Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Infurtnios nos estdios

11 de Agosto, 2015
Não deve ser fácil encarar a morte e quando acontece com um jovem, aparentemente saudável em pleno recinto desportivo, é mais comovente e generalizada. É mesmo, demasiado chocante. Já são passados 16 dias do incidente, que aconteceu com o Gilberto, durante o jogo Benfica de Luanda -Progresso do Sambizanga e muitos ainda se recordam da imagem do atleta do Benfica a cair inanimado no relvado do estádio dos Coqueiros. Outros jogadores, nas mesmas circunstâncias, noutros locais e noutras alturas, acabaram por perder a vida.

O levantamento de mortes de jogadores de futebol em campo é penoso. São muitas, muitas mesmo. No país contam-se as mortes nos estádios de futebol, mas pode fazer-se uma viagem no tempo e perceber como os movimentos são similares e o desfecho é sempre trágico. O jogador perde o fôlego e cai. O desespero toma conta dos colegas, das equipas médicas e de todos quantos estejam no estádio a ver o jogo ou os que em casa acompanham através da televisão.

Estatísticas dão-nos conta que nos últimos cinco anos contabilizaram-se, em todo o mundo, a morte de 84 jogadores de futebol enquanto treinavam ou disputavam jogos, devido a problemas cardíacos. A FIFA tem realizado um substancial esforço, para garantir que esses episódios não se repitam no futuro. Um dos critérios de classificação dos estádios, é a existência do material médico necessário e essencial, para lidar com problemas cardíacos graves.

Um problema relacionado com as mortes súbitas, é que só em 55 por cento dos jogos de futebol, à escala global, há um disfibrilador, número que em caso de treinos se resume a 28 por cento, de acordo com dados da FIFA. Com efeito, é na prevenção que tem de estar a solução. Exames mais exigentes durante a pré-temporada, acompanhamento médico constante e sobretudo, tolerância zero com relação aos problemas do coração.

Ter um disfibrilador, em cada campo, é questão de vida ou morte. Infelizmente, em nenhum dos nossos estádios existe este elemento fulcral para a vida de um atleta. Um erro que não cabe só a FAF, mas aos clubes e ao órgão reitor da medicina desportiva nacional, no caso o Centro de Medicina Desportiva, órgão que devia exigir que todos os recintos desportivos do país tivessem um desfibrador.

O que aconteceu com o jogador do Benfica de Luanda, pode ser reduzido com exaustivos controlos médicos aos futebolistas, antes de cada torneio ou jogo importante, ainda que tal não elimine de todo o risco de sofrer uma paragem cardíaca. As autoridades médicas têm sido incapazes de dar a volta ao tenebroso problema. Muitos culpam o excesso de substâncias médicas – legais e dopantes – dadas aos jogadores para superar lesões e aguentar a dor.

Outros apontam o dedo à falta de qualidade dos exames médicos de muitos clubes, incapazes de detectar sobretudo, problemas cardíacos. O coração traiçoeiro transformou-se, a pouco e pouco, na grande sombra do futebol mundial. As mortes de vários atletas em países dito desenvolvidos, deixam claro que a situação não é um exclusivo de futebolistas que desenvolvem as carreiras em clubes de países subdesenvolvidos, por isso, sem condições médicas para descobrir esse tipo de problemas.

No mundo do futebol foi criado um aplicativo, que ajuda toda essa problemática. A aplicação CPR11, que já chegou a Portugal. Serve para alertar, prevenir e sensibilizar para a morte súbita no mundo do desporto, ajudando no socorro aos atletas. Esta inovação tecnológica tem como principal objectivo alertar, prevenir e sensibilizar para a morte súbita no mundo do desporto.

A CPR11, já lançada em Espanha, é um projecto desenvolvido pela Fundação Mapfre em parceria com a FIFA. A FAF em colaboração com o Centro de Medicina Desportiva e o apoio do MJD, devia aceder a esta aplicação. A precaução da morte súbita é uma obrigação que toca a todos nós, desportistas e não desportistas. Perante isto, considero que não se devem poupar esforços quando se trata da saúde e vida dos desportistas e que esta aplicação pode salvar uma vida, que de outra maneira, se pode perder

Temos de aprender que a vida vale mais que uma bola de futebol. Por isso, é necessário que as nossas autoridades desportivas tomem as medidas para que situações iguais à de Gilberto não voltem a acontecer no nosso desporto.
Policarpo da Rosa

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