Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Nzongo Bernardo dos Santos

Interesses cruzados ou objectivos comuns? (III)

19 de Março, 2018
Em relação ao patrocínio desportivo, até ao momento, não temos sido capazes de tirar proveito e vantagens que as mesmas proporcionam a quem faz do desporto, o seu “pão de cada dia”. Tudo porque, não temos sido suficientemente expeditos e capazes de implementar uma estratégia, que pode e deve transformar a relação entre o desporto e o empresariado, num “casamento entre pessoas da mesma igreja”, ou como se diz na língua de Shakespeare, num Win-Win.
Na verdade, a própria abordagem em relação ao patrocínio desportivo, na nossa realidade, ainda é feita de maneira descaracterizada, oportunista, sem qualidade e com pouca ou nenhuma transparência.O patrocínio desportivo em Angola, não aparece quantificado em termos de crescimento e evolução, uma vez que a mesma nunca teve contornos muito definidos, pois as suas fronteiras continuam demasiado abertas a todo tipo de intrusos.
Por esta razão, é que tem havido muitas dificuldades para definirmos etimologicamente, o fenómeno patrocínio desportivo, bem como para delimitar as actividades que nela estão envolvidas.
As razões para esta dificuldade têm a ver, por um lado com acções de natureza filantrópica e, por outro lado, na utilização errada de termos que não se encaixam nas definições apresentadas e trabalhadas por especialistas de marketing.
A título de exemplo, a concepção meramente comercial muitas vezes (mal) atribuída ao patrocínio desportivo, omite uma linha de pensamento, mais condizente com os verdadeiros mecanismos de promoção e acção do patrocínio desportivo.
Em 1994, Philipe Kotller, considerado pai do marketing moderno, referiu-se ao patrocínio desportivo, como um meio de interacção com os consumidores num nível emocional alto, permitindo a exposição ou serviço num ambiente compatível com um determinado estilo de vida.
Segundo ainda Kotller, este tipo de acção tenta identificar um momento especial, num evento que proporcione, uma relação emocional com os clientes e consumidores de uma dada marca que “aparentemente”, não tenha qualquer ligação ou relação com o desporto.
Dito, só pode ser considerado um projecto de patrocínio desportivo de “verdade”, porque o que temos e vemos na nossa realidade são “mentiras” disfarçadas de patrocínio desportivo, quando a referida acção se torna numa mobilizadora de dinâmicas sociais, em que a criatividade deve ser a mola impulsionadora e dominadora de uma estratégia de comunicação coerente, por parte do patrocinador, criando um conjunto de acções perpendiculares com a entidade desportiva patrocinada, capazes de fomentar um interesse especial no público-alvo, levando para todos efeitos com que a referida activação da marca no desporto, propicie um relacionamento humano mais estreito, e promova proximidade, afinidade e afectividade entre as pessoas e destas com a marca.
Em jeito de conclusão, não gostaria de deixar passar esta oportunidade para fazer uma “pequena” e sintetizadíssima análise sobre o tão propalado Contrato-Programa, que deverá ser a linha mestre de actuação do MINJUD, no que diz respeito aos apoios ou financiamento para as actividades desportivas.
Gostaria de dar mais subsídios, mas vou dedicar propositadamente parcas palavras ao Contrato-Programa, porque na verdade não quero dar, nem tampouco tirar protagonismo a quem pouco ou nada merece!
O que sei, é que a elaboração de contratos-programa nada mais, nada menos, do que uma “velha” estratégia há muito traçada pelo Comité Olímpico Angolano, que há muitos anos teve intenções de a institucionalizar no país, com resultados cujos contornos desconhecemos e que deverão estar fechados a “sete chaves”, tal como tantos outros resultados, de tantos outros projectos que anunciados com pompa e circunstância redundaram em nada, só em termos práticos.E mais nada digo sobre este assunto.As evidentes diferenças de fontes de financiamento dos Clubes de futebol além-fronteiras, deveria levar os Clubes nacionais a estarem não só atentos e bem como também a desenvolverem uma estratégia a longo prazo para se adaptarem a estas novas realidades.
Dois caminhos evidentes se abrem aos Clubes. Por um lado, podem manter-se fiéis às formas de gestão e fontes de financiamento tradicionais. Consequentemente, verão que os seus adversários mais sagazes irão ultrapassá-los, mas em contrapartida manterão vivos os valores do associativismo.
O outro caminho passa por evoluírem para a organização e profissionalização da gestão dos Clubes e assim atraírem investidores e anunciantes. Só com a implementação do marketing desportivo seriam obrigados a caminharem neste mesmo sentido.
Só assim, será possível os Clubes melhorarem as suas prestações competitivas e almejar o desporto de alto rendimento.
*MENTOR E GESTOR EXECUTIVO
DO FÓRUM MARKETING DESPORTIVO

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