Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Insegurana nos nossos Estdios de futebol

16 de Fevereiro, 2017
O desporto angolano está de luto. A morte de 17 pessoas (enterradas no domingo e na segunda-feira) durante o jogo entre as equipas do Santa Rita de Cássia, do Uíge e do Recreativo do Libolo, que abriu, na passada sexta-feira, a edição do Girabola/2017, é um acto que marca pela negativa o desporto angolano, e abre um tema muito sensível: a segurança nos nossos Estádios.

Em Angola e nos mais diversos países do mundo, o futebol mais do que uma competição, profissional ou não, constitui uma verdadeira actividade lúdica, de festa e de entretenimento.

No futebol, ao contrário do que acontece em outras manifestações culturais, a participação das pessoas assenta na paixão, que se por um lado faz o espectáculo ainda mais grandioso quando canalizada para expressar alegria, pode ainda causar violência e destruição, como infelizmente aconteceu na sexta-feira, no Estádio 4 de Janeiro, na cidade do Uíge.

É verdade que actualmente a redução da violência, e casos semelhantes ao ocorrido no estádio 4 de Janeiro, tem gerado grande preocupação das nossas autoridades, especialmente as forças policiais, e ao organismo reitor do futebol nacional, no caso a FAF. Tanto as forças policiais, como a Federação Angolana de Futebol, estão envolvidas em levar a cabo acções para reduzir os riscos existentes nos Estádios de futebol, principalmente, nos dias que antecedem ao início da nova época futebolística.

E, em meu entender, é aqui que reside a grande questão. Antes do pontapé de saída do Girabola/2017, tive conhecimento que uma equipa da FAF esteve no Uíge para avaliar as condições existentes no Estádio 4 de Fevereiro. A equipa esteve acompanhada por elementos das forças policiais do Uíge.

No final da inspecção deram o aval positivo. Isto é, o Estádio 4 de Janeiro reúne as condições ideais para albergar jogos do Girabola. Contudo, não foi isso que a prática demonstrou na sexta-feira.

A tragédia de que resultou a morte de 17 pessoas, e o ferimento de outras 59, não é senão consequência de um trabalho mal feito. Aliás, as imagens televisivas captadas durante o jogo demonstraram isso mesmo. Dezenas, senão mesmo centenas de adeptos deslocam-se ao Estádio de futebol (ou de outra modalidade), em busca de entretenimento, ansiosos de ver jogos atractivos e emocionantes.

Estes adeptos são a essência do futebol. Devem desfrutar de atmosfera festiva e de celebração, sem qualquer preocupação com a segurança e bem-estar. E, isso, não foi visível entre os adeptos que estiveram no 4 de Janeiro.

Se dentro do Estádio estavam todos amontoados, uns em cima dos outros, imagina o que aconteceu lá fora com as forças policiais a não conseguir pôr ordem nas enormes filas de adeptos, ansiosos de ver em acção a estreia da sua equipa, na alta-roda do futebol nacional. É verdade, que qualquer evento desportivo de massas, como é o futebol, acarreta riscos e desafios. A segurança dos espectadores e de todos os envolvidos deve, por esta razão, estar em primeiro lugar.

Contudo, para preservar este princípio, há a necessidade de unir forças. A FAF em colaboração com os clubes, proprietários dos Estádios, directores, autoridades nacionais e locais, e a polícia, devem garantir condições seguras e acolhedoras, para todos os jogos de futebol, e não só. Todos os eventos realizados num Estádio, de futebol ou de uma outra modalidade, são da responsabilidade daquele que os promove, e do dono do Estádio. Esta é a regra mundial, e em Angola não pode ser diferente.

O MJD, na qualidade de órgão reitor do desporto nacional, deve exigir dos clubes e das distintas Federações, as condições de segurança, respeito e dignidade à pessoa humana. Até hoje, as causas da tragédia continuam desconhecidas. Uma comissão está a trabalhar para apurar as razões que estiveram na base do doloroso incidente que enlutou o desporto nacional.

No nosso país várias comissões de inquérito, para averiguar este ou aquele acto ilícito foram criadas, mas nunca ficamos a saber os resultados. Espero, que esta comissão faça o seu trabalho, com isenção, e na hora certa, encontre as verdadeiras causas da tragédia.
Policarpo da Rosa

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