Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

cones que nos fazem chorar

02 de Setembro, 2017
Nesta conformidade, prometo fazer uma gestão apertada das emoções, e discorrer o tema sobre os nossos “ícones” que nos inspiram, e que num passado não muito longínquo provocaram satisfação e orgulho a todos nós e de muito boa gente.

Cá entre nós a lista é enorme e interminável, pois, muitos são os que deram o seu contributo para a elevação desta vertente social.

Isso porém, não está em causa. O que é relevante, verdade seja dita, é e foi sem dúvidas o contexto em que tiveram lugar. O momento.

Começo por remeter-me apenas e só ao período pós-independência, que tivemos particularmente no futebol, verdadeiros ícones que preenchiam o ambiente de trabalho de qualquer plataforma. No caso, era a nossa Angola que acabava de proclamar a independência.

Estamos a falar, por exemplo, de futebolistas que ouviram o grito de regresso, acorreram à caravana “havemos de voltar”, em que integravam craques da igualha de Eduardo Laurindo, Joaquim Dinis “Brinca N’areia”, Benje, Juvenal, Raul Águas, Sabú, Jaime Pavão, Joaquim Santana, Ferreira Pinto e tantos outros que se juntaram aos que aqui no País já faziam furor, como são os casos de Arlindo Leitão, Gomes, Vinhas, Alves, Augusto Pedro, Praia, só para citar alguns, pois, se tivesse de citar a todos, ia preencher de certeza o espaço que me está reservado, apenas com nomes notáveis.

De seguida foi reerguer e construir solidamente a pirâmide desportiva, para manter a vitalidade de uma área em que a própria governação de então do novo Estado entendia que era de suma importância para o projecto Nação, unidade nacional e a manutenção prática do slogan: “um só povo; uma só nação”. Era imperioso manter a integridade de um País que se livrava das agruras de 500 anos de colonização. Era imperioso caminhar, a partir de então, sozinhos. Era imperioso construir a nossa Pátria, também com o futebol.

Ninguém se sentiu rogado e todos deram o seu contributo. Disputaram-se jogos, torneios, campeonatos. Surgiram jogadores mil, e lá fomos andando. Abro um parêntesis para destacar, na fase a seguir, o regresso dos angolanos que por razões da guerra colonial dos anos 50 e 60, os seus progenitores preferiam refugiar-se nos Congos para salvaguardar a vida. Maluka, Zandu, Fusso, Nzuzi André, Vicy, Sarmento, Daniel, Vata, Bodu, Haia, Mavó, Kiala são alguns dos nossos irmãos que vieram dar um toque especial, reforçar a nossa angolanidade futebolística. Claro que aqui emergiram outros valores como Santo António da Virita, Salviano, Ndunguidi Daniel, Chico Afonso, Mascarenhas, Ndongala, Julião Kutonda, Chinquito, Rola, Sabino, Jesus, Zeca, Amândio, Gino, Loth, Mané, Kapeló, Manecas, Lúcio, Luís Cão, Abreu “Flexa de Caxito”, Antoninho, Ângelo, Napoleão, Basílio, Lucas, Pepé António, Ivo, Barbosa, Abel Campos, enfim, entre outros…

E, com o surgir de gerações vieram outros e outros, como Akwá, Mantorras, Flávio, Gilberto, Luís Cazengue “Luisinho”, Paulo Tomás, Kaly, Figueiredo, Johnny, Quinzinho, Figueiredo, Paulito, Mendonça, Gilberto, Lamá, Chinho, enfim…. Verdadeiros craques que hoje apesar destas referências como ícones, praticamente, não lucraram absolutamente nada!

Muitos deles representaram vezes sem conta as cores nacionais, hoje, infelizmente, não são tidos nem achados mesmo com a responsabilidade de serem referências obrigatórias para os jovens da actualidade. Aqui, refiro-me à Segurança Social, um instrumento que em minha opinião devia ser accionado para salvaguardar os interesses individuais destes que ontem jogaram “por amor à camisola”, quer a defender as cores dos seus clubes, quer da selecção nacional.

Não é digno que jogadores que ontem representaram com brio a Selecção do País, hoje, acabem pedintes nas ruas, para sobreviverem.

Não é digno que as nossas referências futebolísticas que incentivaram gerações subsequentes, na maioria dos casos acabem sem uma Pensão condizente, e sem o devido reconhecimento. Não é razoável que se aceite isso, quando sabemos que há inúmeras possibilidades de se lhes devolver a dignidade, o respeito, e proporcionar-lhe o tributo merecido.

Foi em condições dificílimas que se fazia particularmente o futebol, naquela altura. Consta-se que muitos atletas de então tiveram de jogar em “campo minado”, e muitos outros enfrentarem emboscadas, já que eram arriscadas as viagens rodoviárias para o interior do País. Os tempos eram duros, e foi com essa dureza que os bravos fizeram o futebol crescer e acreditar em cada dia, que dias melhores estariam por vir.

A primeira presença de Angola no CAN da África do Sul, em 1996. A conquista do título africano de futebol, na categoria de Sub-20, em 2002, e consequente presença no Campeonato do mundo da categoria, na Argentina. A presença de Angola no Campeonato do Mundo de Futebol, em 2006, na Alemanha, e a Organização pelo nosso País do Campeonato Africano de Futebol, em 2010, além de outros feitos relevantes, acabam por ser o maior alento para as gerações anteriores, que serviram de rampa de lançamento para incentivar às vindouras. Ninguém, pode comparar os feitos. Há que se ter a hombridade de reconhecer que a áurea daqueles, justifica a audácia e perspicácia destes, que esgrimiram a ousadia em determinado momento.

