Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Huambo d exemplo!

21 de Janeiro, 2019
Ao aceitar acolher proximamente o primeiro berçário do ‘minibasket’, o Huambo dá exemplo de papel-modelo, proficiência e sinergia, bem assim como mostra vontade de integração regional. Em um simples ‘sim’, seguido de ‘feliz coincidência’, era selado aquele momento e o entendimento que o Estado deve ter quando não tem outro jeito: tratar de levar a água ao seu moinho.
Quarta-feira, 16 de Janeiro, cheguei a duvidar que o Planalto Central agarrasse com duas mãos uma oferta de mão beijada que haveria de fazer felizes a muitíssimos mais. Ainda à espera de um desfecho, porém após hora do fecho da edição, acabei por mentir e aqui me devo retractar. Realmente ao cair da noite, os Directores Provinciais da Educação e da Juventude e Desportos receberam o porta-voz da co-organização do ‘clinic’. Peço a ambos os servidres públicos em causa, as desculpa e faço a rectificação.
Trata-se de uma iniciativa da Osipipi Limitada, conjuntamente com a Associação Nacional de Treinadores de Basquetebol de Angola (ANTB-Angola). A Luanda trazem a selecionadora portuguesa de sub-14 e professora da escola de formação da federação portuguesa da bola ao cesto, Teresa Barata.
Este curso de nível 1, dado na óptica da iniciação e do ‘minibasket’, contem uma parte teórica, com destaque para o planeamento anual e a organização do treino, assim como prática, com realce para a técnica individual ofensiva, o minibasket e a técnica individual defensiva. A sessão, com início às 9 horas, será interrompida às 12:30 e retomada às 15, até ás 18:30. O primeiro dia será a 5 de Fevereiro, no Huambo, e 8 de Fevereiro, em Luanda.
O segundo e último dia do ‘clinic’, a 6 e 9 de Fevereiro, respectivamente no Huambo e em Luanda, terá incidência nas relações técnico-tácticas ofensivas e defensivas, contra-ataque e recuperação defensiva, para além de tratar da preparação física e prevenção de lesões, e da arbitragem apropriada ao escalão. A jornada irá das 9 horas até às 19.15.
No Huambo, o palco escolhido para os dias 5 e 6 próximos não poderia ser outro, senão a melhor estrutura local de sala coberta: o pavilhão multiusos “General Osvaldo Serra Van-Dúnen”. Em Luanda, nos dias 8 e 9, o cenário será igualmente inspirador para todas as gerações, desta feita no Clube Primeiro de Agosto e mais adentro, no pavilhão “Jean Jacques da Conceição”.
A questão que se poderá levantar será a da validade ou importância desta formação, na medida em que a mesma seja ou não reconhecida pela FIBA, independentemente da entidade que promova essa ‘certificação internacionalmente reconhecida ou válida?’. Do mesmo jeito, os participantes que aspirem a treinador do nível 1, ficarão legitimados a treinar - nesse nível exclusivamente - e em qualquer clube ou associação do País?
Para além de uma certa força da lógica, a certificação de uma professora do nível 1 de uma escola da modalidade de uma federação da Europa é, à partida, credencial suficiente para poder haver uma aprofundar imenso do saber científico do treino de crianças no basquetebol.
Numa época de frequente recurso para muitos jovens de ambos os sexos, a um treinador pessoal (‘personaltrainer’), estes próximos formandos de ‘minibasket’ poderão ainda animar e ajudar a criar círculos de interesse em condomínios e agregados residenciais onde haja condição para realizar actividades com crianças dentro das normas de segurança existentes e aprovado pela administração local.
Esta iniciativa, que se há-de repetir em Luanda, após o Huambo, vai possibilitar que das vizinhas províncias do Bengo, inclusive Cabinda, Cuanzas Norte e Sul, Malange, Uíge e, até, Lundas, possam vir um par ou somente um inscrito. A oportunidade apresenta-se excelente, mas o tempo não é suficiente e a esperança é que seja um êxito, para que num futuro próximo possa vir retomar a mesma, ou outro formador.
A questão da uniformidade e homologação, estão por enquanto fora de questão; à nossa frente está, na versão da organização, um evento denominado “ ‘Seminário para Monitores e Professores de Educação Física’, que são os responsáveis pela descoberta do talento e ao mesmo tempo, iniciar o ensino da técnica da nossa modalidade”, pode-se destacar do texto de apresentação do ‘clinic’.
“Dada a ainda fraca densidade demográfica e desportiva do nosso País, não podemos desperdiçar o talento que surge e que algumas vezes perdemos por não termos agentes desportivos capacitados para

