Jornal dos Desportos

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Opinio

Imperador Carlos Alves e os craques...de papel

11 de Junho, 2018
Quem não sabe que os golos são a \"vitamina\" dos jogos de futebol, não vive o futebol como fenómeno social contagiante e marcante. Como se sabe o futebol moderno nasceu na Inglaterra, na era oitocentista de há dois séculos e...a palavra inglesa \"goal\" era / e hoje ainda é!) emocionalmente exaltada quando a bola , esse objecto redondo, é encaixada no fundo das malhas, estremecendo às redes quando o seu guarda fica a \"ver navios\", seja penálti cobrado, remates fora da área, enfim.
Há campeonatos com artistas feitos \"maestros\" a marcar o que muitos já fizeram, onde se fala de Eusébio da Silva, Pelé, George Weah, Messi, Cristiano Ronaldo, enfim uma fileira de craques intermináveis. No nosso Girabola já \"gritamos\" por golos .
Quem pelo Mundo está a dar que falar, e há dias pensei nele e na falta que fará à sua selecção é a nova \"maquina de fabricar\" golos - este egípcio Mohamed Sala do Liverpool (grande cidade), quase ofuscando a mediatização de \"Rei\" Leonel Messi e o Imperador Cristiano Ronaldo pela forma como numa só época está a produzir toneladas de golos.
E a pensar nisso voltei, descambei nos nossos craques, os daqui na nossa terra, os daqui do nosso Girabola: comparei-nos àqueles, mas a conclusão é única - a lidarem com a bola e, depois, em termos de faro de golo, os nossos são mesmo...\"craques de papel\".
A prova mais recente e elucidativa está na primeira volta que terminou, onde o líder da lista dos melhores marcadores, Azulão, do Petro de Luanda, apenas facturou onze golos, não se sabendo, agora que reatou a segunda volta, se vai atingir a outra metade ou mesmo ultrapassá-la.
Os nossos craques, isto se são mesmo craques, produzem pouco. Não concretizam sistematicamente as acções de finalização, para marcarem, e, por esta razão, eu apoio sem reservas o que disse-nos, neste jornal, o treinador do Interclube, Hélder Teixeira \"Este é um problema que quase todos os jogadores dos clubes angolanos têm\".
Hélder Teixeira não é o primeiro a reconhecer este \"deficit\" e, foi mais longe, até, quando, confirmou que \"é um problema muito grave que os jogadores stêm\" e, como exemplo, justificou que \"vimos isso nos falhanços que a selecção nacional teve, há dias, no jogo contra as Ilhas Maurícias, na Taça Cosafa\".
A minha pergunta então é: será apenas um problema dos jogadores? As escolas de futebol e os clubes têm vindo a trabalhar muito pouco para melhorar os aspectos negativos dos nossos jogadores, sobretudo os avançados?
Confesso que noutro tempo os craques da nossa terra foram melhores. Carlos Alves, que pendurou as botas há várias décadas não deixa mentir. Porquê? Porque tem até hoje um número de golos que as supostas \"feras\" de hoje não superam. Dúvidas não restam, não senhor.
Foi na segunda edição do campeonato nacional de futebol da primeira divisão, vulgo Girabola, em 1980, quando este antigo \"camisola 9\" estabeleceu o recorde de golos (29) que se mantém até hoje... já passados 39 anos. Continua, portanto, a ser historicamente o \"imperador\" dos nossos melhores marcadores.
Neste ano de 2018 quando abriu o campeonato, dentre os vários atractivos previstos, foquei-me na questão de saber... quem vai ganhar a prova; quem será despromovido, e, claro está, a curiosidade sobre quem será o goleador e... com quantos a assinar na sua conta!
E como referência tenho esta marca de 29 golos do \"imperador\" Carlos Alves. Haverá quem o ultrapassará? Até agora, meus senhores, quem mais perto chegou de Carlos Alves? Ninguém, porque o poder de \"fogo\" dos pés ponta-de-lança desse tempo tem sido sem chama; estão intermitentes, com altos e baixos.
Nas últimas 10 edições só uma vez vi a ultrapassada a cifra de 20 golos, por obra de Gelson Dala, com 23, em 2016). Quase nada porque já na primeira década do Girabola, em oito ocasiões, o maior goleador teve acima de 20.
Esta marca de baixa produção, também é bom que se diga, para que os miúdos de hoje saibam, teve registos pouco animadores. Por exemplo, de 1979 a 1992, nunca o goleador máximo da prova ficou abaixo de 16 golos.
Já na segunda metade da competição, foram atingidos os níveis mais baixos de concretização, quando em 1997 Zé Neli (Petro do Huambo), marcou 12 e em 2003, André (Interclube) teve igual registo.No ano passado, 2017, o \"homem golo\", Tiago Azulão, do Petro, este mesmo que agora tem 11, terminou com 17 golos.
Eu recorri aos arquivos para contar nos dedos e lá está que os segundos do ranking, atrás do \"imperador\" Carlos Alves estão só com 23 golos: Amaral Aleixo ( quando esteve à serventia do Sagrada Esperança em 1991); Flávio Amado (Petro Luanda em 2001) e Gelson Dala (1.° de Agosto em 2016).
E nem mesmo quem mais vezes venceu este título chega aos pés de Carlos Alves: estou a falar de um craque que já foi muitas vezes o grande \"salvador\" do Petro Luanda. É Jesus, três vezes, em 1982, 1984 e 1985, longe do \"imperador\" Carlos Alves. Será que até ao fim deste Girabola o brasileiro Tiago Azulão marcará mais dezanove golos, perfazendo 30 que superará os trinta do \"imperador\" Carlos Alves?
O técnico do Petro de Luanda disse há dias no Lubango que o seu Petro de Luanda não depende apenas de um jogador, no caso o \"goleador\" Tiago Azulão. E se este craque marcar mais de 29 golos, o que dirá o treinador?
António Félix

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