Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Houve abuso de poder no "negcio da Casa"?

04 de Março, 2019
No artigo da semana passada, levantei a questão de saber como, por quanto e em nome de quem foi alienada a Casa dos Desportistas da Ilha de Luanda, uma instituição estatal que depois passou, sem concurso público, a mãos privadas. Insisto hoje na questão.
Faltou dizer, melhor dito, questionar, se quem operou ou mandou operar a alienação não terá incorrido na suspeita de crime de abuso de poder punido pela Lei da Probidade Pública.
E insisto porquê? Porque a Casa dos Desportistas faz falta à toda a nossa \"sociedade desportiva\". E, desde já, se arbitrariedade alguma houve, então defendo que o actual Executivo, que está olhar para o Desporto com boas intenções \"resgate\" o empreendimento pelos meios administrativos ou legais que poder utilizar.
Confio na capacidade de questionamento que está a ser feito por todo o corpo Executivo do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, no que aos actos contratuais mal feitos dizem respeito. É sinal de que quer materializar... tudo de bom para o País, singularmente, neste campo social, que é o desporto
Na verdade durante, a sua campanha, e após o anuncio da sua vitória nas eleições gerais de 2017, e nas intervenções que fez, durante e após a tomada de posse, exaltou as promessas que, agora, o povo quer ver concretizado em todas as esferas da vida nacional até 2022 se - pois claro - o Governo que lidera estiver em funções até lá.
Entre o muito que prometeu, na tal áurea de corrigir o que está mal e melhorar o que está bem, colocou acento tónico em duas questões que podem, de facto, fazer Angola andar sobre os carris do desenvolvimento: quer servidores públicos e competentes e almeja ver luta cerrada sobre um mal que esfrangalha a nossa terra que é...a corrupção!
João Lourenço certamente para prometer tudo isto, olhou para atrás, avaliou os males que brotaram do consulado do seu sucessor - José Eduardo dos Santos - para corrigir e fazer o melhor. E a Casa dos Desportistas foi alienada no consulado deste e nada foi questionado.
João Lourenço, nas urnas, teve o beneplácito do povo e então é bom que aposte em mesmo gente competente; aquela que tem efectivamente faculdades para cumprir as atribuições para determinadas missões, determinadas tarefas, determinadas funções, particularmente na gestão social, política e económica do desporto.
O gestor desportivo recomendável e que se recomenda tem de ter habilitações técnicas e profissionais, provadas nas academias ou escolas técnicas, para, assim, subverter, o engodo dos compatriotas que só estão, ou sempre estiveram, em patamares altos de aliciantes departamentos ministeriais a reboque do nepotismo, dos males da oligarquia não formalizada, da bajulação de caserna, da intriga, do \"lambe bota\", para, como que às escondidas, alienarem o que é público, em proveito pessoal.
João Lourenço e a sua equipa está a \"travar estas jogadas\". Tem apoios. Recordo-me que nos últimos dias da sua campanha eleitoral o Presidente da República, João Lourenço, foi visto num \"rendez-vouz\" com a família desportiva, a fim de receber subsídios sobre como deve ser o desporto no seu mandato.
Houve dirigentes modestos nos seus discursos. Sobressaíram os que falaram sem falsos floreados, como o Tomás Faria ( presidente do Petro de Luanda), o Mário Torres ( do Desporto Escolar), a Odete Tavares (andebolista) e igualmente o jornalista Vaz Kinguiri, porque apontaram tecnicamente caminhos para o que deve ser a nova maneira de fazer desporto. Estiveram lá ainda Gustavo Conceição, Leonel Pinto e outros.
Toda esta gente, ainda que em surdina, levantaram, depois, questionamentos sobre o destino da Casa dos Desportistas para mãos particulares, para um enriquecimento sem causa.
Como se sabe, a Casa do Desportista possui 64 quartos, 32 dos quais com capacidade para cinco camas cada para servir agentes desportivos. Na altura em que foi alienada cobrava-se, por quarto simples, o valor de 6.000.00 kwanzas. A suite com cama dupla 7.000.00 Kwanzas, enquanto a de casal está avaliada em 9.500 Kwanzas. António Félix

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