Hoje o recado fica, para que os ícones do nosso futebol sejam sempre reconhecidos, porque foram verdadeiros heróis “a custo zero”, com bravura, estoicismo, coragem e sobretudo patriotismo souberam dar a alma ao nosso futebol, cujo legado passado à uma juventude que hoje ganha mundos e fundos, diga-se….infelizmente, não está a ser a que se esperava, pois, não é bem interpretada….


Pensão merecida aos ex-desportistas



A segurança social, regra geral, é definida como a protecção que a sociedade proporciona aos seus membros, através de uma série de medidas públicas, que de uma e outra forma pode ocorrer pela supressão ou redução substancial dos rendimentos, em consequência de doença, acidentes de trabalho, desemprego, mortes ou outras causas.

Ela é entendida, igualmente, como uma protecção social obrigatória, circunscrita a uma realidade assumida pelo Estado, cuja importância incide em quatro vectores essenciais, no caso específico de ordem económica, social, jurídica e política.Por essa razão, a segurança social deve, indiscutivelmente, abrangir toda e qualquer esfera da actividade profissional.

No caso particular do fenómeno desportivo, à semelhança do que acontece com outras esferas da actividade laboral, o Estado devia criar, igualmente, uma política de inclusão para recompensar os antigos praticantes de qualquer modalidade.

É ponto assente, que o sistema de segurança social no país é composto por conjunto de pressupostos de carácter contribuitivo, como dos regime dos trabalhadores por conta de outrem, conta própria, dos membros de confissões religiosas, entre outras, mediante o cumprimento de “itens” de deveres e o direito à prestações definidas por lei.

Nesse sentido, é imperioso reconhecer, claro está, que os ex-atletas ou desportistas de uma forma geral merecem também serem agraciados com uma recompensa, por tudo que fizeram enquanto estiveram no activo.

Uma vez que a segurança social atenua os efeitos de redução dos rendimentos dos trabalhadores nas situações de falta ou diminuição da capacidade laboral, na velhice, no desemprego, e em caso de morte, deve-se garantir a sobrevivência dos seus familiares.

No caso do desporto, é óbvio que a recompensa ia resultar da actividade exercida pelos antigos praticantes das diferentes modalidades, dentro e fora das nossas fronteiras.Por essa razão, julgo ser lícito, ainda, o ponto de vista do presidente da Associação de Antigos Futebolistas de Angola, Joaquim Diniz “Brinca N’areia que defendeu, há cerca de dois anos, a necessidade da criação de um fundo de segurança social do jogador.

Numa entrevista concedida à Agência de Notícias Angola Press (Angop), no âmbito dos 40 anos da Independência do país assinalados a 11 de Novembro do ano de 2015, e publicada também numa das edições deste jornal, o ex-internacional angolano expressou a preocupação das dificuldades sociais que muitos ex-atletas enfrentam.

Joaquim Diniz referiu na qualidade de presidente desta Associação, a problemática dos ex-jogadores consta do rol de preocupações da instituição que dirige, para encontrar as formas de ajudar essas pessoas que vivem imensas dificuldades.

O discurso assumido pelo antigo craque das formações do Atlético Sport Aviação (ASA), do Sporting e FC Porto, estes dois últimos emblemas da Liga Portuguesa de Futebol, deve fazer mossa no seio do nosso associativismo desportivo.

Digo isso, por não ser justo permitir que muitos dos ex-praticantes das distintas modalidades, como é caso de João Diniz e outros ícones do desporto angolano, não usufruam nada por aquilo que fizeram em prol deste fenómeno no país.

Deve-se reconhecer os feitos dos antigos praticantes das diferentes modalidades desportivas no país, e dar-se-lhes a devida recompensa.
Durante a realização da I Conferência Nacional do Futebol, em tempos no país, focou-se muitos aspectos ligados à modalidade, como o da constituição de uma Liga e ou outros, mas este assunto da pensão dos ex-atletas passou despercebido.

O Estado, em parceria com várias Associações e Federações desportivas, deve traçar estratégias para viabilidade do processo, com vista a salvaguardar o futuro de muitos ex-atletas que ajudaram a elevar o nome do país para lá das nossas fronteiras.Este seria um grande tributo para os antigos desportistas. Actuar nesse sentido, seria “ouro sobre o azul”, uma vez que por qualquer actividade exercida, o seu executor merece uma recompensa para o efeito.

As lendas devem ser reconhecidas enquanto vivas, no activo, e não a título póstumo, como ocorre com frequência em Angola.A meu ver, essa perspectiva não se restringe tão somente ao futebol e ao desporto em particular, mas deve circunscrever-se em todas as esferas de actividade, como a cultura, política e outras.

É reconhecidamente triste a situação de muitos ex-atletas e desportistas angolanos, hoje remetidos à penúria. É imperioso, e isso está bem claro, que se dê uma atenção mais significativa aos ícones das diferentes modalidades desportivas.

Creio ser uma exigência mínima, mas também não deixa de ser verdade, que muita boa gente ligada ao dirigismo desportivo nada faz para o efeito.

Penso que expûs aqui uma realidade, que deve ser tida em conta, por quem de direito.

O Estado tem uma palavra a dizer no meio de tudo isso. E ,como soe dizer-se, é imperioso que se dê a César o que é de César.
Tenho dito!...

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