Jornal dos Desportos

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Opinio

Hquei em patins merece respeito!

11 de Agosto, 2018
É pertinente abrirmos um espaço hoje para, com o amigo Sérgio Vieira Dias, escrevermos, \"a duas mãos\", algo sobre uma modalidade bastante representativa. Suis generis. Particular e com características próprias. A modalidade de hóquei em patins, merece muito respeito.
Convenhamos, não é muito fácil essa abordagem que nos propusemos fazer. É que o hóquei em patins angolano, carrega uma mística muito grande e, foi das primeiras porta-estandarte deste País. Muito cedo fez hastear a nossa bandeira e ouvir o nosso “Angola Avante” além-fronteiras, particularmente na Europa, onde, na altura, precisávamos nos vincar forte, quer em termos de diplomacia desportiva, como de afirmação. E isso, com implicações positivas na vertente política, cultural, social e outros.
Angola, vivia o período mais amargo da sua história. Logo após a conquista da Independência Nacional, os momentos conturbados com que nos deparávamos, inspiravam cuidados mil, para evitar a derrocada.
Apesar de tudo, o caos se instalou, mas, ainda assim, o hóquei em patins foi das modalidades que se manteve em pé, rolando e com um sentido patriota de se lhe tirar o chapéu. Stikava forte para a conquista da dignidade de um povo.
Talvez pelo período passado que se caracterizava na paixão que os portugueses tinham deste desporto, a herança deixada foi de facto boa, com os nacionais a abraçarem o desafio e não deixarem a modalidade morrer. Foi difícil mas conseguiu-se. Bastos de Abreu, João Cruz e outros dirigentes ligados à uma modalidade evoluída, seguraram o leme e proporcionaram que, mesmo no limiar da República, continuassem a participar, agora com identidade própria, nas provas internacionais e mundiais.
Jogadores como Fragata, Olim, Damásio Júnior “Kaisara” (a nossa coqueluche), Toy Gaspar, Chupita, Mamikua, Martin Payero (argentino naturalizado angolano), André Centeno, Pedalé e tantos outros, representam aqueles que, ao longo do tempo e até agora, fazem a história de uma modalidade que merece o respeito de todos nós.
A justificar isso, em 1982, na localidade de Barcelos, Portugal, Angola marca a sua primeira presença num Campeonato do Mundo, onde, a partir de então, passou a fazer parte da elite, voltando em 1986 (Sertãozinho-Brasil); em 1988 (Corunha-Espanha); em 1989 (San Juan-Argentina); em 1991 (Porto-Portugal); em 1993 (Bassano-Itália); em 1995 (Recife-Brasil); 1997 (Wuppertal – Alemanha); 1999 (Reus-Espanha); 2001 (Novamente San Juan-Argentina); 2003 (Oliveira de Azeméis- Portugal); 2007 (Montreux-Suíça); em 2009 (Vigo-Espanha); 2011 (em San Juan-Argentina), até que, em 2013, o nosso País teve a “ousadia” de organizar, nas cidades de Luanda e Namibe, essa prestigiada competição; 2015 em La Roche-Sur-Yon (França) e, por último, em 2017, em Nanjing (China). Para além de vários terceiros e quartos lugares obtidos em várias edições do Torneio de Montreux, onde o combinado nacional participa regularmente.
Entretanto, o quinto lugar alcançado no campeonato Mundial de Nanjing, China, em 2017, acaba por ser a melhor classificação conseguida, sem esquecer, obviamente, a sexta posição no Mundial disputado em Vigo, em 2009, acabando por ser um dos feitos relevantes para o nosso combinado nacional, que se prepara agora para o Campeonato Africano da modalidade, a ter lugar em Maputo (Moçambique), em Novembro próximo.
Em 12 de Abril de 1982, Angola registou a derrota mais pesada, diante de Portugal, por 1-21. Aos, 18 de Outubro de 1992, registou a sua vitória mais avolumada, 39-1 “espetada” à Índia.
Verdade seja dita, tem sido difícil para o continente se impor, na medida em que, a nível interno pouco ou nada se faz. A modalidade progride pouco, por ter igualmente poucos países praticantes. Na competição de Maputo, que decorrerá de 9 a 11 de Novembro, por exemplo, apenas o nosso País, os anfitriões e mais o Egipto e África do Sul irão competir. Uma safra fraca de países, que justifica a pobreza franciscana em termos de praticantes, de uma das modalidades mais espectaculares do universo desportivo.
Vários esforços foram tentados já por Angola e Moçambique, no sentido de revolucionar a modalidade em África e procurar que o continente tenha uma maior representatividade maior nas competições mundiais. Mas, se tem visto que, para além de ser fácil, na sua maioria saem gorados. Moçambique, por exemplo, trilha caminhos iguais a Angola também. Desde 1978, de forma alternada, participa nos mundiais da modalidade. A sua melhor classificação foi o 4º lugar alcançado em 2011, em San Juan, Argentina.
Por isso, apesar de este \"Africano\" de Maputo ser como que o lançar da semente competitiva no continente, deve-se encarar com imensa responsabilidade até porque, pelo que se sabe, será qualificativo para os Jogos Mundiais de Barcelona, em 2019, aliás uma prática que será agora regra. Ou seja, de acordo à regras estabelecidas pelo Comité Internacional de Rink-Hóquei, os apuramentos passam a ser garantidos através de eliminatórias continentais, sendo esta, de resto, a primeira vez que é organizado pela Federação Africana de Patinagem.
Angola tem assim responsabilidades acrescidas, na sustentabilidade desta modalidade representativa e que tem agora que se esmerar para, no \"Africano\" de Maputo, conseguir o apuramento para estar em Barcelona, no próximo ano.
Por outro lado, nota-se a olho nu que a modalidade empobrece. Desaparece. Não se revitaliza. Não tem chama. E isso, convenhamos, pode ser muito perigoso para manter em alta uma modalidade, que tem ainda muito a dizer, principalmente em África, que se organiza em provas continentais de apuramento aos palcos competitivos mundiais.
Há que acordar e rolar os patins para frente, com stikadas fortes na bola. Bem-haja!!!
MORAIS CANÂMUA

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