Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Impacto e oportunidades trazidas pelo Marketing de gesto desportiva

06 de Março, 2017
Começo o artigo com uma breve nota. Não sou muito a favor da distinção no marketing. Apesar de nos últimos anos, o marketing ter sofrido um grande desenvolvimento e especialização, na minha opinião marketing é marketing. No marketing, temos problemas a resolver e objectivos a atingir.

Dito isto, a escolha dos meios e ferramentas a utilizar não devem ser considerados como os aspectos mais importantes, e nem é em que nos devemos focar. Ao invés disso, os meios e ferramentas devem ser utilizados como os fins que pretendemos alcançar.

No caso de Angola, faz todo o sentido que o marketing integre a gestão desportiva nacional, independentemente, da modalidade em causa. Em parte, devido ao contexto histórico -económico do país o desporto nacional, sempre foi muito dependente dos dinheiros públicos.

Com a actual crise económica e financeira que grassa o país, com impacto e reflexos nefastos nos vários sectores da vida sócio -económica de Angola, em que o desporto não é “vítima” nem tão pouco “excepção”, as receitas provenientes do O.G.E (Orçamento Geral do Estado) vêm sofrendo sucessivos cortes, ajustamentos e cativações, com efeitos sombrios para o desporto nacional.

A título de exemplo, nos dois últimos anos (2015 e 2016 ), o desporto nacional recebeu do O.G.E, quatro vezes menos das verbas alocadas para este sector, em relação ao ano de 2014. Ou seja, nesse mesmo ano, o desporto recebeu verbas alocadas no valor de 20 mil milhões de kwanzas para as suas despesas, entre 2015 e 2016 as verbas provenientes do O.G.E não ultrapassavam os 5,2 mil milhões de kwanzas, sendo que o peso nas receitas alocadas em relação a outros departamentos ministeriais baixaram de 0,25% em 2014 para 0,7% entre 2015 e 2016.

Embora a procissão ainda vá no adro, continua a existir uma determinada corrente de opinião que defende que o Estado deve alocar mais dinheiro para o desporto nacional, invoca questões de segurança e saúde pública, a verdade é que começa ser cada vez mais consensual, através de opiniões emitidas em ambientes reservados ou mesmo em espaços públicos, com salvaguarda dos respectivos limites, que o desporto nacional deve procurar outras formas de financiamento, e activar outros mecanismos para a sua auto-sustentabilidade financeira.

Aplicar as ferramentas e os meios utilizados no marketing para a gestão desportiva , mostra-se uma aposta ganha, com retornos financeiros em termos de receitas a médio e longo prazos como facto garantido, a julgar pelo que acontece um pouco por todo o mundo.

Associar o desporto a processos e princípios de marketing, proporciona a afirmação de marcas desportivas e cria um elo emocional e de fidelização muito fortes com os consumidores , de forma geral , que de outra forma seria difícil conseguir.

Através do marketing inserido no desporto, os players directos e indirectos do mercado desportivo podem conhecer e lidar com os consumidores ( clientes) de qualquer segmento de mercado, seja de telecomunicações, banca, seguros, grande distribuição e retalho, de bebidas e tantos outros, com vista a criar mais satisfação, valores, atrair e conquistar mais consumidores e proporcionar aos mesmos, experiências únicas de emoção e de consumo, referentes aos produtos, serviços, e bens disponibilizados para o efeito.

É impossível, hoje, não lucrar e facturar por intermédio da paixão, da emoção que os consumidores demonstram em relação às modalidades, e de atletas de eleição. Os estudos feitos, na sua generalidade, atestam que mais de 90 % das receitas obtidas no mercado desportivo, seja na Europa, nas Américas do Norte, e do Sul , e agora, também na Ásia, são provenientes de produtos e serviços relacionados ou promovidos pelo marketing.

Para o leitor ter uma ideia, estamos a falar de valores que rondam os 50 mil milhões de dólares líquidos. Numa fase em que o país faz a “curva apertada” devido aos constrangimentos financeiros que enfrenta, acredito que seja do interesse de todos, sem excepção, até mesmo por ser uma questão de desígnio nacional, que o nosso desporto não perca o “controlo do volante”!

Para o efeito, explorar o marketing no desporto, ir (ou não) por aí deve ser uma questão a ser discutida e analisada com seriedade, por todos os que “vivem e respiram “ desporto. Uma questão que será motivo de abordagem no próximo artigo.
(*) - Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo. Ngongo Bernardo dos Santos

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