Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Imitar nunca fez mal

28 de Janeiro, 2019
Sou a favor da formação. Por isso desde muito cedo neste exercício, em particular no jornalismo desportivo, me juntei a legião dos que abominavam a cultura dos grandes clubes: contratar, contratar sem olhar a critérios nem a qualidade dos contratados. À parte os dois clubes que nunca tiveram um projecto estruturante, Libolo e o Kabuscorp, todos os outros grandes adoptaram a determinada altura o esquema da contratação em massa.
Digo esquema, porque deixou de ser uma simples necessidade de melhorar os planteis e passou a ser negócio. Um negócio que envolvia presidentes, treinadores e funcionários com influência nas direcções dos clubes. E até alguns jornalistas também entraram no esquema de intermediários. Por conta dessa cultura, os Palancas Negras ressentiram da falta de qualidade. E todos nós lá íamos gritando pela falta de qualidade dos Palancas como se ela surgisse do nada.
À chegada de Carlos Hendrick à direcção do 1º de Agosto significou um corte, não total, mas o suficiente para dar expressão ao futebol de formação. De repente, a equipa militar começou a \"vomitar\" talentos. Hoje, dá gosto ver uma partida na qual sobressaem jogadores da cantera, como dizem os espanhóis. Ganha o 1º de Agosto mas também os Palancas.
Show é, sem dúvidas, uma certeza na equipa nacional. Nelson da Luz e Mário podem aspirar um lugar num futuro não muito longínquo. De Gelson Dala é um assunto arrumado. Gogoró não conseguiu impor-se na equipa principal por conta de Geraldo e outros. Portanto, a formação sempre foi o caminho. Tomara se o Interclube fosse dirigido por um Carlos Hendrick. Tomara se o Petro de Luanda tivesse mantido a filosofia da formação como sempre o fez, antes de ser assaltado por gente que só queria encher o bolso. Encheram tanto que deixaram o clube de rastos, prejudicando um todo.
De qualquer modo, pode voltar a concentrar os esforços na formação, ainda que isso signifique ficar uma década sem títulos. Pelos menos há uma certeza: o futuro está a ser construído e um dia se torna realidade. É preciso não desistir, não correr, cultivar a paciência nos adeptos, e a imprensa especializada pode ser um companheiro nesta política. Oxalá, os clubes pequenos se recolham na sua tentação de imitarem os grandes. Que se voltem para a formação. Imitem o 1º de Agosto, não faz mal a ninguém.
Teixeira Cândido

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