orientado por Fernando Fallé nomes como os de Argentino Agostinho “Tino Boy”, Adilson Diogo “Py”, Francisco Duarte “Chipico”, Anderson Silva “Nery” e outros, que evoluem no país. Por outro lado, é também relevante referir aqui que desde a edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins, realizado em Nanjing, China, passaram a existir três divisões da grande montra da modalidade, além da principal, no caso a Taça FIRS (II Divisão) e a Taça das Confederações ((III Divisão), respectivamente.
Além da chamada “elite” mundial, no evento que se disputa em Barcelona em Julho deste ano, a prova contará com a “Intercontinental Championship” e “Challenger\'s Campionship”, designações por que passam a ser chamadas a segunda e terceira divisões. Sendo assim, nesta primeira edição do “Africano” que Angola alberga devido a desistência de organização por parte de Moçambique, as três selecções participantes marcarão presença em cada uma das divisões em função da classificação que obtiverem.
O novo modelo de qualificação para o Mundial saiu do congresso da World Skate, realizado em 2017 na China. No período compreendido entre 1984 e 2015, as edições do Mundiais de Hóquei em Patins eram divididos em dois escalões, A e B.
Nesses moldes, a divisão A era disputada pelas 16 melhores selecções mundiais, enquanto a B, que era bastante contestada, pelas restantes equipas nacionais. De 1982 à presente data Angola teve uma sequência de participações em Campeonato do Mundo e saltando ainda à vista, nesse particular, o que organizou dentro da suas fronteiras em 2013, nas cidades de Luanda, capital do país, e Namibe.
Os angolanos têm, ainda, um registo de participações honrosas em grandes montras do hóquei em patins mundial. Realce, nesse aspecto, para o quinto lugar alcançado na prova disputada em Nanjing, China, em 2015, e o sexto em Vigo, Espanha, em 2009.Isso faz com que o país se afirme com uma potência mundial, um desiderato que conquistara por mérito próprio e sem precisar de favores de quem quer que seja.
Por isso, o jogo de amanhã que cerra as cortinas desta prova é aguardado com tamanha expectativa dos amantes da modalidade e do desporto, de uma forma geral, depois da goleada de 30-0 que os angolanos aplicaram ao Egipto, na estreia. Veremos... Sérgio V.Dias

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