Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Incio da temporada atpica

08 de Fevereiro, 2018
A festa do futebol está, finalmente, de regresso, depois das “férias prolongadas”. Uma festa sem os ingredientes do passado, face as ausências da Supertaça e da Taça de Angola, daí eu ter considerado esta temporada como atípica. Ausências estas que apesar de serem já um facto no calendário da presente época, vão ainda continuar na ordem do dia do nosso mosaico futebolístico.
A retirada destas duas competições na temporada que inicia este fim-de-semana, foi o resultado final de um encontro entre a FAF e os dirigentes do clube que irão disputar o Girabola/2018, uma situação que vai permitir o ajustamento do nosso calendário ás competições da CAF. Esta situação foi durante muitos anos questionada mas os antigos responsáveis da FAF sempre a ignoraram.
“Em função da orientação da Confederação Africana de Futebol sobre a uniformização do calendário continental, houve várias propostas e os clubes aceitaram a que melhor se adapta à situação concreta. Optaram pela proposta da B FAF, com algumas alterações, mas que vai ao encontro do necessário. Por isso, podemos manifestar o nosso regozijo pela cooperação e consenso”. Estas palavras pertencem ao presidente do Conselho Técnico Desportivo da FAF. Jeremias Simão, no final do encontro.
Perante este quadro, o Girabola inicia sábado, dia 10, e termina no final de Agosto, com duas jornadas por semana (quartas e sábado ou domingo). Antes era disputado entre Fevereiro e Novembro. Com este ajustamento, o Girabola doravante será disputado entre os meses de Setembro e Maio.
Este rebuliço todo que o nosso futebol viveu e ainda vive foi um autêntico ruído que mexeu com os ouvidos de todos os amantes da modalidade. Aqueles que apoiam a retirada das duas outras competições (Supertaça e Taça de Angola) e os que discordam, pelo facto da Taça de Angola ser uma competição com um estatuto diferente das demais (Supertaça de Girabola).
Uma competição de muitas surpresas, onde nem sempre o mais forte supera o teoricamente mais fraco e, por outro lado, porque muita das equipas cotadas do país jogam em locais onde o Girabola não chega.
Talvez, enquanto metáfora da vida, o futebol não tenha de ser justo e seja apenas assim como a própria vida. Ou talvez o possa comparar a um icebergue, no sentido figurado, claro.
Ainda que isto soe a heresia, posso dizer abertamente que o futebol angolano não está sozinho neste calendário. Por exemplo, o Moçambola, iniciou ou está prestes a começar e não me recordo de ter ouvido tanto rebuliço em relação ao seu calendário.
Nem sequer neste universo tão seu, em que o futebol jogado parece cada vez mais um mero pretexto para a existência de “prolongamentos”, como aquilo que vai acontecer nesta temporada atípica, com jogos a quarta e ao fim de semana.
Aliás, muitas equipas, com este calendário, vão ver acrescidos os seus problemas. Uma delas é o Sporting de Cabinda, que terá de efectuar todas as suas viagens por via aérea, face a sua localização geográfica.
De vários lados surgem sinais de que a polémica e as discussões à volta da retirada da Supertaça e, principalmente, da Taça de Angola, não são exclusivo daqueles que o fizeram (FAF e clubes que disputam o Girabola).
Na minha opinião muito pessoal, a FAF não tem de se armar em justiceira nem as leis do futebol de fomentar o igualitarismo. Mas têm de defender a igualdade, e a igualdade, pelos vistos, é uma miragem cada vez mais distante.
Pese todos estes pressupostos, vai começar mais uma temporada do futebol nacional. O principal campeonato desportivo do País mexe com o coração dos adeptos e com o bolso dos patrocinadores de todas as equipas que estarão na grelha de partida de mais uma edição do Girabola.
Uma nova temporada se aproxima e muitos clubes já se movimentaram para um planeamento adequado das suas equipas, considerando os seus objectivos e traçando as metas a atingir no final do ano. E quanto aos atletas? O que uma nova temporada pode significar para cadam deles?
Muitos atletas passam de um ano para o outro, sem dar muita importância ao planeamento de uma nova temporada. Todo o atleta deve pensar no seu futuro. Com isso ou se escolhe os caminhos de vida ou se deixa que a vida decida por ele e lhe oferece resultados que nem sempre são aqueles que se espera.
A festa está de regresso. Espero que todos tirem os dividendos necessários para que esta edição do Girabola contagie todos os amantes do futebol.
POLICARPO DA ROSA

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