EDUCAR, FORMAR
E TRANSMITIR VALORES
que serão úteis para a vida escolar, desportiva e também no futuro profissional da criança”, conclui o manifesto dos co-organizadores, Osipipi Limitada e a Associação nacional de Treinadores da bola ao cesto.
Trata-se de uma formação apropriada para os treinadores da iniciação em geral, mas em absoluto para aqueles do basquetebol, os professores de educação física, os monitores e os coordenadores desportivos nos bairros, comunas, clubes, associações e delegações do governo, mas também árbitros e quadros afectos ao movimento desportivo e à modalidade sobretudo, interessados no ‘minibasket’.
Se as nossas crianças puderem iniciar a sua educação física e desportiva aos 8 anos, até aos 12 anos, poderá haverá um resultado próximo da explosão nacional do ‘minibasket’, das proporções que já havia atingido o andebol jovem escolar em ambos os sexos, ou o projecto radiofónico de futebol “Caçulinhas da Bola”, eventos esses ocorridos em Angola nos anos Oitenta.
A outra nota saliente daquele cair da noite, na Cidade-viva, em 16 de Janeiro, foi o facto de aqueles responsáveis da Educação e dos Desportos do Huambo andarem ligados a uma iniciativa para voltar a cultivar o basquetebol no Planalto Central. Por sinal, Benguela e Bié são províncias da mesma linha férrea e rodoviária, que podem criar um eixo de desenvolvimento profícuo, em comparação a outras latitudes do território nacional.
Além da sinergia, o Huambo aparece como mola impulsora em projectos de âmbito integrador da região. Quando ali aterrara de manhã, no aeroporto “Albano Machado”, o porta-voz dos promotores já levava consigo o prévio acerto com os Directores Provinciais da Educação e da Juventude e Desportos, de Benguela e do Bié, dispostos a convergirem para a capital do Planalto Central.
Juntar a Huíla aos demais será um êxito de participação. Nos últimos tempos têm vindo dali, bem como do Namibe, sinais de que o basquetebol jovem e de ambos os sexos já se mexe a partir dos 12 anos. Entretanto e em qualquer uma das províncias interessadas no ‘clinic de minibasket’ com possibilidades de se deslocarem ao Huambo, ou a Luanda, devem começar os seus esforços junto da respectivaDirecção Provincial da Educação, e ou da Juventude e Desportos.

FRENTE AMPLA
DE LÉS-A-LÉS

O fenómeno da integração regional ou dos serviços ainda é uma resposta pouco usual em Angola às crises funcionais, e a solidariedade mecânica da sociedade não está suficientemente incutida ainda. Margens crescentes de tolerância para actosde negligência, indulgência e incompetência já atingem níveis absurdos em organizações. O nosso Estado tem esse lado fraco, marcado pelas faltas de rigor e de fiscalidade. E não seria precisa mais autoridade nem coercividade, além daquilo.
Olhando, agora, para o pós-‘clinic de minibasket’, importa o país engatar essa marcga e readquirir o espírito da formação e da entreajuda entre associações desportivas e personalidades que, inclusive no sector privado, adiram a soluções mais expedientes que a longamente prometida a esperançosa lei de mecenato cultural. De outra forma, este poderá ser um embrião para um ponto de partida de futuros clubes municipais e comunais que dia terá que haver.
Outra questão que mais adiante poderá ocorrer será a reivindicação de um estatuto social do agente cultural desportivo, equiparável à do artista musical ou plástico no conceito das profissões artísticas em matéria de subsídios. O técnico desportivo deve ter uma aceitabilidade social e grau de reconhecimento equivalente ao do professor, ou do pároco, por exemplo, algo que o valorize pelo proveito comunitário do seu saber desportivo e promoção social do bem-estar.
O desporto é das áreas onde a sociedade e o mercado tardam a acertar o passo com o tempo das vacas magras. Tal como a bolha imobiliária, o desporto em Angola luta para não sair duma bolha que já a melhor pagadora de salários em África, no andebol, basquetebol e, até, futebol.
Actualmente, atletas e dirigentes, sobretudo, não se conseguem livrar de altos honorários e mordomias em excessivo desvio-padrão, da norma e do mercado. E este elevado custo tem estado a custar muito mais.
Fez vem o Huambo, agarrar com as duas mão uma oferta de mão beijada. O sentido de missão deve despertar em cada cidadão e associação, o desejo de deixar algum legado às gerações vindouras. E sem isso o desenvolvimento só passará por nós episodicamente, mas sempre volátil.
A terminar e não por menos importância, é altura de os subsídios para os tempos livres da juventude serem pagos a entidades culturais capazes de dar actividade sadia e proveitosa aos jovens, de preferência cultura física e recreação, mais desporto.
Huambo dá exemplo, a seguir quem virá?
Arlindo Macedo

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