Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Infra-estruturas desportivas

02 de Setembro, 2013
A edificação de um estádio de futebol com capacidade para cerca de 25 mil espectadores, além de conferir maior dignidade ao 1.º de Agosto, vai aumentar o leque de opções de outras equipas e selecções nacionais, que algumas vezes têm dificuldade em conseguir um recinto para efectuarem os seus treinos e jogos oficiais.A construção de tal infra-estrutura no município de Viana junta-se a outras acções de vulto levadas a cabo pela direcção do clube “militar”, que em pouco menos de dois anos tem envidado esforços no sentido de criar as condições mínimas de trabalho para todos os escalões e classes das várias modalidades do clube.

O clube dispõe agora de dois campos revestidos com relva sintética (no RI–20 e no Regimento das Comunicações), para os escalões de formação, um pavilhão multiusos para os desportos de salão (RI-20) que, com o campo do ex-Gama, a piscina e o pavilhão do Rio Seco, constituem as instalações desportivas da agremiação.O investimento, cujo montante não foi revelado, deve servir de incentivo aos demais clubes, sobretudo para os de maior mobilidade económica e financeira, no sentido de investirem no desporto. À excepção do 1.º de Agosto, Petro de Luanda e Recreativo do Libolo, o apoio ao desporto, com principal incidência para a vertente das infra-estruturas, não tem merecido o devido valor e interesse por parte do empresariado nacional.

Neste particular, é de destacar o facto de o Kabuskorp do Palanca projectar concluir, no próximo ano, a edificação de um estádio com capacidade para 12 mil espectadores, no bairro do Palanca.São conhecidos os feitos desenvolvidos pela actual direcção do “glorioso”, um dos emblemas mais referenciados de Angola e de África, no que diz respeito aos escalões de formação que, apesar de serem o elemento fundamental para a edificação da pirâmide desportiva, têm sido votados ao esquecimento pela maioria dos clubes, associações e pela própria federação angolana da modalidade.

A contratação de quadros com alguma experiência para trabalharem nos escalões de formação não foi esquecida. No que diz respeito ao futebol, antigas glórias do clube e de Angola ensinam o ABC do futebol a algumas centenas de crianças, adolescentes e jovens, que no futuro podem vir a conferir melhor qualidade não apenas ao 1.º de Agosto, mas também a outras agremiações e mesmo aos Palancas Negras.

Antigos jogadores do clube transmitem os seus conhecimentos aos futuros craques. É assim que, ao acreditarmos na capacidade das pessoas que desenvolvem tal projecto, não nos assiste qualquer dúvida em afirmar que se está diante de investimentos cujos lucros vão ter influência na melhoria da qualidade do futebol nacional, o que significa que é Angola que sai a ganhar. Ao desenvolver esse projecto de forma séria e responsável, a “família agostina” está a contribuir para que um grande número de crianças, adolescentes e jovens, e mesmo adultos, se desviem de práticas nocivas.
Leonel Libório

Em Profundidade
Protegidos e desprotegidos

"As arbitragens protegem os clubes grandes e penalizam os mais pequenos." Até que ponto esta frase, tantas vezes repetida, como uma reclamação de quem se sente prejudicado, é realmente verdade? Numa breve análise a alguns dos principais campeonatos no mundo, confirma-se que, regra geral, os grandes são, realmente, menos penalizados pelos árbitros, pelo menos no que à amostragem de cartões diz respeito. Em Angola não é diferente.

O que acho estranho é que os discursos vão mudando consoante as coisas vão acontecendo ao longo da época. Ainda não aprenderam que não vale a pena andar em guerras para ver qual é o melhor em termos de arbitragem. O futebol é para ser jogado nas quatro linhas, com duas equipas a defrontarem-se e uma equipa a passar despercebida e a fazer o seu melhor. Quando ouço comentários sobre arbitragem fico parvo, porque alguns dos nossos dirigentes só falam da arbitragem quando as suas equipas são penalizadas.

Não sou árbitro de futeol.Nunca fui e nunca me passou pela cabeça que um dia fosse envergar o uniforme preto dos homens do apito. Mas falar de arbitragem não constitui, para mim, algo que não esteja por dentro. Sinto-me, assim, muito à vontade para falar de um tema que mexe com todos os meandros do nosso futebol.

Estou a fazer um pequeno balanço destas 21 jornadas já disputadas do Girabola, onde o Kabuscorp é dono e senhor absoluto. Ainda não conheceu o sabor amargo da derrota. Quer se queira quer não, é bem verdade que a equipa do Palanca está a fazer aquilo que muitos não acreditavam. A sua prestação é fruto da protecção que teve até aqui dos árbitros? Esta é uma questão pertinente, quando o campeonato se apresta a entrar na fase mais complexa. A do tudo ou nada.

A realidade diz-nos que o Kabuscorp já foi por diversas vezes beneficiado pela arbitragem. Só não vê quem não quer. Contudo, isto não invalida dizer que a sua prestação está a ser das mais dignas. Que não foi a arbitragem que o colocou na liderança. Mas que a equipa do Palanca já beneficiou dela, ninguém tem dúvidas. O jogo contra o Santos foi apenas um destes momentos. Aliás, o árbitro que dirigiu o encontro continua suspenso, devido ao péssimo trabalho que efectuou e que acabou por beneficiar o Kabuscorp.

Fazendo uma ligeira comparação com aquilo que observei nas edições anteriores do Girabola, posso dizer que vi arbitragens boas e regulares (não comprometedoras), poucas arbitragens ruins (com influência no resultado, sem controlo disciplinar nem critérios), arbitragens péssimas (desastrosas em todos os sentidos) e óptimas (aquelas que empolgam pelas decisões exactas no momento decisivo do jogo).

Na minha modesta opinião, caso me pedissem para definir uma óptima arbitragem, creio que a definiria assim: critérios iguais para os dois lados, nunca perdendo o controlo disciplinar da partida e com acerto total nas “grandes decisões”.Um facto que me chama a atenção, não apenas este ano como no geral, é a diferença de critérios que existe entre os árbitros. Este é, no fundo, o trabalho mais árduo de uma comissão de arbitragem eficiente e competente.

Digo, e compreendo que muitos não vão concordar comigo, que nem todos os árbitros são craques. Há também os chamados “pernas-de-pau”. Mas vou explicar, para melhor me perceberem. Os treinadores passam a semana inteira a treinar as suas equipas: jogadas, marcação, passes, remates à baliza, e no dia do jogo poucos acertam acima da média exigida. Os árbitros são iguais. Que me desculpem mas é a pura realidade. Aliás, em todas as profissões há os capazes e os menos capazes. Muita vezes o canudo de nada serve.Mas voltando a falar do Girabola, devo dizer que as últimas nove jornadas vão ser decisivas, não só para a questão do título mas também para as equipas que lutam peola permanência. E o papel dos árbitros vai ser determinante. O conselho central vai ter de saber lidar com os seus homens. Transmitir-lhes a mensagem da transparência.
Policarpo da Rosa

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